MEIO AMBIENTE – Ecologia

AME – Associação Mundial de Ecologia

Cooperativa Ecológica

Departamento de Ecologia Geral - USP

Fundação Mundial de Ecologia

National Wildlife Federation

NEO

The International Council for Local Environment Initiatives  - ICLEI

Os Sinais do Declínio

 

MEIO AMBIENTE – Ecologia

 

Os Sinais do Declínio

 

 

Cacique dá aula de Educação Ambiental

 

A carta do cacique Seattle é famosa. Foi endereçada ao ex-presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Pierce, como resposta à sua proposta para comprar as terras dos Peles Vermelhas. Mais do que uma resposta, ela é um documento histórico que revela o pensamento, o sentimento e a cultura da tribo duwamish. De uma beleza poética singular, a carta apresenta duas concepções de natureza etnicamente conflitantes. Uma pertence ao povo duwamish e a outra concepção, ao chefe branco americano. Apesar de quase um século e meio de existência, o documento escrito em 1854 tem sobrevivido a inúmeras versões. Mas continua atual.

 

DO CACIQUE AO PRESIDENTE

1855

 

Esta carta foi escrita, em 1855, por um índio norte-americano, de nome Seattle, cacique da tribo Duwamish, para o então
Presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce.

 

"O Grande Chefe de Washington mandou dizer que
deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e
benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade.
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas - elas nuca empalidecem.
Como podes comprar ou vender o céu, o calor
da terra? Tal idéia nos é estranha.
Se não somos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los?
Cada torrão desta terra é sagrado para meu
povo. Cada folha reluzente de pinheiro,
cada praia arenosa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as
recordações do homem vermelho.
O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morto vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são
nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são
nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos das campinas, o calor que emana do corpo de um mustang, o homem - todos pertencem à mesma família. 
Portanto quando o Grande Chefe de Washington
manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus
filhos. Portanto vamos considerar a tua oferta de comprar 
nossa terra. Mas não vai ser fácil, não. Porque esta
terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e
regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendemos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos
que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações
da vida de meu povo. O rumorejar da água é a voz do pai
de meu pai. Os rios são irmãos, eles apagam nossa sede.
Os rios transportam nossas cargas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar
e ensinar a teus filhos que os rios são
irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos
rios a afabilidade que darias a um irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mais sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele
vai embora. Deixa para trás os túmulos
de seus antepassados e nem se importa.
Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa.
Ficam esquecidos a sepultura
de seu pai e o direito de seus filhos
à herança. Ele trata sua mão - a terra, e seu irmão - o céu, 
como coisas que podem ser
compradas, saqueadas, vendidas como
ovelha ou miçanga cintilante.

Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás 
apenas um deserto:
Não sei. Nossos modos diferem dos
teus. A vista de tuas cidades causa tormento
aos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho
um selvagem que de nada entende.
Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se
possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. Mas talvez assim seja por
ser eu um selvagem que nada compreende.
O barulho parece insultar os ouvidos.
E que vida é aquela se um homem não pode ouvir
a voz solitária do curiango ou de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo?
Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento,
purificado por uma chuva do meio-dia,
ou recendendo o pinheiro.
O ar é precioso para o homem vermelho, porque
todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem. O homem
branco parece não perceber o ar que respira.
Como um moribundo em prolongada agonia, ele é
insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós,
que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso
bisavô o seu primeiro sopro de vida,
também recebe seu último suspiro. E se te vendermos a nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir
saborear o vento, adoçado coma fragrância
das flores campestres.

Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar a nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: O homem branco deve
tratar os animais desta terra como se
fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e desconheço que possa
ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem
e não compreendo como um fumegante cavalo de
ferro possa ser mais importante do que
o bisão que nós, os índios, matamos apenas
para o sustento de nossa vida.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto
acontece aos animais logo acontece ao homem.
Tudo está relacionado entre si. 
Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo
de teus pés são as cinzas de nossos
antepassados. Para que tenham respeito ao país,
conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra fere os filhos da terra.
Se os homens cospem no chão, cospem
sobre eles próprios. De uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à terra.
Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os
filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama de vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará.

ECOLOGIA

 

O Século XXI será o último

 

A civilização desaparecerá no século XXI se não for construído um sistema de valores que tenha por base o respeito à natureza e ao próximo, segundo o célebre ambientalista Maurice Strong, ex-secretario-geral da Cúpula da Terra de 1992, realizada no Rio de Janeiro, Strong, que hoje ocupa o cargo de reitor da Universidade da Paz, conversou com exclusividade com o TERRAMÉRICA.

 

A saúde do planeta melhora ou piora?

