Aquecimento Global – Links Importantes:

PACIFIC DECADAL OSCILLATION (PDO)

http://topex-www.jpl.nasa.gov/discover/PDO.html

 

Latest El Niño/La Niña Movie

http://topex-www.jpl.nasa.gov/elnino_mov/index.html

 

Overview, News & Image Gallery

http://topex-www.jpl.nasa.gov/discover/discover.html

 

Museum Exhibit of El Niño and Ocean Altimetery

http://topex-www.jpl.nasa.gov/discover/exhibit.html

 

Science, Data and Applications

http://topex-www.jpl.nasa.gov/science/science.html

 

The 1997-98 El Niño/Southern Oscillation (ENSO 97-98)

http://darwin.bio.uci.edu/~sustain/ENSO.html

 

El Niño Watch from Space

http://airsea-www.jpl.nasa.gov/ENSO/welcome.html

 

Environmental News Network-ENN

http://www.enn.com/specialreports/elnino/

 

El Niño Poster

http://topex-www.jpl.nasa.gov/education/el-nino-poster.html

 

El Niño/La Niña 1997 - 2000

http://topex-www.jpl.nasa.gov/enso97/el_nino_1997.html

 

TOPEX/POSEIDON

http://topex-www.jpl.nasa.gov/

 

El Niño  Theme Page

http://www.pmel.noaa.gov/toga-tao/el-nino/nino-home-low.html

 

EL NIÑO 1997-98

http://podaac.jpl.nasa.gov/el_nino/

 

Center for Ocean-Atmospheric Prediction Studies- COAPS

http://www.coaps.fsu.edu/lib/elninolinks/

 

NOAA El Niño Page

http://www.elnino.noaa.gov/

 

ENSO Primer- 1

http://nsipp.gsfc.nasa.gov/primer/englishprimer1.html

 

Institute for Computational Earth System Science- ICESS

http://www.crseo.ucsb.edu/

 

Climate Prediction Center- NOAA

http://www.cpc.ncep.noaa.gov/

 

The Weather Channel Brasil

http://www.weather.com/custom/elnino/#brasil

 

RELATIONSHIP BETWEEN EL NIÑO AND CALIFORNIA RAINFALL, 1949-1996

http://nws.mbay.net/cal_enso.html

 

KFWB Webservice

http://www.kfwb.com/elnino2.html

 

TOPEX/POSEIDON Sea Level Anomalies in Equatorial Pacific (1992-Present)

http://www.csr.utexas.edu/eqpac/

 

The Space Place

http://spaceplace.jpl.nasa.gov/topex_make1.htm

 

El Niño / La Niña Watch

http://www.jpl.nasa.gov/elnino/

 

National Geographic  Magazine

http://www.nationalgeographic.com/elnino/

 

1997-99 El Nino/La Nina from Topex

http://ibis.grdl.noaa.gov/SAT/near_rt/enso/topex_97.html

 

Eye on the Ocean

http://earthobservatory.nasa.gov/Study/EyeOcean/

 

Monitoring El Niño With Satelite Altimetry

http://www.tsgc.utexas.edu/topex/activities/elnino/sld001.html

 

National Environmental Satellite, Data, and Information Service-NOAA

http://ibis.grdl.noaa.gov/SAT/SAT.html

 

AVISO/Altimetrie

http://sirius-ci.cst.cnes.fr:8090/

 

Ocean Science Research Element

http://oceans-www.jpl.nasa.gov/

 

An Animation of the El Niño and la Niña  (97-october 00)

http://nng.esoc.esa.de/ers/sea/anim.gif

 

MEIO AMBIENTE – EL Niño e La Niña

 

Embrapa (click aqui)

 

Pacific Marine Environmental Laboratory (click aqui)

MEIO AMBIENTE - EL Niño e La Niña

 

A fúria imprevisível do El Niño

 

O Protocolo de Kyoto deverá ser regulamentado me novembro/2000, na Holanda, durante a 6ª Convenção Mundial das Nações Unidas que tratará sobre o Efeito Estufa. Deverão participar representantes de 180 países.

O El Niño. O menino. Ele é imprevisível. Imprevisível em suas aparições. Imprevisível em sua fúria. Volta e meia ele dá as caras e coloca o planeta de cabeça para baixo. Enchentes, secas, queimadas e tormentas. À reboque, conseqüências trágicas: fome, desabrigo, morte, epidemias. A que impressiona, além do furor com que revolta oceano e atmosfera, é a extensão de seus braços, que vasculham com violência vilarejos como Yuma, no deserto de Arizona, Estados Unidos, e regiões inteiras da América do Sul, como Nordeste e o Sul do Brasil.

