MEIO AMBIENTE – Parque Nacional

 

Parques Nacionais:

 

do Jaú

 

do Pico da Neblina

 

do Cabo de Orange

 

da Amazônia

 

da Serra do Divisor

 

do Monte Roraima

 

Serra da Mocidade

 

do Viruá

 

Outros Parques Nacionais

MEIO AMBIENTE – Parque Nacional


 

Unidades de Conservação

 

O Brasil está entre os 3 países do mundo de maior diversidade biológica. Possui a flora mais rica do planeta e a sua fauna é a primeira em número de espécies de vertebrados terrestres, primatas e peixes de água doce. Destaca-se ainda quanto ao número de espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios.

Para a proteção desse inestimável patrimônio natural, ao qual se juntam paisagens de excepcional beleza cênica, e outros recursos e valores não biológicos, de importância fundamental para a vida na Terra, iniciou-se há 55 anos de estabelecimento de áreas protegidas no Brasil. Hoje, estas áreas, conhecidas no conjunto como Unidades de Conservação, constituem um instrumento essencial para a proteção da biodiversidade do país. Cerca de 3,9% do território nacional está sob proteção governamental na forma de Parques Nacionais, Reservas Biológicas, Estações Ecológicas, Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas e Áreas de Proteção Ambiental, cada tipo de Unidade cumprindo papéis distintos e complementares, que vão desde a preservação estrita até a utilização direta controlada dos recursos.

Todas as formas de vida são únicas e o respeito às mesmas deve ser assegurado independentemente da sua utilidade. Além disso, o homem é parte da Natureza e dela depende para uma vida saudável. As unidades de conservação representam a materialização deste entendimento e constituem um trabalho prioritário do IBAMA, responsável, a nível federal, por sua criação, implantação e manejo.

 

Conservating Units

 

Brazil is one of the three countries of the world that shows the largest biological diversity. It owns the richest flora of the planet, and its fauna is the leader in number of land vertebrate species, primates and fresh water fish. It also exhibits an outstanding number of birds, mammals, reptiles and anfians.

To the protection of this unpriceable natural patrimony, to wich one may join exceptionally beautiful landscapes and other non-biological resources of first importance to life one earth, it was started, about 55 years ago, the settlement of protected areas in Brazil. Those areas, known as Conservating Units, represent today an essential tool to the biodiversity protection in the country. Near 3,9% of the national territory is under governmental protection as National Parks, Biological Reserves, Ecological Stations, National Forests, Natural Resoucers Extration Reserves and Environmental Protection Areas – each kind of Unit performing supplementary roles, from strict preservation to controled utlization of resoucers.

All life forms are unique, and the respect to them must be assured regardless of their utility. Besides of that, man is part of nature and depends on it for a healthy life. Conservating Units are the materializing of this approach and represent a top priority task for IBAMA – the federal agency which is responsible for their creation, implantation and management.


 

PARQUES NACIONAIS

 

Denominação

UF

Municípios Abrangidos

Superfície (ha)

Decreto

Número          Data

P.N. do Amazonas (Tapajós)  P.N.  da  Amazônia  (Tapajós)

PA/ AM

Itaiatuba                                             Maués                                                                                                

994.000

90.823 73.000

18.01.85 19.02.74

P.N. Araguaia

TO

Formoso do Araguaia e Pium

562.312

47.570

31.12.59

P.N. Cabo Orange               

AP

Calçoene, Oiapoque

610.000

84.913

15.07.80

P.N. Chapada dos Guimarães

MT

Chapada dos Guimarães, Cuiabá

33.000

97.656

12.04.89

P.N. Jaú

AM

Novo Airão

2.272.000

85.200

24.09.80

P.N. Lençóis Maranhenses

MA

Barreirinhas, Primeira Cruz

155.000

86.060

02.06.81

P.N. Monte Roraima

RR

Normandia

116.000

97.887

28.06.89

P.N. Pacaás Novos

RO

Guajará-mirim, Jaru, Porto Velho, Vila Velha do Mármore, Alvorada do Oeste.

765.801

84.019

21.09.79

P.N. Pantanal Matogrossense 

MT

Poconé

135.000

 

68.691

86.392

28.05.71

24.09.81

P.N. Pico da Neblina

AM

São Gabriel da Cachoeira

2.200.000

83.550

05.06.79

P.N. Serra do Divisor

AC

Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima

605.000

97.839

16.06.89

 

MEIO AMBIENTE - Parque Nacional

 

Reserva Desenvolvida Sustentável

 

Já foram identificadas cerca de 30 000 espécies de plantas na Floresta Amazônica. É impressionante, mas ainda é pouco. Cientistas estimam haver 5 milhões.