Agora estamos pior do que antes das conferências mundiais em Estocolmo e Rio de Janeiro. Em Estocolmo perdemos a inocência. Antes, contaminávamos o Meio Ambiente sem perceber. No Rio, compreendemos muito melhor. Firmamos convenções sobre mudança climática, sobre biodiversidade. O que aconteceu desde então? A população duplicou, a economia mundial quintuplicou. Portanto, o impacto ambiental aumentou. É como o câncer: às vezes parece um simples resfriado. Se não interpretarmos bem os sintomas nem tratarmos a tempo, invade todo o organismo. Desde Estocolmo e Rio desenvolvemos a tecnologia para minimizar o prejuízo. Agora, temos os meios, mas nos falta motivação. Nos falta um sistema de valores morais e éticos. Os governos deveriam ser o instrumento mais importante para expressar esses valores. Porém, a base é formada pelas pessoas. Não confio nos governos. Sei que não me cabe dize-lo, mas os governantes não estão atuando como líderes.

MEIO AMBIENTE – Ecologia

 

Literaturas

 

Revista Agroecologia

 

 

Se a Terra Falasse

 

Eu me chamo Terra. Tenho 4,6 bilhões de anos e abrigo centenas de milhares de seres vivos. Possuo muitas riquezas
e inúmeros ecossistemas. Os oceanos cobrem cerca de dois terços de minha superfície e sei que sou o único Planeta
do Sistema Solar que permite tanta vida.
Sou envolvida pela atmosfera que chega a algumas centenas de quilômetros acima da minha crosta.
Estou mudando constantemente desde que nasci.

Por exemplo, na Era Glacial estive coberta por uma grossa camada de gelo. Houve o tempo dos Dinossauros que dominavam grande parte de meu ambiente, e que devido a mudanças naturais bruscas, não resistiram e acabaram morrendo. Apesar de todas estas mudanças, sentia-me bem pois sabia que tudo fazia parte de um ciclo natural.

Muito tempo se passou e hoje em dia sinto-me fraca, muito fraca... Minhas florestas estão sendo destruídas por queimadas e desmatamentos, provocando inúmeras perdas de espécies animais e vegetais. Meus rios e oceanos estão sendo poluídos com lixo, dejetos e rejeitos de indústrias, e minha atmosfera está sendo danificada. O lixo acumulado demora para se decompor provocando feridas em minha crosta.
Tudo está sendo destruído e só porque sou muito grande, apenas poucos acreditam que estou correndo perigo de vida, bem como todos os seres vivos que abrigo.

Os próprios humanos (responsáveis por todo esse caos) sofrem de inúmeras enfermidades causadas pelo desequilíbrio
ecológico, contaminação das águas, poluição, e nem por isso tomam as providências necessárias para reverter esta situação.

Eu sou o seu Planeta, o seu paraíso, presente de Deus, que lhes oferece tudo o que é necessário. Preciso da sua ajuda e peço que cuidem bem de mim plantando, reciclando, despoluindo, para que possamos viver em harmonia novamente, para que muitos animais e plantas continuem vivendo e para que as condições de vida humana melhorem,
antes que seja tarde demais...

 

MEIO AMBIENTE  - Ecologia

 

Os ciclos vitais

 

O que são ciclos "biogeoquímicos"?

Bio significa vida, geo, terra e químico, mudança da matéria de uma forma para outra. Os ciclos biogeoquímicos são processos naturais de circulação de elementos em várias formas químicas, do meio ambiente para os organismo e depois novamente para o ambiente. A água, o carbono, o oxigênio, o nitrogênio, o fósforo e outros elementos atravessam estes ciclos, vinculados os componentes vivos e inanimados da Terra.

 

O que é o ciclo do carbono?

O carbono é um componente essencial de todos os seres vivos. Existe em sua maior parte como dióxido de carbono na atmosfera, nos oceanos e nos combustíveis fósseis(carvão, petróleo e outros hidrocarburantes). O dióxido de carbono na atmosfera é absorvido pelas plantas e convertidos em açúcar e tecidos através do processo de fotossíntese. Os animais comem as plantas, metabolizam o carbono, convertendo- o em tecido energia. Liberam o carbono através das fezes; quando morrem são digeridos por outros organismos que, por sua vez, liberam o carbono na atmosfera e no solo, começam de novo o processo.

 

Efeito Estufa

 

Como as florestas ajudam regular o dióxido de carbono?

As florestas tropicais desempenham um papel vital no ciclo global do carbono. O dióxido de carbono é um gás que provoca o aquecimento global da Terra, ou "efeito estufa". As florestas tropicais cobrem uma área muito grande e são ecossistemas muitos dinâmicos, regulam a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera através da sua reincoporação ao ciclo normal.

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia                

 

Que futuro espera a Amazônia ?                

 

Ainda são muitas as pessoas, nos países industrializados, que gostariam de pôr a Amazônia numa redoma e transformá-la numa imensa reserva natural.