As pessoas sabem quando chega, como uma visita indesejável. E se os ventos famosos, como o Minuano, do Rio Grande do Sul, ou o Mistral, da França meridional, podem mudar o comportamento dos indivíduos, El Niño é capaz de muito mais. Ela mata, destrói, e influencia o destino.

Mas os homens comuns só se dão conta de sua presença quando ele se vale da fúria para despertar catástrofes mundo afora. Nas ocasiões que ele se mostra com mansidão, só os cientistas se atentam ao fenômeno, buscando entender seu comportamento. Mesmo assim, a ciência só começou a abrir os olhos para ele em meados do século. E hoje, assustada, sem saber exatamente como ele é, arregala os olhos para o estranho ser.

Nem sempre foi assim. Quer dizer, nem sempre o El Niño expôs claramente seu temperamento e nem sempre a ciência esteve equipada para saber quais fatores eram responsáveis ou estavam atrelados às anomalias climáticas que ocorriam de tempos em tempos, ora com um intervalo de dois anos, ora de cinco. Com ferocidade, os intervalos se mostravam mais longos.

Os primeiros a se manifestarem sobre o fenômeno foram os índios peruanos. Como ele surgia quase sempre em dezembro, próximo ao Natal - alterando a temperatura e prejudicando a pesca -, eles o batizaram de El Niño, uma referência ao menino Jesus.

Contrariando os conceitos do Cristianismo, porém, aquele era um menino cruel. A sua última aparição, tida como a mais violenta do século, em 82 e 83, causou imensos estragos no mundo. Imensos mas calculáveis. Só no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o saldo foi de 170 mortes, 600 mil desabrigados e US$ 3 bilhões de prejuízos.

Ciência

Com o mega-El Niño de 82/83, como diz Carlos Nobre, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a comunidade científica internacional acordou de vez. “Hoje o fenômeno geofísico mais estudado do planeta é o El Niño”, alerta o engenheiro, com doutorado em Meteorologia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA).                

O El Niño é o aquecimento das águas superficiais de extensa área do oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental, um processo que cresce em progressão geométrica, com efeitos no clima de todo o globo. A região, que vai da costa da América do Sul até as proximidades do litoral da Austrália, está 5,5 graus Celsius acima da temperatura média normal, parâmetro, entre outros, que aponta para um fenômeno ainda mais intenso do que o ocorrido há 14 anos e que vem sendo entendido por especialistas da ONU como “o evento climático do século”.

No Brasil, o El Niño - que deixou suas marcas por aqui dezenas de vezes neste século, com ênfase em 1900, 40/41 e 82/83 - concentra suas forças na região Nordeste e Sul, provocando na maioria das vezes secas na primeira e enchentes na segunda, com extrema gravidade nessas ocasiões.

Para enfrentar o El Niño de 97/98, de intensidade excepcional, de acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEEC), do INPE, a comunidade internacional está capacitada par monitorar e prever com meses de antecedência a evolução do fenômeno e seus impactos em várias partes do globo.

Esta ação preventiva, fruto de três décadas de pesquisa sobre o que precede o aparecimento do El Niño e suas conseqüências, é um estudo científico. Agora, sobre o que ele é e o que faz com que se manifeste, só há hipóteses. Neste sentido, ainda não avançamos além do ponto atingido pelos índios peruanos que, sob aqueles verões que pareciam intermináveis, se viram privados da pescaria. Poderia ser o deus-serpente Coatchclal, das civilizações andinas. Não era. A fornalha era alimentada por um menino cruel.     

 

Causa do fenômeno desafia comunidade científica

 

Por mais que apareçam, em toda parte, teorias sobre as possíveis causas do El Niño, entender o fenômeno ainda é um desafio para a comunidade científica. Por alguma razão, o movimento das marés - que deveria trazer a água resfriada do Sul para a região do Equador - perde a intensidade antes de chegar à costa do Peru. Conseqüentemente, as águas superficiais do Oceano Pacífico apresentam periodicamente um aquecimento anormal.

