MEIO AMBIENTE - Ecossistemas

 

Os Sinais do Declínio

 

MEIO AMBIENTE - Ecossistemas

 

A diversidade de ecossistemas da Amazônia

 

A Amazônia compartilha com o resto dos trópicos úmidos uma alta radiação solar, temperaturas relativamente uniformes,  alta pluviosidade e umidade. Dois tipos principais de ecossistemas têm dominado as discussões na literatura: A terra firme e a várzea (Meggers 1977; Stemberg 1975). As várzeas constituem somente 2% da Bacia Amazônica, num total de 64.400km2, mas têm uma importância desproporcional em relação à sua extensão (Stemberg 1975:17l. Nas várzeas, novos nichos, tais como restingas, lagos de várzea, igapós, estão sempre sendo criados pela dinâmica dos rios. A tema firme constitui 98°16 da Bacia e também inclui uma grande variedade de habitats ou ecossistemas (cf. Alho 1988:43), entre os quais se destacam florestas pluviais, florestas decíduas, savanas bem drenadas, savanas mal drenadas, florestas antropogênicas e florestas montanhosas. Algumas dessas serão consideradas em capítulos subseqüentes.

A separação entre tema firme e várzea tem um grande valor na distinção entre áreas enriquecidas pelo aluvião andino e possuidoras de alta riqueza de peixes, capazes de sustentar populações numerosas (Lathrap 1970; Meggers 1977l, e áreas menos vantajosas. Mas a distinção, excessivamente genérica, entre terra firme e várzea não permite o reconhecimento dentro da terra firme de áreas frágeis e áreas com maior capacidade de reconstituição (Carneiro 1957 contra Meggers 1954), de áreas com maior produtividade de biomassa animal e áreas com menor produtividade (Gross 1975; Beckerman 1979; Ross 1978; Hames e Vickers 1983). Tampouco permite distinguir diferenças em fertilidade nas várzeas da Amazônia, algumas das quais são ácidas e menos férteis que áreas de terra firme (Furley 1979). A maioria dos ecólogos e antropólogos continuam a depender da distinção tema firme/várzea, mesmo reconhecendo as profundas diferenças entre os habitats de terra firme da bacia do rio Negro, da bacia do rio Xingu, e das savanas do Planalto Central.

Na tentativa de explicar os processos de adaptação na Amazônia, as profundas diferenças em termos de solos, biomassa, regimes pluviais e características dos recursos hidrográficos locais foram esquecidas. Muitas das diferenças interpretativas poderiam ser resolvidas, se os pesquisadores dedicassem maior atenção às diferenças entre ecossistemas. Um recente artigo referente ao debate sobre a disponibilidade de  proteína animal na Amazônia (Vickers 1984) mostrou a importância de prestar atenção à variabilidade entre ecossistemas. O autor mostra que as teorias que sugerem uma escassez de proteína animal na Amazônia baseiam-se em pesquisas realizadas acima de 600m de altitude, enquanto que as que apontam para uma abundância são baseadas em pesquisas realizadas em terras baixas.

Um dos fatores fundamentais para a compreensão de qualquer ecossistema é a caracterização do clima. Na Amazônia o clima toma-se um fator dominante pela importância e magnitude do ciclo hidrológico. A Amazônia é a maior área de floresta tropical úmida no mundo e responsável pela maior reciclagem de umidade na biosfera. Atividades que interferem nesse processo têm conseqüências sérias, não só para a Amazônia como também para outras regiões do planeta. As condições hidrológicas da Amazônia estão estreitamente relacionadas à sua posição geográfica (entre latitudes 5 graus Norte e l0 graus Sul), onde a duração dos dias varia pouco de estação para estação. A maior causa de variabilidade em insolação provém da cobertura de nuvens. A média de incidência solar na região é de 400 calorias por centímetro quadrado por dia (Salati 1985:21). As médias mensais de temperatura variam menos de três graus centígrados, mas as variações diárias podem alcançar até 15 graus centígrados em função a cobertura de nuvens, que varia a cada momento e que em média reduz em até 50% a insolação regional.