Alguns partidários do não-desenvolvimento da Amazônia dão prioridade absoluta à conservação do planeta Terra e chegam a considerar os seres humanos como parasitos. Outros insistem no papel fundamental da floresta amazônica na luta contra o efeito estufa, e querem que a mesma funcione como um gigantesco filtro para que 500 milhões de automóveis continuem consumindo imoderadamente combustíveis fósseis.

               

O contexto atual

 

O não-desenvolvimento da Amazônia é totalmente inaceitável para os habitantes dessa região e para os brasileiros em geral. E enquanto os países industrializados do Norte não modificarem seus modos de vida e de consumo, os conselhos que prodigalizam a favor do não- desenvolvimento podem muito bem serem interpretados como uma forma de colonialismo ecológico.

Cabe, pois, a esses países provar a sua sinceridade propondo na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que se realizará no Rio de Janeiro em junho deste ano, um programa concreto de redução do nível de consumo energético das sociedades industrializadas.

Cabe-lhes também assegurar aos países do Sul o acesso aos conhecimentos científicos e técnicos de que eles necessitam para aproveitar o imenso patrimônio biológico da floresta amazônica, sem infringir as regras da prudência ecológica. Uma empresa de tamanho alcance exige que o Brasil e os demais países amazônicos disponham de meios próprios para desenvolver suas pesquisas de campo.Graças aos progressos obtidos no tocante à produção de biomassa e à gama de produtos que dela podem derivar, a biotecnologia abre consideráveis perspectivas aos países tropicais. É provável que mais cedo ou mais tarde surja uma nova “civilização industrial do vegetal”, particularmente interessante para esses países. Como disse Monkombu Swaminathan, ex-presidente da União Internacional para a Conservação da Natureza e seus Recursos, uma nova forma de civilização baseada na utilização sustentável dos recursos renováveis é não só possível como também essencial. A opinião do grande cientista indiano coincide com as instituições pioneiras do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, que nos anos 60 criou um seminário de tropicologia em Recife.

Atualmente, porém, parece que uma barreira de certificados e patentes impede a disseminação da biotecnologia, e muitos países em desenvolvimento se perguntam se ela não irá transformar-se num instrumento de recolonização do Sul pelo Norte. Os países industrializados dariam mais uma prova de seu desinteresse caso se mostrasse mais flexíveis em matéria de patentes e direitos de propriedade intelectual, facilitando assim o acesso à ciência e à tecnologia.

Nesse contexto, convém lembrar a proposta formulada em 1989 pelo então primeiro- ministro da Índia, Rajiv Gandhi: um imposto sobre a renda mundial de 0,1% geraria US$ 18 bilhões. Com essa verba seria possível criar um fundo mundial para financiar não só a pesquisa de tecnologias inofensivas ao meio ambiente, como também sua aquisição e distribuição gratuitas nos países interessados. Essa proposta - que traz à tona novamente o debate sobre o financiamento automático da proteção do meio ambiente e do desenvolvimento - passou porém despercebida.

Outro aspecto da cooperação internacional  seria a criação de uma rede de pesquisas integrada pôr latino-americanos, asiáticos e africanos que enfrentam o mesmo problema: o aproveitamento dos recursos renováveis dos ecossistemas florestais tropicais úmidos. Tal processo deve conciliar os três objetivos do ecodesenvolvimento:

. promover maior justiça social segundo o princípio ético de solidariedade sincrônica e conceber o desenvolvimento como uma civilização baseada na partilha eqüitativa dos bens;

. desenvolver-se em harmonia com a natureza em vez de buscar dominá-la, segundo o princípio ético da solidariedade diacrônica com as gerações futuras;

. perseguir esses dois objetivos buscando um tipo de eficiência econômica que não se reduza ao conceito de rentabilidade da empresa, que em geral ignora os custos ecológicos e sociais.

 

Mas, além dessas medidas específicas, a cooperação internacional deve visar sobre tudo a melhoria da situação econômica geral dos países da América Latina, vale dizer, à solução dos problemas do endividamento e das relações de troca, bem como a redução das barreiras protecionistas nos países industrializados.

Quanto aos desafios internos que o desenvolvimento da Amazônia brasileira acarreta, são proporcionais ao tamanho desse imenso território que sempre estimulou a imaginação e inspirou tantos exageros.

 

Do sonho à realidade

 

A lenda dourada da Amazônia a apresenta como uma reserva de riquezas fabulosas, miragem que deslumbrou gerações de aventureiros. Uma variante dessa lenda, inspirada na filosofia do Século das Luzes e na vocação expiatória de nossa etnologia, se compras em descrever “bons selvagens” que vivem felizes em seu hábitat amazônico, em perfeita harmonia com a natureza.

A lenda sombria, ao contrário, retrata a Amazônia como um inferno verde e impenetrável, protegido pelas doenças tropicais que acometem todos os intrusos.