 

Na duas reservas, porém, a avistagem é bem mais fácil que em outras regiões da Amazônia. A diferença está na diversidade e na quantidade de animais. Espécimes como a onça-preta, o raro gavião-real, o uacari-preto e o lendário boto cor-de-rosa, comuns na região e raros no resto da Amazônia e do mundo, são vistos com um pouco de sorte num passeio de voadeira,  pequena lancha a motor. Com a mesma sorte triplicada, o turista pode Ter um encontro - do barco, claro - com a elegante onça-preta. A vida selvagem está em toda parte. Só em Mamirauá, os pesquisadores já descobriram duas novas espécies de primatas, vinte de enguias elétricas, uma de pásssaro e uma de vespa.

 

Jaú

 

Os projetos de preservação só não estão ainda bem delineados na área do Parque Nacional do Jaú, o maior do  Brasil, com 22 000 quilômetros quadrados - o tamanho do Estado de Sergipe. Como em todo parque nacional, a entrada no Jaú é controlada pelo Ibama, mas invasores burlam a fiscalização e arrancam tartarugas, jacarés e peixes do caudaloso Rio Jaú, onde os ribeirinhos ainda preservam o primitivo costume de pescar com arco e flecha. Sem apoio, os poucos moradores nada podem fazer contra os predadores humanos. É uma pena. Fechadas e úmidas , as florestas do Jaú são repletas de castanheiras- do- pará, pau- rosa, Jacarandás e angelins- rajados. É o ambiente perfeito para o desenvolvimento de árvores que se alongam por mais de 40 metros de altura. A riqueza da fauna é constatada com o vôo de araras e papagaios, a morosidade da preguiça agarrada ao sua galho e o nado imponente do jacaré - coroa. Entre as raridades que habitam o Jaú, destaca-se o Nonula amauracephala, um pássaro de 25 centímetros e cabeça dourada. O indecorável nome deve-se ao fato de ave Ter sido considerada extinta na natureza  e, de tão rara, nunca foi batizada popularmente. Nos primeiros meses do ano, toda a área de Mamirauá fica coberta pelas águas. Do segundo semestre em diante, os rios da Amazônia começam a baixar. O cenário muda totalmente. A variação do nível das águas pode chegar a 12 metros. Durante a cheia, as trilhas são feitas de canoa. Horas navegando nos silêncio da mata virgem. As conversas são levadas no cochicho. "Se os animais ouvirem nossas vozes, eles se escondem", ensina o guia Tito, e sai arremedando tudo o que é bicho, para atraí-los. Em alguns trechos, a mata é tão fechada que a canoa serpenteia à procura de um caminho livre. Os macacos são os mais exibidos. O macaco-de-cheiro não pára quieto. Mais pacato é o raríssimo uacari- branco, de pêlo branco e cara vermelha, que não existe em nenhuma outra parte do mundo. Já o grito dos macacos- guariba lembra uma trovoada. O som ecoa dentro da selva. "Muita gente já saiu correndo, com medo da gritaria", lembra Tito. Os ameaçados gavião-real e preguiça-real, a onça-pintada, jacaré, biguás, garças também são vistos na região. As vitórias na região. As vitórias- régias surgem como um cartão- postal nas águas paradas dos igarapés e completam o visual cinematográfico.