Um dos resultados importantes das pesquisas realizadas nas últimas duas décadas foi demonstrar que metade da chuva na região provém do vapor resultante da transpiração da própria floresta (vejam figura 5,5 ilustrando o balanço hidrológico na bacia Amazônica). Portanto, a umidade proveniente da região contribui de maneira igual à evaporação oceânica, antes considerada como o fator dominante no ciclo hidrológico regional (Salati 1985:31). O papel da vegetação nesse processo é fundamental, já que 75% da precipitação voltam à atmosfera pela evaporação  e transpiração das plantas (25°16 pela captação direta e conseqüente evaporação e 50% pela transpiração da floresta) (Salati 1985:35). Veja figura 5,6 para uma ilustração do ciclo hidrológico em uma área estudada perto de Manaus.

A precipitação regional média varia entre 1.500 e 3.250mm ao ano OBGE 1977 em Salati 1985:33). A figura 5,7 ilustra as diferenças regionais na distribuição das chuvas na Amazônia. Em áreas afetadas orograficamente pelos Andes, as precipitações anuais de até-5.000mm ocorrem, e o período de seca é quase inexistente. Nas áreas do leste e centro da bacia amazônica existe maior variabilidade sazonal e interanual em precipitação.

O clima da Amazônia caracteriza-se, por um lado, pela sazonalidade nas enchentes dos rios, lagos e áreas inundáveis e, de outro, por uma impressionante estabilidade, se observarmos simplesmente as médias anuais ou mensais. A distribuição da chuva é muito desigual, já que durante alguns meses chove mais de 800mm e durante outros, menos de 100 mm. Em algumas áreas ocorrem estiagens de até 20 dias consecutivos (Medina et al. 1978; Herrera 1979a; Moran I98I). Veja a figura 5,7 para ter uma idéia dos diferentes padrões na bacia amazônica. As variações de chuva refletem-se nas flutuações dos rios. Observam-se flutuações de 5 a 20m no nível dos rios Oierrera 1979b; Oltman et al. 1964; Stemberg 1975). Os dos da margem sul têm suas altas nos meses de março e abril e suas maiores babas entre agasta e outubro; enquanto que os tributários da margem norte têm suas altas em junho e julho e as baixas entre dezembro e março (Wilhelmy1970). O impacto da variação nos níveis dos rios é altamente significativo devido à predominância de terras baixas na Amazônia (c. 0-200m).

Em função das áreas drenadas, distinguem-se três tipos de rios na Amazônia. Os rios de água branca nascem nos Andes e carregam sedimentos de alta fertilidade. Os rios de água preta são oriundos de áreas dominadas por solos podzols de areia branca com alta acidez e contém poucos minerais. Finalmente, os rios de água data drenam áreas do Planalto Central do Brasil e do Planalto das Guianas e possuem águas de qualidade média em termos de nutrientes.

Áreas drenadas por rios de água preta podem ser considerados como ecossistemas únicos que devem ser analisados em seus próprios termos e não são comparáveis com outras áreas da Amazônia. Eles são dominados pela presença de solos de areias brancas muito pobres e caracterizam-se pelo alto conteúdo de matéria orgânica em suspensão devido à alta acidez da água. Sioli (1951) caracterizou-os como de qualidade quase destilada do ponto de vista de conteúdo mineral. A produtividade anual

de lagos de água preta é de 15 a 19 vezes menor do que lagos de água branca (Smith 1979). As deficiências em nutrientes são observáveis até mesmo nas vértebras dos peixes (Geisler and Schneider 1976). Uma vantagem para a vida humana nas áreas de rios de água preta é a escassez de insetos. Elas são, portanto, menos afetadas por malária e outras doenças transmissíveis por insetos comuns nas áreas menos ácidas (Sioli 1984). As figuras 5,8 e 6,1 ilustram as bacias hidrográficas da Amazônia em termos destes três tipos de rios.

Alguns autores relacionam a diversidade da flora amazônica ao Pleistoceno, quando, devido a uma fase climática árida, a floresta parece ter-se fragmentado e se restringido a um número limitado de "ilhas de refúgio" 0fla%er 1969). Os padrões biogeográficos de vários taxons faunísticos parecem se encaixar com a teoria dos refúgios (Prance 1982). Parecem também estar relacionados com os períodos de inundação nas áreas de várzea e com os processos de sucessão secundaria causados pela queda de árvores maiores dentro da floresta (Hartshom 1978). Colinvaux et al. propõem que a alta diversidade de espécies encontradas nas várzeas dos rios Napo e Aguadco resulta de modificações hidráulicas, especialmente das enchentes catastróficas, que provocam modificações nas matas de várzea. Rasarem et al. (1987) apresentaram dados que comprovam que a Amazônia ocidental vem experimentando processos de mudança nos cursos fluviais desde o Terciário e o Quaternário, e que influenciam os processos de especiação. Prance (1978) enfatiza que numerosos fatores influenciam na rica especiação amazônica além dos 'Yefiàgios" do Pleistoceno: mudanças climáticas, flutuações endógenas na floresta, adaptação a nichos particulares, isolação fenológica e isolamento de muitas espécies florestais em populações alopátricas.