As conseqüências do fenômeno são nítidas: cresce a evaporação das águas das marés, há uma formação mais intensa de nuvens na região do Equador e todo o sistema de circulação de ar do planeta é afetado. Assim, passa a chover demais em algumas áreas, enquanto ocorrem secas prolongadas em outras.

Mas, afinal de contas, como o cidadão comum é afetado pelo fenômeno? O pesquisador Evaristo de Miranda, coordenador de pesquisas do Núcleo de Monitoramento Ambiental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (NMA-Embrapa), é taxativo: a agricultura sofre influência direta do El Niño. Em alguns casos ela é benéfica. Noutros, maléfica. Mas para tirar proveito do fenômeno ou evitar ao máximo os prejuízos, diz, é preciso que o agricultor saiba ordenar o cronograma de plantio e colheita.

Os pesquisadores da instituição já constataram cientificamente, por exemplo, uma redução considerável dos pontos de queimada no Sul do Brasil (onde o El Niño provoca mais chuvas). Em agosto de 1997, o Monitoramento Orbital de Queimadas - gráficos elaborados com ajuda de imagens captadas por satélites - registrou 90 focos no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em agosto de 1996, sem a interferência do fenômeno, ocorreram 135 queimadas.

No Nordeste, região seca nos períodos em que o El Niño apresenta atividade intensa, as queimadas cresceram de 484 focos (agosto de 96) para 800 (agosto de 97). O Estado de São Paulo - localizado numa zona intermediária entre as duas regiões - o número de queimadas quase não mudou de um ano para o outro; foram 530 registros em agosto do ano passado e 473 em agosto deste ano.

Sul e Sudeste

Para o pesquisador Evaristo de Miranda, o Brasil teria ganhos consideráveis se todos os lavradores soubessem como orientar a produtividade agrícola a partir da influência do El Niño. As chuvas abundantes no Sul e no Sudeste, por exemplo, beneficiam o milho, a soja e o trigo, culturas que rejeitam a seca.

A produção de carne e leite também é beneficiada pelo El Niño. “Como a estação das chuvas começou mais cedo, não aconteceu a entressafra na produção de carne e do leite: os pastos se mantiveram verdes e a produção não caiu”, fala. A produção de café e laranja deve superar todas as expectativas: o inverno ameno, sem geadas, associou-se à maior precipitação pluviométrica e favoreceu a floração.

Mas as chuvas prejudicam algumas culturas. A cebola, por exemplo, corre o risco de apodrecer antes mesmo de chegar ao mercado varejista. O feijão sofre efeitos semelhantes: a semente germina na vagem antes mesmo da colheita. Por isso, a oferta dos dois produtos no mercado deve cair nos próximos meses e os preços, inevitavelmente, vão subir.

A safra do algodão é quase totalmente comprometida quando há chuva em excesso no período da colheita. “Uma das alternativas para salvar a safra é adiar para novembro o cultivo do algodão. Assim, já não haverá chuva na época de colher”, aconselha.

Nordeste

O Nordeste do Brasil é uma das regiões do planeta que mais sofrem efeitos nefastos do El Niño. Sobre a área, atua uma massa de ar quente quase intransponível, que tem o seu “epicentro” nas imediações de Fortaleza (CE). Densa, ela impede, por exemplo, que a região receba as nuvens que o vento traz do Oceano Atlântico.

Por isso, alerta o pesquisador, é importante que os agricultores estejam preparados para aproveitar ao máximo os períodos de chuva que, neste ano, serão raros. A construção de açudes e cisternas e a adoção de técnicas especiais de preparo da terra podem amenizar os efeitos negativos de uma seca prolongada.

 

Pesquisador se nega a entender fenômeno como vilão do clima

 

Culpar o El Niño como o grande vilão das mudanças climáticas e por catástrofes naturais, como chuvas torrenciais, enchentes e secas intensas é no mínimo não conhecer as características deste fenômeno climático provocado pelo aquecimento das águas do Pacífico. Essa é a opinião do diretor do centro de Estudos e Pesquisas em Agricultura (Cepagri) da Unicamp, Hilton Silveira Pinto, que considera o atual estado de alerta, principalmente no Brasil, uma “visão terrorista”.         

Polêmico, ele garante ainda que, no Brasil, o El Niño não será pivô de grandes estragos na agricultura, como foi previsto por outros pesquisadores. Ao contrário, indica pontos benéficos para a safra 97/98. A colheita de grãos no estado, por exemplo, deve superar 6 ou 7% a última safra, chegando a 80 milhões de toneladas.