Migração dos animais.  Na estação seca, fica ainda mais evidente a força das águas. Nos mesmos lugares onde se faz trilhas de canoa, em igapós de até 12 metros de profundidade, 'e possível caminhar em terra seca. Algumas  espécies de peixes e aves que estavam em Mamirauá na cheia desaparecem. Recentemente, ficou comprovado que esses animais migram para o Amanã. A pesquisadora Míriam Marmontel descobriu que algumas espécies, como o peixe- boi, necessitam dos dois ambientes para viver no decorre do ano. "Daí a importância fundamental de preservar as duas reservas", ressalta. Após marcar, durante a época da cheia, um grupo de peixes- boi com o sistema de radiotelemetria, em Mamirauá, a pesquisadora inciou os estudos dos bichos, no entanto foi forçada a interromper os trabalhos. Á medida que o nível da água baixava, os peixes-bois foram sumindo dali. Míriam desconfio que os animais tivessem sido caçados. Procurou muito até que, num certo dia da estação secam, sobrevoando o Amanã, detectou a preseça dos animais marcados. A Reserva do Amanã é a única em toda a Amazônia que apresenta dois dos ecossistemas mais importantes da região. Encravada entre as bacias do Rio Negro e do Rio Japurá, exibe um mosaico da vida animal e vegetal existente nos hábitants de águas pretas e turvas. "Isso trona a RDS Amanã especialmente valiosa do ponto de vista biológico", destaca Márcio Ayres. É um verdadeiro caleidoscópio da vida na floresta Amazônica. A maior atração da reserva é o impressionante Lago Amanã, o maior de toda a Amazônia. O lago tem 45 quilômetros de extensão e em alguns trechos chega a 3 quilômetros de largura. Percorrendo as águas limpas do Amanã, fica difícil aceitar que se trata de um lago e não de um rio. Botos cor- de- rosa e cinza são vistos a todo instante. No período de estiagem, de junho a outubro, milhares de aves, como biguás e garças, imprimem colorido intenso ás ilhotas que surgem às margens dos rios e algos. É também na época da seca que o peixe- boi começa a aparecer no Lago Amanã. Quando os rios estão cheios, seu hábitat são as áreas de várzea, como o Mamirauá. Ali ele encontra em abundância os capins membeca, muriru e aguapé, sua alimentação predileta. Pouco menor que o uacari- branco, o uacari- preto pode ser avistado nas copas das árvores mais altas.

Patrimônio Biológico. A preservação de áreas como Mamiruá, Amriruã e Jaú é muito mais importante do que se imagina. "Na Floresta Amazônica está o maior de tesouro natural do planeta", afirma o pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa). Considerado um dos maiores especialistas sobre Amazônica do mundo, Fesrnside destaca, entre outras questões, o temido efeito estufa. Ele estima que, se a floreste fosse destruída, seriam necessários 3 trilhões de dólares a cada ano para controlar o efeito estufa. Outro estufo concluiu que a conservação da selva poderia render, em taxas de proteção pagar por outros países, mais de 1 trilhão de dólares por ano para o Brasil. Isso só em relação ao efeito estufa. Fontes de ouro, cobre, bauxita e petróleo ainda podem ser aproveitadas, mas são finitas. A Amazônica  poderia render, sem riscos de destruição da mata, 1 bilhão de metros cúbicos de madeira por ano - sete vezes o consumo mundial de madeira. E incalculável é a fortuna que pode ser gerada com o tesouro biológico camuflado nas árvores, rios, lagos e igarapés. Em nenhum outro lugar do mundo existem tantas espécies de primatas, aves, sapos, lagartos, roedores, jacarés e peixes de águas doce. A  quantidade de plantas também é insuperável. As espécies identificadas somam 30 000, 10% de todas já catalogadas pela ciência. Tais números impressionam, mas são pouco diante da grandiosidade da Amazônia. Como muitas regiões da selva nunca foram estudadas, os cientistas estimam que existam ali mais de 5 milhões de espécies de plantas. É um gigantesco cofre verde, esperando para ser aberto e explorado. Outro bem valiosíssimo é a água. Cerca de 20% de toda a água doce da Terra está na Amazônia. Para tornar esse patrimônio líquido ainda mais preciso, pesquisar científicas alertam que a água doce será produto escasso nos próximos séculos. O ecoturismo também é fonte de renda que ainda está engatinhando. Enquanto os turistas deixam, em média, ralos 40 milhões de dólares por ano na Amazônia, a pequena Costa Rica fatura, anualmente, 570 milhões de ecodólares. Detalhes: a Amazônia é quase 100 vezes maior que toda a Costa Rica. "Bem explorada, a Floresta Amazônica é uma fonte inesgotável de riquezas", diz Fearnside. Um dos pais do projeto que definiu o corredor verde Amanã - Mamirauá - Jaú foi o biólogo canadense Robin Christopher Best, que descobriu o imenso Lago Amanã por acaso, quando pesquisava o peixe-boi da Amazônia, no final da década de 70. Com auxílio de especialistas, Best estudou e catalogou várias espécies de plantas e animais do Amanã. Foi um trabalho duro, base de um sonho de transformar tudo ali numa reserva exemplar. Na época, as expedições saíam de Manaus em pequenos e lentos, barcos, que percorriam mais de 700 quilômetros no Rio Amazonas, até chegar ao Amanã. No início da década de 90, uma equipe financiada pelo Wildlife Conservation Society e Museu Goeldi fez os primeiros levantamentos de árvores, macacos e caça de subsistência da área. Morto em 1986, aos 37 anos, Best partiu sem saber que seu sonho um dia seria realidade. Uma fascinante e magnífica realidade.