A cada ano novas diferenciações são acrescentadas aos tipos de flora presentes na Amazônia lá. Ducke and Black 1953, 1954; Pires 1973; Pmnce 1975b; Prance 1978; Pires and Prance 1984). Existe uma enorme variabilidade e diversidade de habitats na Amazônia. A tabela 5,3 apresenta uma visão geral dos tipos de vegetação até agora sugeridos.

As florestas de terra firme ocorrem em áreas não inundáveis da Amazônia, incluindo um grande número de subtipos importantes, alguns dos quais merecem tratamento em separado.

Assim, neste livro serão apresentadas discussões separadas sobre áreas de terra firme em bacias de água preta com vegetação de campina e caatinga (capitulo VI) e florestas de terra firme influenciadas significativamente pelo homem (capitulo VII). As florestas de áreas inundáveis incluem matas periodicamente inundadas por rios, movimentos costeiros de água salgada e matas de igapós (capitulo VIII). As savanas de tema firme constituem um tipo importante, com variações significativas (capitulo IX) em termos de drenagem (Prance 1978).

A diversidade da flora ocorre sob um verdadeiro mosaico ecológico que representa uma fonte de oportunidades para as populações humanas amazônicas. Esse mosaico é visto porém como uma limitação quanto à planificação regional, e opta-se sempre por simplificar essa diversidade. O resultado da simplificação no planejamento é a'destruição ambiental pela não-percepção dos recursos presentes numa área. Afigura 5,9 ilustra um mosaico de vegetação numa área do rio Tapajós, o que serve para dar uma idéia preliminar da variabilidade presente. Assim como a floresta pluvial "refugiou-se" em pequenas áreas durante o Pleistoceno, é possível considerar as savanas anuais da Amazônia como as áreas recentes de refugio da extensa savana do Pleistoceno, ocorrendo em forma de manchas por toda a bacia. Geralmente, as savanas amazônicas ocorrem em áreas com menos de 2.000 mm de precipitação (Prance 1978:213), existindo também critérios edáficos para sua presença. As savanas do Planalto Central do Brasil têm um maior grau de endemismo por motivos edáficos e topográficos, quando comparadas às savanas das terras baixas. Essas são menos ficas em espécies endêmicas, o que sugere serem vestígios de uma única e antiga savana (ibid. p. 214). As campinas em áreas de água preta também são pobres em diversidade biótica, principalmente por motivos edáficos.

 

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Natureza só se regenera após milhões de anos.

 

A natureza só deverá se recuperar dos estragos causados pelo homem após 10milhões de anos.

Essa é a conclusão de um estudo que estimou o tempo de recuperação de meio ambiente após extinções causadas por desastres naturais ou pela ação humana.

A pesquisa, que sai hoje na revista  "Nature", indica também que os homens podem causar um estrago que se equipara à extinções em massas, que acabaram, por exemplo, com os dinossauros, há 65 milhões de anos. "Alguns biólogos acreditam que podemos eliminar de 20% a 50% de todas as espécies da Terra nos próximos 50 a 100 anos. Se fizermos isso, iremos rivalizar com as grandes extinções que constam dos registros geológicos", disse à Folha James Kirchner, um dos autores do estudo, da Universidade da Califórnia em Berkeley. A recuperação a que o pesquisador se refere não é o reaparecimento de uma espécie extinta, e sim a ocupação de um certo nicho que estava "vago"após o desaparecimento dos seres vivos. "Uma espécie extinta nunca vai reaparecer. Ela pode ser substituída por algo que não tenha nenhuma semelhança", disse Kirchner. "Pense nos dinossauros, que foram substituídos praticamente pelos mamíferos". Segundo o cientista, o período de milhões de anos se refere ao intervalo entre casos de extinção e períodos em que há uma maior diversificação dos organismos.