A repercussão do fenômeno é visto como “exagerado”, principalmente para os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás e Brasília que, segundo ele, situam-se numa faixa segura, distante das ameaças do El Niño. Ocorrências dispersas podem ocorrer no Rio Grande do Sul, com a intensificação das chuvas e no oeste do Nordeste, com aumento da seca.

Em São Paulo, acredita que a inversão climática vai beneficiar a agricultura com a antecipação do plantio. Há uma previsão de um aumento de chuvas em até 40% o que, segundo ele, é extremamente benéfico para as culturas. O único cuidado para o produtor é evitar que a chuva “lave” os defensivos. “É só estar atento e fazer as aplicações em dias que não haja previsão de chuvas”, explica.

É natural também que o El Niño antecipe, em até trinta dias, a entrada do veranico (estiagem no verão) nos meses de janeiro e fevereiro. “O que é benéfico, pois além da antecipação, a colheita é feita sem chuvas”.

Para os próximos meses de abril e maio, historicamente mais secos, está previsto um aumento de chuvas, o que favorece principalmente o milho-farinha - safra de milho fora de época, e por isso considerada de alto risco para o produtor.

Por enquanto, tudo que está acontecendo com o clima está dentro da normalidade. “Nada foi constatado de grave que possa estar comprovadamente ligado ao El Niño”, garante o pesquisador, que comprova seus depoimentos com gráficos do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

Neste mês de setembro, que é o pico do pior El Niño do século, choveu menos do que no ano passado. Para uma média histórica de 65 mm de chuva para o mês, foi registrado neste ano um índice pluviométrico de 89 mm contra os 157 mm de 96, quando o El Niño não agiu.

Uma análise sobre a produção agrícola dos anos 58 a 88 também confirma que as perdas na produção foram sensivelmente menores em períodos influenciados pelo El Niño. Nesses mesmos anos, o período de estiagem foi menor, interferindo menos na agricultura. “As pessoas parecem que se esquecem, mas sempre tivemos chuvas e clima seco nessa época. Porque tudo o que acontece é culpa do El Niño”, questiona.

Especulação

Para o deputado Paulo Delgado (PT-MG) a forma espetacular como vem sendo tratado o fenômeno El Niño não passa de especulações econômicas e políticas, que colocam em risco o futuro da agricultura no país.

O objetivo desses grupos, segundo ele, é favorecer um aumento nos preços dos produtos agrícolas, em especial dos grãos. “É nítido o interesse das Bolsas de Cereais de Chicago, de Londres e de Rotterdam”, aponta.

Outro interesse apontado é desestimular o plantio, visto que muitos produtores estão se desfazendo de fazendas e plantações com medo dos possíveis estragos. “Assim haverá a possibilidade de negociação mais vantajosa para outros países agrícolas”, acredita.

Para ele, mais escandaloso do que o El Niño é a dificuldade que o produtor tem para acessar o crédito e os juros bancários, que prejudicam mais que o fenômeno climático.

 

Cronologia do evento desde o último século

No final do século passado, o Brasil sofreu com os graves efeitos do El Niño, principalmente com as secas no Nordeste. O mais forte foi o de 1876/1878; outro não tão forte, em 1887/1889, mas que causou grande seca no Nordeste e que ficou famoso pela frase de D. Pedro, que afirmou que não permitiria mais a fome no Nordeste, mesmo que tivesse que vender a última jóia da coroa, e o de 1899/1900. Neste século, além do que transitou entre o final do século passado e este, tivemos, entre os mais fortes, o de 40/41, 82/83 e este de 97/98. Com intervalos irregulares, o El Niño, forte ou fraco, sempre deixou suas marcas.

 

Planeta se arma para enfrentar o perigo

 

O Centro de Previsão e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), localizado no quilômetro 40 da Rodovia Presidente Dutra, na região Nordeste do Estado de São Paulo, é o principal centro de pesquisas em meteorologia da América Latina.

Inaugurado em 96 - após os transtornos climáticos de 82/83 e com o objetivo de aprimorar a previsão científica do tempo no país -, o CPTEC tem sido fundamental na pesquisa do El Niño, além do intenso trabalho dedicado à previsão do tempo, o que faz com que o supercomputador do Centro trabalhe sete dias por semana.