 

MEIO AMBIENTE - Parque Nacional

 

Jaú

 

Área: 22000 quilômetros quadrados

410 espécies de plantas

263 espécies de peixes

400 espécies de aves

55 espécies de répteis

25 espécies de mamíferos

MEIO AMBIENTE – Parque Nacional

 

Ecologista radical, Cousteau já usou golfinhos como isca para tubarões

 

Cinco Artigos pelo futuro

Está é a integra da carta Direitos das Gerações Futuras, elaborada por Jacques Cousteau submetida à assembléia geral da Organização das Nações Unidas, em outubro de 1994

 

Artigo 1

As gerações futuras têm o direito a uma terra sem contaminação e sem destruição, para que a passam desfrutar como cenário da História da Humanidade, da sua cultura e dos laços sociais que fazem de cada geração e indivíduo um membro da família humana.

Artigo 2

Cada geração, participando da herança e propriedade da Terra, tem o dever como administradora das gerações futuras de evitar danos irreparáveis e irreversíveis à vida na Terra e á liberdade e dignidade humana.

Artigo 3

É, portanto, uma responsabilidade muito grande de cada geração manter uma vigilância constante e uma avaliação prudente dos distúrbios tecnológicos e das modificações que afetam adversamente a vida na Terra, o equilíbrio da natureza e a evolução da Humanidade, para proteger ao Direitos das Gerações Futuras.

Artigo 4

Serão tomadas todas as medidas apropriadas, incluindo educação, pesquisa e legislação, para garantir estes direitos e assegurar que não sejam sacrificados por conveniências presentes.

Artigo 5

Para tanto, governos, organizações não- governamentais e indivíduos deverão utilizar todos os seus recursos e imaginações para implementar estes princípios como se estivessem na presença dessas gerações futuras cujos direitos procuram estabelecer e perpetuar.

 

As Dez Façanhas do Capitão Planeta

Foi um dos inventores do aqualung,  o equipamento de mergulho autônomo que substituiu o antiquado escafandro

Conquistou o Oscar e a Palma de Ouro do Festival de Cannes com o documentário O Mundo Silencioso, em 1956

Corrigiu a imagem da baleia, transformando-a de grande assassino dos mares num dos mais simpáticos mamíferos

Criou uma casa submarina onde seis pessoas viveram por um mês a 100 metros de profundidade.

Convenceu vários países europeus a restringir o lançamento de detritos no Mediterrâneo

Costurou um pacto que salvaguarda a Antártida de qualquer tipo de exploração econômica por cinqüenta anos 

Foi a personalidade mais festejada da Eco 92 e a única convidada a participar de uma foto com todos os chefes de Estados presentes

Desenvolveu mais de setenta telefilmes, que tiveram mais espectadores do que a série Dallas, a mais vendida de Hollywood

Tirou 5 milhões de exemplares do livro O Mundo Silencioso, distribuído em mais de 100 países.

Junto com a Unesco, coletou mais de 12 milhões de assinaturas para a petição pelos Direitos das Gerações Futuras

MEIO AMBIENTE - Parque Nacional

 

Ecologistas do mundo inteiro há décadas denunciam as ameaças crônicas que rondam a Amazônia. É bem verdade que fazendeiros, madeireiras e outros parasitas devoram como cupins insaciáveis a maior e a mais rica floresta tropical do planeta. Mas nem tudo está perdido. Felizmente, algo no coração da selva vai além da destruição. Dos 5,1 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia brasileira, cerca de 80%  ainda não conheceram o ímpeto das queimada e das motosserras. Habitam esse gigantesco universo verde milhões de espécies de animais e plantas, a grande maioria ainda não catalogada pela ciência. Aproveitar as riquezas desse tesouro sem esvaziar o cofre é possível. Começam a surgir projetos de manejo florestal que unem a preservação da mata à melhoria de vida as comunidades ribeirinhas. O mais admirável e produtivo exemplo fica no corredor ecológico que aglomeram as reservas de Mamirauá e Amanã e o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas. Juntos esses três santuários da vida selvagem somam exatos 57 400 quilômetros quadrados - quase duas vezes o tamanho da Bélgica. Símbolos de preservação e aproveitamento da mais fascinante floresta da Terra, eles representam uma Amazônia que, com seu patrimônio biológico de valor incalculável, será o maior tesouro do Brasil no próximo milênio.