 

Histórico de fósseis

 

O estudo, que constitui na análise de fósseis de animais marinhos dos últimos 530 milhões de anos, foi realizado por Kirchner e Anne Weil, da Universidade Duke, na Carolina do Norte. Os pesquisadores comparam épocas em que havia picos de extinção de espécies de fósseis com período de picos de formação de novos seres vivos. Ao comparações mostraram que, seja para grandes extinções como para aqueles de menor porte, o pico de recuperação aparecia sempre após o mesmo período, de cerca de 10 milhões de anos. "O que queremos dizer é que, após 10 milhões de anos, a taxa de diversificação, ou seja, de criação de novos organismos, atinge um pico e então desacelera novamente, indicando que o ecossistema está se tornando completo o suficiente para inibir novas diversificações", afirmou Kirchner. Segundo ele, o estudo não sofreu interferência da falta de fósseis de alguns perídos. "A imperfeição do registro fóssil, por si só, cria um padrão diferente do que observamos", disse. Os dados são detectados claramente a partir de cinco grande extinções em massa, causadas por catástrofes naturais. "Apesar de a conclusão Ter aparecido em grande parte pelas  cinco maiores extinções, a correlação é significante mesmo após a remoção desses dados", escreveu, em um comentário na mesma "Nature", Douglas Erwin do Museu Nacional de História Natural, em Washington. Ou seja, mesmo para extinções de menor porte, o meio ambiente leva os mesmos milhões de anos para voltar a atingir sua diversidade . "Muitas espécies já foram perdidas (pela ação humana), mas o número a que podemos chegar no futuro próximo é muito maior", afirmou Kirchner. "Nosso trabalho mostra que, se levarmos muitos organismos à extinção, nosso legado- uma mundo biologicamente empobrecido - irá durar milhões de anos", concluiu. 

 

 

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Cacique dá aula de Educação Ambiental

 

A carta do cacique Seattle é famosa. Foi endereçada ao ex-presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Pierce, como resposta à sua proposta para comprar as terras dos Peles Vermelhas. Mais do que uma resposta, ela é um documento histórico que revela o pensamento, o sentimento e a cultura da tribo duwamish. De uma beleza poética singular, a carta apresenta duas concepções de natureza etnicamente conflitantes. Uma pertence ao povo duwamish e a outra concepção, ao chefe branco americano. Apesar de quase um século e meio de existência, o documento escrito em 1854 tem sobrevivido a inúmeras versões. Mas continua atual.

 

DO CACIQUE AO PRESIDENTE

(1855)

 

Esta carta foi escrita, em 1855, por um índio norte-americano, de nome Seattle, cacique da tribo Duwamish, para o então
Presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce.

 

"O Grande Chefe de Washington mandou dizer que
deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e
benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade.
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas - elas nunca empalidecem.
Como podes comprar ou vender o céu, o calor
da terra? Tal idéia nos é estranha.
Se não somos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los?
Cada torrão desta terra é sagrado para meu
povo. Cada folha reluzente de pinheiro,
cada praia arenosa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as
recordações do homem vermelho.
O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morto vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são
nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são
nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos das campinas, o calor que emana do corpo de um mustang, o homem - todos pertencem à mesma família. 
Portanto quando o Grande Chefe de Washington
manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus
filhos. Portanto vamos considerar a tua oferta de comprar 
nossa terra. Mas não vai ser fácil, não. Porque esta
terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e
regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendemos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos
que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações
da vida de meu povo. O rumorejar da água é a voz do pai
de meu pai. Os rios são irmãos, eles apagam nossa sede.
Os rios transportam nossas cargas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar
e ensinar a teus filhos que os rios são
irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos
rios a afabilidade que darias a um irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mais sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele
vai embora. Deixa para trás os túmulos
de seus antepassados e nem se importa.
Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa.
Ficam esquecidos a sepultura
de seu pai e o direito de seus filhos
à herança. Ele trata sua mãe - a terra, e seu irmão - o céu, 
como coisas que podem ser
compradas, saqueadas, vendidas como
ovelha ou miçanga cintilante.

Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás 
apenas um deserto:
Eu não sei. Nossos modos diferem dos
teus. A vista de tuas cidades causa tormento
aos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho
um selvagem que de nada entende.
Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se
possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. Mas talvez assim seja por
ser eu um selvagem que nada compreende.
O barulho parece insultar os ouvidos.
E que vida é aquela se um homem não pode ouvir
a voz solitária do curiango ou à noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo?
Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento,
purificado por uma chuva do meio-dia,
ou recendendo o pinheiro.
O ar é precioso para o homem vermelho, porque
todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem. O homem
branco parece não perceber o ar que respira.
Como um moribundo em prolongada agonia, ele é
insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós,
que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso
bisavô o seu primeiro sopro de vida,
também recebe seu último suspiro. E se te vendermos a nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir
saborear o vento, adoçado com a fragrância
das flores campestres.

Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar a nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: O homem branco deve
tratar os animais desta terra como se
fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e desconheço que possa
ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem
e não compreendo como um fumegante cavalo de
ferro possa ser mais importante do que
o bisão que nós, os índios, matamos apenas
para o sustento de nossa vida.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto
acontece aos animais logo acontece ao homem.
Tudo está relacionado entre si. 
Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo
de teus pés são as cinzas de nossos
antepassados. Para que tenham respeito ao país,
conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra fere os filhos da terra.
Se os homens cospem no chão, cospem
sobre eles próprios. De uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à terra.
Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os
filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama de vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará.

 

 

 

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Ecossistemas Manaus

 

A Floresta Amazônica, essencialmente tropical, reserva números grandiosos quanto a sua diversidade biológica. Com três ecossistemas básicos: matas de várzea, matas de igapó e matas de terra firme, podem ser explorados de diferentes maneiras, e sob vários pontos de vista, permitindo uma experiência única. No período das cheias dos rios, as águas avançam nas margens da floresta atingindo quase a copa das árvores. O fenômeno provoca um belo espetáculo nesta região de várzea. As áreas inundadas da floresta são muito férteis pela irrigação natural com nutrientes trazidos pelos rios.

A bacia hidrográfica da Amazônia, a maior do mundo, denomina de rio um grande afluente de margem muito larga. Os pequenos rios e afluentes são chamados de igarapés. Alguns chegam a secar durante três meses da vazante. O turismo

 turismo de aventura é o grande atrativo dos roteiros do Amazonas. São programas de soft adventure, pesca desportiva, treinamento de sobrevivência de selva, observação de pássaros e até de montanhismo, que traduzem a realidade da Região, com dois fatores fundamentais: beneficiam diretamente as populações em torno dos empreendimentos e asseguram a conservação do conceito de “ecoturismo”.

Agora, prepare-se para uma viagem inesquecível, numa das últimas fronteiras da Terra: o Amazonas!

 

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Amazônia

 

A Amazônia é o maior bioma terrestre do planeta, cuja área avança em 9 países da América Latina (Brasil, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana Francesa e Suriname). A bacia hidrográfica do Amazonas ocupa uma área de 7.050.000 km³.

Em termos geopolíticos a Amazônia Legal brasileira ocupa 60% do território nacional. Apesar de ser o maior estado brasileiro, possui a menor densidade demográfica humana, com menos de 10% do país.

A Amazônia é um dos mais precisos patrimônios ecológicos do planeta. É na realidade um grande Bioma, composto por diversos ecossistemas interagindo em equilíbrio, 65% de toda a área amazônica é composta pela floresta tropical úmida de terra firme, sendo que o restante é constituído por matas de cipó, Campinas, matas secas, igapós, manguezais, matas de várzeas, cerrados, campos de terra firme, campos de várzeas e matas de bambu, ecossistemas aquáticos da Amazônia.

A bacia amazônica é um dos locais mais chuvosos do planeta, com índices pluviométricos anuais de mais de 2.000 mm por ano, podendo atingir 10.000 mm em algumas regiões. Durante os meses de chuvas, a partir de dezembro, as águas sobem em média 10 metros, podendo atingir 18 metros em algumas áreas. Isto significa que durante metade do tempo grande parte da planície amazônica fica submersa, caracterizando a maior área de floresta inundada do planeta, cobrindo uma área de 700.000 Km².

A Amazônia é a maior floresta do mundo, representando 35% de toda as florestas do mundo. É considerada também uma das mais antigas coberturas florestais, permanecendo estabilizada a cerca de 100 milhões de anos.

O rio Amazonas é o maior e mais largo rio do mundo e o principal responsável pelo desenvolvimento da floresta Amazônica. O volume de suas águas representa 20% de toda a água presente nos rios do planeta. Têm extensão de 6.437 quilômetros, vazão de 190.000 metros cúbicos por segundo (16 vezes maior que a do rio Nilo), conta com mais de 1.000 afluentes. Sua largura média é de 12 quilômetros, atingindo freqüentemente mais de 60 quilômetros durante a época de cheia. Na foz, onde deságua no mar, a sua largura é de 320 quilômetros. A profundidade média é de 30 a 40 metros. As áreas alagadas influenciadas pela rede hídrica do amazonas, formam uma bacia de inundação muito maior que muitos países da Europa, juntos. Apenas a ilha do Marajó, na foz do Amazonas, é maior que a Suíça.