Carlos Nobre, doutor em meteorologia pelo Instituto de tecnologia de Massachussetts (EUA) e chefe do CPTEC, prevê evolução ainda maior do Centro com a aquisição de novo supercomputador, cinco vezes mais potente do que o existente e avaliado em US$ 40 milhões. O supercomputador tem chegada prevista para fevereiro.

Para Carlos Nobre, o mega El Niño de 82/83 - que causou secas sem precedentes no Nordeste brasileiro e graves dilúvios em Santa Catarina e Paraná - fez com que a comunidade científica acordasse de vez para o fenômeno, fazendo com que ele se transformasse no evento geofísico mais estudado do planeta.

O pesquisador não tem dúvidas, assim como os principais núcleos de estudos meteorológicos do mundo, de que o El Niño de 96/97 será ainda mais intenso do que aquele do início da década de 80 e que os efeitos ainda não totalmente previstos, como a anunciada seca nordestina que depende de fatores combinados no oceano Atlântico - exigem eficaz ação preventiva dos governos.

 

 

- Foi o CPTEC o primeiro Centro a detectar a grandiosidade do El Niño em 1997:

No começo do ano, houve um debate sobre o fenômeno e já dava para ver, desde fevereiro, alguma tendência para o El Niño forte. Na época, a comunidade científica estava muito dividida. Alguns centros de estudos previam um El Niño fraco, outros um El Niño forte. Nós nos alinhamos a outros centros que já tinham essa previsão. Não fomos nós que descobrimos como foi noticiado. Foi apenas uma definição dentro da comunidade científica.

 

- Como o fenômeno vem sendo estudado no mundo:

As constatações da CPTEC não foram isoladas, até porque o El Niño é hoje tão estudado, tão pesquisado, tão monitorado... Existe uma rede fantástica de observação em todo o Pacífico, como monitoramento das condições da superfície e até dentro do oceano, até 500 metros de profundidade. Então, não temos essa pretensão de ter a primazia da descoberta. Em junho e julho, ficou patente que teríamos um El Niño muito forte. Outros centros também constataram isso.

 

 

- E como a sociedade deve precaver:

Lógico que a Defesa Civil dos Estados do Sul tem que ficar muito atenta, porque a possibilidade de ter chuva acima da média é muito grande. Por tanto, se chover demais pode ter enchente. Mas longe de dizer que será o mesmo que ocorreu em 82/83. Acho que é impossível dizer isso. Prever enchentes é a coisa mais difícil do mundo, em qualquer período do ano, com o El Niño ou sem El Niño. Enchente só em um prazo mais curto. Pode ser que você esteja em um período até seco e ocorra uma chuva concentrada, um dia inteiro sem parar, e ocorra uma inundação.

 

- Qual será a atuação dos pesquisadores:

Estão monitorando detalhadamente, cuidadosamente, o que está acontecendo . Se houver alguma possibilidade maior de enchentes, anunciam. . Estudo do professor Moacir Berlato, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mostra que a produção de grãos no Sul cresce em anos de El Niño, devido ao aumento de chuvas. Para a agricultura do Rio Grande do Sul, o que não é bom é o El Niña - fenômeno oposto ao El Niño. É preciso evitar notícias alarmantes. Já que elas podem levar os agricultores a não plantar.

 

- O CPTEC estará se equipando ainda mais para aperfeiçoar a pesquisa e prestação de serviços:

Com um novo computador, do custo de US$ 4 milhões, que é cinco vezes mais potente que o atual. Com este novo, vamos melhorar bastante a previsão de tempo e poderemos fazer previsões de clima mais confiáveis para a América do Sul. Poderemos simular o comportamento dos oceanos e da atmosfera em um número muito maior de vezes. Hoje somos limitados. Com o novo computador, além de aumentarmos o número de simulações para a previsão de clima, teremos muito maior confiabilidade nessas previsões.

 

 

 

- Como o El Niño se comportou neste século:

No final do século passado, tivemos um muito forte, em 1876/1878; outro não tão forte, em 1887/1889, mas que causou grande seca no Nordeste e que ficou famoso pela frase de D. Pedro, que afirmou que não permitiria mais a fome no Nordeste, mesmo que tivesse que vender até a última jóia da coroa, e o de 1899/1900. Neste século, além do que transitou entre o final do século passado e este, tivemos o de 40/41, 82/83 e este de 97/98.