 

MEIO AMBIENTE – Parque Nacional

 

Parque Nacional da Amazônia

 

É o terceiro Parque Nacional em tamanho do Brasil, com seus 1.000.000 há (um milhão de hectares). Fica situado à margem esquerda do rio Tapajós, no município de Itaituba, Estado do Pará, próximo ao cruzamento das rodovias Cuiabá – Santarém e Transamazônica.

A principal cidade perto do Parque é Santarém, servida por vôos diários, que a conectam com todo o País e como o exterior.

Esse Parque Nacional, em sua quase totalidade, é coberto por floresta tropical úmida e apresenta aspectos naturais e arqueológicos de relevante interesse. O fato de estar situado á margem esquerda do rio Tapajós, um grande rio de águas claras com belas corredeiras, lhe acrescenta indiscutível beleza cênica.

Uma de suas principais características, da qual dependem muitas outras, é a de estar na zona de transição entre o antigo Escudo Brasileiro e a Bacia Sedimentar, bem mais nova. Assim sendo, a região abrange numerosas formações geológicas de diferentes idades. Aí estão as mais duras rochas cristalinas do Escudo Brasileiro Pré-Cambriano, materiais ácidos de origem vulcânica da Formação Iriri, sedimentos Paleozóicos do Urupadi e Tapajós e depósitos aluviais da Era Quaternária da Bacia Sedimentar da Amazônia. Tal diversidade geológica é refletida na geomorfologia, nos solos e, conseqüentemente, na vegetação.

O rio Tapajós, com seus afloramentos rochosos, suas corredeiras, seus bancos de areia, praias e igapós certamente despertará grande interesse para visitação pública.

Os principais tipos de florestas abarcadas pelos seus limites são: a floresta densa de áreas sedimentares, a floresta úmida submontana, a floresta de cipós, a floresta de cocal, a floresta de várzea e a floresta de igapó. Dois rios principais drenam a área: o Tapajós e o Jamanxim, seu afluente, existindo ainda numerosos rios menores e igarapés, que deságuam no Tapajós.

O clima da região é tropical chuvoso, com período seco de dois meses e meio de duração, com temperatura mais fria nunca abaixo de 18ºC. As condições ambientais são próprias de vegetação megatérmica, com clima quente, não apresentando verão ou inverno estacionais. A época de maior concentração de chuvas, “ o inverno”, como é dito na região, corresponde aos meses de fevereiro, março e abril, com média de 242 mm mensais. A estação seca, “o verão”, ocorre de julho a outubro, com precipitação média ao redor ao redor de 50mm mensais. Desaconselha-se a visitação na época das chuvas, quando a umidade relativa do ar, com média de 87% e as altas temperaturas tornam o clima desagradável. A época das secas é mais propícia ao turismo.