Em termos biológicos é a região com maior biodiversidade de todos os continentes. Comporta metade das espécies de aves hoje conhecidas, possui a maior diversidade de insetos (especialmente borboletas), répteis e anfíbios. Possui mais espécies de peixes que o oceano Atlântico. As águas da Amazônia também’m são ricas em caranguejos, camarões, serpentes, tartarugas, lagartos, golfinhos (entre eles o boto cor-de-rosa), lontras, jacarés e tubarões, os quais sobem centenas de quilômetros nos rios em busca de peixes. Dezenas de aves aquáticas exploram as águas, ricas em alimento. O maior roedor, os maiores papagaios, as maiores cobras, os maiores peixes (o pirarucu pode atingir mais de 3 metros de comprimento e pesar 180 quilos), as maiores árvores tropicais e os maiores insetos vivem na Amazônia. A diversidade de mamíferos, especialmente macacos e felinos, é muito grande, 30 espécies de macacos são endêmicas da mata amazônica.

O conhecimento da fauna e flora da Amazônia ainda é extremamente precário. Acredita-se que não se conheça nem a metade das espécies que habitam as suas matas e rios. A principal característica da Amazônia é a sua inacessibilidade, o que dificulta a sua exploração e estudo.

A Amazônia é um dos poucos redutos do planeta onde ainda vivem povos humanos primitivos. As dezenas de tribos ainda existentes espalham-se em territórios dentro da mata, mantendo seus próprios costumes, linguagens e culturas, inalterados por milhares de anos. Antropólogos acreditam que ainda existam povos primitivos desconhecidos, vivendo nas regiões mais inóspitas e inacessíveis.

Oficialmente existem dois parque nacionais na Amazônia brasileira, o Parque Nacional do Tapajós e o Parque Nacional do Pico da Neblina. O primeiro, com 1 milhão de hectares de floresta tropical úmida, e o segundo com extensão de 2.200.000 hectares. O Parque do Pico da Neblina se une ao Parque Serrania de la Neblina, na Venezuela, com 1.360.000 hectares, formando em conjunto um dos maiores complexos bióticos protegidos do mundo.

Os impactos resultantes da exploração humana da Amazônia são muitos. O desmatamento e as queimadas para a formação de pastos para o gado tem destruído imensas áreas de florestas virgens todos os anos, há décadas. Estima-se que a área de pastos (naturais e criados por desmatamento) na Amazônia seja de mais de 20 milhões de hectares. O problema é que os pastos não resistem por muito tempo, uma vez que o solo amazônico é muito pobre em nutrientes. Isto faz com que os criadores avancem constantemente para o interior da floresta em busca de novas terras.

Mineração, caça e pesca indiscriminada, contrabando de animais raros e espécies em extinção, poluição, e queimadas criminosas são alguns dos principais fatores de perturbação da Amazônia.

A comunidade científica mundial, ciente do potencial ecológico, geológico, cientifico e farmacológico da Amazônia, tem alertado constantemente as autoridades políticas para a necessidade de uma política de preservação e uso equilibrado da floresta. Esta política deve ser implantada o mais rápido possível para que os danos atualmente existentes sejam revertidos.

MEIO AMBIENTE - Ecossistema

Fonte: Folha de São Paulo/ 22 de setembro de 2000 (Pág.08)

Pesquisa propõe “modelos”para preservação de florestas tropicais

 

Preservar árvores raras como o cedro, o mogno e o jatobá não é só papo de ecologista chato. Um estudo feito por pesquisadores da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), mostra que, além de valiosas economicamente, essas árvores também são espécies-modelo para os ecossistemas das florestas tropicais.

“As árvores raras representam grandes grupos dentro do ecossistema; por isso devem ser prioridade dos projetos de conservação , afirma Paulo Kageyama, do Departamento de Engenharia Florestal da Esalq, principal autor do estudo.

O trabalho foi apresentado durante o 46º Congresso Brasileiro de Genética, Águas de Lindóia (SP).

Segundo Kgeyama, a conservação de uma floresta não pode se resumir à criação de uma reserva. “Precisamos levar em conta todas as relações ecológicas que há entre animais e árvores”, disse.

As espécies-modelo foram classificadas com base em cinco critérios, como raridade, adaptação a ambientes específicos e resistência à ação humana.