 

- Como a comunidade científica foi se envolvendo com o fenômeno:

Nos anos 20, um inglês que trabalhava na Índia, Gilbert Walker, chefe do Serviço de Meteorologia da Índia, verificou a oscilação de pressão entre Ásia e Austrália, o que ele chamou de gangorra barométrica ou oscilação do Sul. Mas ele não a associou ao El Niño. Mais tarde, nos anos 60, o norueguês Jacob Bjerkves associou pela primeira vez, com o mesmo teor do estudo do pesquisador inglês, a oscilação da Austrália e Costa Ocidental da América, a interação do oceano com a atmosfera. Foi quando o fenômeno passa a ser estudado para valer.

 

 

Desde que se entendeu este fenômeno, nos últimos 30 anos, a preocupação só vem crescendo. Com o mega-El Niño de 82/83, aí a comunidade científica acordou de vez. Hoje, o fenômeno geofísico mais estudado do planeta é o El Niño.

 

Hoje se sabe os sinais naturais que anunciam o fenômeno e seus efeitos. Mas o que é afinal o El Niño?

Para isto, há várias hipóteses. Mas ele ainda não é entendido em detalhes.  

 

MEIO AMBIENTE - La Niña

 

Fenômeno La Niña deve terminar em maio

 

Conclusão é dos principais institutos climáticos do mundo

 

São José dos Campos - A anomalia climática La Niña está apresentando uma de suas manifestações mais longas nos últimos 50 anos, mas sua atividade deverá se encerrar a partir de maio de 2000. Essa é a conclusão dos principais institutos climáticos do mundo e do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O fenômeno, que resfria as águas do Oceano Pacífico, está em atividade há dois anos, mas foi considerado de magnitude média. "La Niña está em declínio desde fevereiro de 2000", comentou o chefe do CPTEC, Carlos Nobre.

Na última metade do século ocorreram oito eventos La Niña, e apenas três deles duraram cerca de dois anos. Os restantes seguiram a tendência e mantiveram-se em atividade por um ano. Esse fenômeno provoca seca no sul do país e estimula maior índice pluviométrico no Nordeste e na Amazônia no período das chuvas.

Por trazer efeitos totalmente opostos a El Niño, esse processo de resfriamento das águas do pacífico recebeu a denominação feminina. A temperatura da superfície do mar no último mês ficou na área do Pacífico Equatorial Central entre 22 e 24 graus centígrados, cerca de dois pontos abaixo das marcas normais. A média na área para esse período do ano está entre 24 e 26 graus. Já no leste do oceano, na região que banha a América do Sul, a variação térmica foi de -0, 5 graus. Os modelos matemáticos dos Institutos Meteorologia mostravam que La Niña, que começou em maio de 98, acabariam em meados do ano seguinte.

Sobrevida - Segundo Nobre, entre abril e junho de 1999 houve um processo de intensificação das baixas temperaturas no oceano, conhecido como "repique do La Niña". Isso trouxe uma diminuição de um grau nas médias térmicas e deu maior sobrevida ao fenômeno. O ápice foi em janeiro, quando as águas do Pacífico ficaram meio grau abaixo da marca registrada no mesmo período do ano anterior.

O que causou surpresa na comunidade científica foi a rápida transição da última edição de El Niño para este La Niña. O intervalo entre os dois fenômenos foi de apenas dois meses. Nobre lembra que uma onda atmosférica conhecida como Madden-Julian passou sobre o oceano trazendo muita chuva e provocou uma antecipação no resfriamento das águas na porção leste equatorial. "Até o momento não temos nenhum indicativo de que haverá outro El Niño", disse o cientista do Inpe.    

 

MEIO AMBIENTE - El niño  e   La niña

 

El Niño • Entre os fenômenos naturais que alteram o clima, um dos que mais afetam a América do Sul é o El Niño. Ao promover o aquecimento anormal das águas equatoriais do oceano Pacífico, a cada três ou cinco anos, ele prolonga a estiagem na região . A seca rigorosa que atinge o Norte e Nordeste do Brasil no inverno de 1997 e torna o frio ameno no Sudeste e excessivamente chuvoso no Sul, causando grandes enchentes, é resultado de alterações climáticas provocadas pelo fenômeno, que, nesse ano, se manifesta com a maior intensidade dos últimos 150 anos.