Sua vegetação, típica de floresta tropical úmida, megatérmica, apresenta-se muito variada, não só em formas, como no número de espécies, graças ao clima quente e úmido e à boa distribuição pluviométrica, que favorecem a vegetação, apesar da pobreza dos solos. Nas diversas comunidades vegetais há grande variação no porte das árvores, apresentando, entretanto, os fustes bastante retilíneos com as primeiras ramificações e alturas relativamente elevadas. As árvores mais altas atingem 50 metros e há indivíduos da castanheira-do-pará e do agelim-pedra, atingindo até 60 metros. Ducke (1939), observou na região troncos de angelim-pedra com diâmetro superior a 3 metros. A diversidade vegetal é comum ao resto da Amazônia, podendo ser encontradas até 40 espécies arbóreas diferentes por há. Richards (1975) encontrou mais de 100 espécies por há, em algumas áreas. Os ecossistemas do Parque são muito variados, quer seja em suas formas, comunidades ou espécies, apesar da vegetação parecer à principio um todo uniforme e homogêneo. Dentre as árvores mais comuns, destacam-se as leguminosas do gênero Ingá, que ocorrem principalmente nos trechos ripários e nas formações secundárias. Epífitas são também encontradas destacando-se as famílias Orchidaceae e Bromeliaceae. A mata é rica ainda em pteridófitas, cipós, aráceas e outras trepadeiras. A esta comunidade se somam as palmáceas o que lhes confere uma estrutura bastante complexa. Inicia-se para a área a existência de mais de 30 gêneros de fungos. Prance (1977), encontrou variações fitofisionômicas na área, motivadas pelas diferentes condições ecológicas existentes entre o antigo Escudo Brasileiro e os solos formados por aluviões quaternários. Os principais ecossistemas abrangidos são a mata de igapó, de terra firme e as comunidades ripárias. Dentre as espécies vegetais de grande porte destacam-se, dentro da área do Parque, a castanheira-do-pará, as seringueiras, o açacu, o açaí, a acariquata, o açoita-cavalo, a andiroba, o angelim-pedra, o angelim-rajado, o buriti, o cedro, a copaíba, a castanha-de-macaco, a fava-bolota, o freijó, os ingás, os ipês dos gêneros Macrolobium e Tabebuia, a itaúbas, o jacarandá-preto, a maçaranduba, o mogno, o pau-rosa, as sapucaias, as ucuubas do gênero Virola, as sucupiras dos gêneros Bowdichia e Diplotropis, a samaúma e os tachis, também conhecidos por árvores-de-novato, vulgarmente conhecidas por saca-roupa, muito ferozes, as quais, por sua vez, defendem a árvore, quando se deixam cair, às dezenas, sobre os incautos que por ventura toquem no tronco do vegetal e, à força de dolorosas picadas, obrigam-no a se despir e a se afastar do local.

A variedade dos ambientes, caracterizada pela diversidade ecológica, no tocante à geologia, geomorfologia, hidrologia e flora, propicia ao Parque a existência de uma rica fauna onde quase todos os grupos zoológicos estão representados. Entretanto, apesar da fauna ser muito rica quanto ao número de espécies, ela se apresenta pobre quanto ao número de espécies, ela se apresenta pobre quanto ao número de indivíduos, o que é regra geral também para o resto da Amazônia. Esta fauna é composta principalmente por animais pequenos e de hábitos noturnos, com exceção de algumas espécies de aves e primatas, principalmente. Notabilizam-se no Parque, pelo seu porte, a anta, o jaguar ou onça, a suçuarana, a capivara, jacaré-açu e a sucuri.

Entre as principais espécies ocorrentes na área, além das supracitadas, destacam-se as seguintes: mamíferos – cachorro-do-mato-de-orelha-curta, veado-mateiro, caitetu, queixada, bugio, macaco-da-noite, coatá-de-testabranca, macaco-prego, caiarara branco, arabassu, barrigudo, paraguaçu ou parauaçu, cuxiu-de-nariz-branco, mico-de-cheiro, micos, lontra, ariranha, cuíca-d’água, tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, tatu-canastra, etc; aves – araras, ararinhas, maracanãs dos gêneros Ara e Aratinga, pavãozinho-do-pará, jaburu, azulona, inhambu, inhambu-relógio, outros inhambus, mutum-cavalo, jacus e cujubim, jacamim, maquati, biguá, biguatinga, cigana, gaivota, águia-pescadora, etc; répteis – iguana, jacaretinga, tartaruga-verdadeira, tracajá, pitiu, surucucu, jabotis e jibóia; peixes – piraracu, piraíba, tambaqui e tucunarés. É de se notar que esta lista indica apenas as principais espécies, não fazendo referência a um número muito maior de peixes existentes, além de não citar batráquios e invertebrados.

Este Parque possui Plano de Manejo concluído onde é proposta uma alteração de limites para se incluir trechos do rio Tapajós, evitando-se divisão arbitrária de comunidades naturais. Se aprovada a proposta, o Parque passará a contar com 1.258.000ha.

Sua denominação, quando de sua criação, “Parque Nacional da Amazônia”, é inadequada, pois somente um Parque não pode refletir a diversidade da região e o País já possui outros Parques Nacionais na Amazônia. Propõe-se sua denominação para o Parque Nacional do Tapajós, porquanto o rio Tapajós é mundialmente conhecido como um dos maiores rios da América do Sul e representa toda uma distinta região na Amazônia, definindo melhor o Parque Nacional, cujos aspectos característicos são próprios da região do rio Tapajós.

O Parque não possui ainda boa infra-estrutura turística, apesar de possuir fácil acesso, quer seja por terra, por barco ou por via área. Pode-se chegar até Itaituba por linha aérea normal. O Parque Nacional do Tapajós é dotado de excelente campo-de-pouso.

Pretende o Instituto responsável, IBDF, desenvolver para os próximos anos sua infra-estrutura recreativa, bem como implanta-lo definitivamente. A regularização fundiária é o maior problema para se atingir a esse fim, pois cerca de 600.000 ha estão em mãos de particulares.

 

MEIO AMBIENTE – Parque Nacional do Pico da Neblina

 

Parque Nacional do Pico da Neblina

 

É o segundo Parque Nacional, em tamanho, do Brasil, e o terceiro de toda América Latina com seus 2.200.000 há (dois milhões e duzentos mil hectares). Foi criado no dia 5 de junho – Dia Mundial do Meio Ambiente – 1979.

Está situado no Estado do Amazonas nos limites do Brasil com a Venezuela. Formando com o Parque Nacional Serrania la Neblina, com 1.360.000 há, na Venezuela, um dos maiores complexos bióticos protegidos do planeta.

Segundo o documento “Uma Análise de Prioridades em Conservação da Natureza na Amazônia” (Wetterberg et alii, 1976) a área deste Parque Nacional contém prováveis refúgios do pleistoceno identificados por Prance (1973), baseados em evidência botânica, por Brown (1976), baseados em Lepidópteras e por Haffer (1974), baseados em aves. A sobreposição dos vários autores se estende por uma faixa aproximada de 200 km ao longo da fronteira Brasil – Venezuela. O Projeto RADAMBRASIL, propôs também, a criação deste Parque Nacional.

A região é dotada da extraordinária beleza paisagística abrangendo o Pico da Neblina, o mais alto do País, com seus 3.014 m de altitude e o 31 de Março, o segundo em altura,  com 2.992m. Este maciço montanhoso de há muito vem chamando a atenção de cientistas e viajantes, que por lá passaram. Já em 1908 Spruce escreveu: “by far the most object, however, was the mountains at my back and when I stood up and turned to view it, it seemed the finest object for a painter’s pencil I had seen in South America. It is impossible to do justice to the scene in word’s” (“contudo, a mais admirável cena foram as montanhas que estavam atrás de mim, e que quando levantei e virei-me para vê-las, pareceram-me o mais fino tema para o pincel de um pintor que eu já tinha visto na América do Sul. Com palavras é impossível fazer justiça à cena”). Froes, em 1956, disse: “Tive ocasião de observar ao norte, nas manhãs e tardes de céu sem nuvens, um majestoso horizonte sinuoso do qual não pude mais esquecer. O quase fabuloso bloco de rocha divisado no horizonte à distância afigura-se como uma sombra ou elevação de cúmulos. Uma observação melhor indica, no entanto, se compararmos as linhas de sua forma, tratar-se de uma montanha (...) tão portentosa na Amazônia  e que lembra tanto uma paisagem andina. A Serra do Cauaburi é um retalho do sistema Roraima-Duida-Parima, portanto uma relíquia do velho continente guianense que, sem duvida, irá revelar-nos no futuro um mundo de surpresa para a ciência, muito particularmente no campo da Botânica, como uma nova província florística da Amazônia”.

Observou ainda Mc’Guire em 1955: “Even from a cursory study of the specimens collected, it would seen that on the summit of Cerro de la Neblina there is a higher rate of endemism that is now known to exist on any of the other tabular mountains of Guyana. Certainly, more then 50 per cent of the species discovered in the extraordinary beautiful cumbra are new to science”. (“Mesmo num ligeiro estudo dos espécimes coletados já se poderia ver que no cume do Pico da Neblina existe a mais alta taxa de endemismo que se conhece nas montanhas tabulares da Guiana. Certamente mais de 50 por cento das espécies descobertas neste local extraordinariamente belo são novas para a ciência”)

A equipe de vegetação do Projeto RADAMBRASIL escreveu: “A diversificação do relevo em platôs dissecados favoreceu a ocorrência de dois  ecossistemas bem diferentes entre si. O primeiro está situado em terrenos do Planalto Sedimentar Roraima com uma vegetação herbácea constituindo uma flora autóctone (comunidade relíquia). E o segundo, o da Floresta Tropical Densa, com cobertura uniforme, reveste os solos bem desenvolvidos das rochas cristalinas do craton guianês. A sul e a oeste da área, na região cortada pelo rio Cauaburi, ocorrem as áreas de Tensão Ecológica (Contatos). Nesses contatos em forma de encravos foram observados grupos de formações das Florestas Densa e Aberta, interpretando-se com os das Formações Edáficas (Campinarana) variando a predominância”.