 

La Niña •  Em 1999 é a vez de o La Niña, fenômeno de resfriamento das águas do Pacífico, provocar alterações no clima brasileiro. A estiagem afeta seriamente as regiões Centro-Oeste e Sudeste, além do norte do Paraná, durante o mês de agosto. Em Minas Gerais, quase 400 rios secam e 182 municípios são obrigados a decretar estado de calamidade pública. A ocorrência de ambos os fenômenos nos últimos anos também interfere no calendário agrícola. Em outubro e novembro de 1997, ao elevar a temperatura da Região Sudeste em 2 graus celsius, o El Niño antecipou a colheita das plantas em cerca de 20 dias. Em 1999, ela é  estendida pelas precipitações, que começaram mais cedo - em setembro, em vez de outubro. A alternância faz parte de um ciclo periódico natural, de acordo com os meteorologistas, e não tem nada a ver com o efeito estufa.

 

MEIO AMBIENTE - El Niño e La Niña                

 

Alterações Climáticas                  

 

Os estudos mais importantes sobre o clima hoje envolvem a questão do aquecimento da Terra. O desmatamento e a emissão de gases têm provocado alterações no clima mundial, e é possível que a temperatura do planeta aumente 2,5 graus Celsius no século XXI. O aquecimento deve causar mudanças no regime normal de seca e chuva em algumas regiões e afetar sobretudo as áreas dos pólos. Na Antártica, maior reservatório de água doce da Terra, já se observam indício de crescimento do degelo. O derretimento das geleiras poderá acarretar a elevação do nível dos oceanos e a inundação parcial de cidades costeiras como o Rio de Janeiro ou Hong Kong. Outras mudanças climáticas podem dar-se sob a forma de chuvas pesadas, com índices pluvio-métricos anuais em torno de 2,2 mil milímetros, 10% acima dos níveis atuais.

 

El Niño e La Niña    A temperatura da águas do pacífico também atrai a atenção dos estudiosos do clima na medida em que indica mudança da pressão atmosférica em escala mundial. Os fenômenos naturais El Niño e La Niña, que se manifestam alternadamente na região, causam mudanças profundas no clima da Terra, ao interferir no ritmo das chuvas e das temperaturas do planeta. Num ano em que o El Niño não se manifesta, os ventos alísios arrastam as águas quentes superficiais da costa da América do Sul em direção à Indonésia, provocando chuva. Com isso, na costa sul-americana ocorre o fenômeno da ressurgência: as águas mais profundas - frias e ricas em nutrientes - migram para a superfície, atraindo grande quantidade de peixes. Com El Niño, os ventos alísios enfraquecem e as águas quentes permanecem próximos da América do Sul, impedindo  a ressurgência. O número de peixes diminui e as chuvas caem no meio do Pacífico, não chegando à Indonésia. Desde o começo do século, quando começa a ser estudado, o El Niño tem se manifestado a cada dois ou sete anos. O de 1982 a 1983, considerado o pior até 1997, causou inundações, secas e prejuízos de 13 bilhões de dólares no mundo todo. Nos anos 90 registra-se um El Niño prolongado de 1991 a 1995 e outro de grande intensidade em 1997, o maior do século XX. Imagens de satélite revelaram que no início de 1997 a massa de água quente no oceano Pacífico equatorial quase triplicou de tamanho, ocupando cerca de 14 milhões de quilômetros quadrados. A temperatura das águas chegou a estar cerca de 5,5 graus Celsius acima da média normal (24 graus Celsius). No Brasil, em geral, o fenômeno provoca um inverno , mais ameno nas regiões Nordeste, centro-oeste, Sul e Sudeste. No verão há fortes secas no Nordeste e enchentes no Sul e Sudeste. O fenômeno La Niña ocorre após o El Niño, com efeitos opostos. Os ventos alísios aumentam e levam as águas quentes superficiais para Ásia, onde provocam fortes chuvas. As águas frias fazem o caminho contrário e atingem a superfície nas proximidades do litoral do Peru, tornando maior o número de peixes na região. No Brasil, o La Niña causa fortes chuvas nas regiões Norte e Nordeste e estiagem no Sul.

 

MEIO AMBIENTE – El Niño

 

El Niño e incêndios florestais

 

Pesquisas revelam que o fenômeno El Niño que o fenômeno El Niño existe decorrente da emissão de gases que provocam o efeito estufa. Grande parte desses gases são liberados pelos incêndios florestais aumentando assim o efeito estufa que por sua vez ajuda novos incêndios, formando assim um ciclo  devastador.