A área escolhida é despovoada, existindo ali tão-somente a Missão Salesiana de Maturacá e população indígena.

A região é considerada a área contínua com maior volume de precipitação pluviométrica do Brasil, não existindo estação seca. Os meses de maior precipitação são agosto, setembro, outubro e novembro. A precipitação média anual em São Gabriel da Cachoeira é de 2.882,0mm. A temperatura média é de  25,2ºC, com pequenas oscilações negativas de junho a agosto e positiva nos demais meses. A nebulosidade é acentuada durante todo o ano, sendo mais intensa em abril e maio.

A flora do Parque Nacional do Pico da Neblina é de grande interesse ecológico por se situar em área ecótone entre a campinarana ou caatinga do alto Rio Negro, que é uma formação clímax edáfica e a floresta tropical densa e/ou aberta, além daquela localizada nos refúgios ecológicos nas partes mais elevadas dos Picos da Neblina e 31 de Março. Podemos encontrar na sua área um flora rica e variada onde as espécies mais interessantes são: tamaquaré, gombeira-amarela, clúsia, buriti, umiri-de-cheiro, mangabarana, cariperana, abiorana-amarela, mandioqueira-lisa, mumbaca, embaúba, açaí, buritirana, mandioqueira-azul, pitaíca, ipês, cabari-miúdo, quaruba-cedro, itaúba, tucumã, bacabinha-quina, tento-amarelo, fava-pombo, além de muitas outras.

A fauna, característica da região amazônica, é representada principalmente pelos seguintes animais: uacari-preto, macaco-zog-zog, cachorro-do-mato-vinagre, onça-pintada, gato-maracajá, capivara, queixada e caitetu, quatipuru e cotia, dentre os mamíferos. As aves são representadas principalmente pela harpia, gavião-pega-macaco, gavião-de-penacho, galo-de-serra, além do inhambu-assú, do jacu, mutum-do-norte, jacamim-de-costas-cinzas, andorinha, morena, citados por Jorge Pádua e Coimbra Filho (1979) como de possível ocorrência na região.

O Parque terá fácil acesso no futuro, pois próximo a ele passarão duas importantes rodovias: a Perimetral Norte (BR – 210) e a que ligará São Gabriel da Cachoeira a Cucui (BR – 307).

O morro dos Seis Lagos, um “inselberg”, está dentro dos limites do Parque Nacional e foi proposto por diversas vezes como um Monumento Natural, graças à sua beleza.

O IBDF iniciou em 1982 a demarcação da área e construção de uma pequena base para a fiscalização. Sendo toda sua área terra devoluta da União, será um Parque que exigirá menor esforço para efetiva implantação.

MEIO AMBIENTE – Parques Nacionais

 

Parques Nacionais

 

Parque Nacional da Amazônia

Superfície: 1.000.000 ha.

Decreto Federal nº 73.683 de 19-02-74

Localização: Estado do Pará e Amazonas.

Longitude oeste: 56º00’ / 57º21’

Latitude sul: 3º41’ / 5º00’

Características Gerais: Engloba trecho do majestoso rio Tapajós, floresta tropical amazônica, com luxuriante mata e espécies da fauna ameaçadas de extinção.

 

Parque Nacional do Pico da Neblina

Superfície: 2.200.000 ha.

Decreto Federal nº 83.550 de 05-06-78

Localização: Estado do Amazonas

Longitude oeste: 65º00’ / 67º00’

Latitude 1º10 norte / 0º20’ sul

Características Gerais: Está entre os Parques Nacionais de maior área do mundo. Foi criado em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Flora e Fauna típicas da Amazônia, inclusive com espécies próprias de atitudes pois, nele está incluído o Pico da Neblina, o mais alto do Brasil.

 

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Literaturas

 

Terra Brasil    Autor: Araquém Alcântara

Editora: Melhoramentos

(Sobre 36 Parques brasileiros)