Essas representações contraditórias se traduzem em previsões opostas acerca do futuro do mundo amazônico. Para uns, a Amazônia é a última grande fronteira econômica do mundo, com riquezas minerais, hidráulicas e vegetais incalculáveis. Para outros, a vegetação abundante é mera ilusão que oculta solos pobres e sujeitos à erosão se as árvores forem abatidas. A exploração desordenada dessas riquezas minerais e a multiplicação das grandes represas, juntamente com uma colonização caótica que se traduz no desmatamento em grande escala, em breve transformarão a Amaz6onia em um deserto.

Qual é a realidade?

Para que a Amazônia se desenvolva adequadamente é preciso romper com o modelo dominante de exploração predatória dos recursos naturais da região, o qual não leva em conta os custos sociais e ecológicos que acarreta. A continuação de um crescimento desenfreado é tão inaceitável quanto o não-desenvolvimento.

Durante duas décadas, vários fatores se conjugaram para acelerar a destruição da floresta:

.  imperativos de ordem geopolítica fomentaram o povoamento da Amazônia ao longo de estradas especialmente construídas para esse fim;

.  a ilusão de que a Amazônia poderia absorver os imigrantes do campo, expulsos pela modernização da agricultura no Sul e pela persistência de regimes anacrônicos de propriedade da terra no Nordeste;

.  a decisão de dar prioridade à pecuária extensiva, totalmente inadequada às condições do meio natural e conducente a uma especulação agrária desenfreada, e também a excessiva confiança que se depositou nas riquezas minerais da região como meio de aliviar a carga da dívida externa;

.  pôr último, a criação de um grande pólo industrial na zona franca de Manaus

Em conseqüência dessas políticas, hoje revistas, a Amazônia perdeu entre 300.000 e 400.000 quilômetros quadrados de floresta.

A região experimentou também uma urbanização acelerada: de seus 17 milhões de habitantes, 10 milhões vivem hoje em centros urbanos – Manaus e Belém são cidades com mais de 1 milhão de habitantes. As favelas, muito numerosas na região, estão particularmente expostas ao risco de epidemias, a tal ponto que as condições de vida dessa massa urbana e suburbana constituem sem dúvida alguma o problema ambiental mais grave da Amazônia.

Fora dos centros urbanos, a população se acha muito dispersiva e vive às margens dos rios, praticando uma economia de subsistência. A criação de “reservas extrativas” trouxe certo alívio para a população de caboclos e seringueiros, que vive ameaçada pelos que especulam com as terras. A exploração mais racional dos produtos naturais da floresta certamente contribuiria para melhorar suas precárias condições de vida, mas não cabe considerá-la uma solução a longo prazo que possa estender-se ao conjunto da Amazônia. Os seringueiros reclamam sua parte no progresso econômico, social e cultural, o que supõe uma visão dinâmica da transformação das reservas extrativas em pólos de ecodesenvolvimento.

Quanto às populações indígenas, que durante muito tempo foram vítimas dos aventureiros e colonos, a Constituição brasileira lhes assegura amplos direitos, e o governo promete demarcar seus territórios até 1993: 80 milhões de hectares para cerca de 250 mil índios em todo o território nacional.

 

Uma nova estratégia                    

               

Seja como for, a atual política ambiental do Brasil propõe substituir o desenvolvimento a qualquer preço pôr uma estratégia de ecodesenvolvimento. Essa é uma intenção louvável, mas não será fácil pô-la em prática no Brasil ou nos demais países amazônicos.

Em primeiro lugar é preciso levar em conta que o ecodesenvolvimento na Amazônia depende de uma mudança de política fora da região. Impõe-se uma reforma do regime de propriedade e do sistema agrícola afim de diminuir o afluxo de migrantes para a Amazônia. A proteção dos recursos florestais requer um programa ambicioso de reflorestamento em outras regiões do país, como prevê o Plano Floram do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo: 20 milhões de hectares de floresta a serem plantados fora da Amaz6onia em 30 anos, o que representa um custo de US$ 20 bilhões.

No que diz respeito à própria Amazônia, o primeiro passo consiste em dividir a região, que está longe de ser homogênea, em uma vintena de sub-regiões, cada uma das quais exigindo uma estratégia específica. Definitivamente, os problemas globais requerem soluções locais, adaptadas às condições ecológicas e ao contexto cultural; a biodiversidade tem sua contrapartida na sociodiversidade.

Os principais esforços devem concentrar-se na recuperação das terras já desmatadas e, na medida do possível, numa certa densificação demográfica dessas zonas, a fim de deter o avanço da fronteira de colonização e os novos desmatamentos. É preciso criar um arquipélago de “reservas de desenvolvimento” interligadas, de modo a garantir a proteção das florestas ainda virgens e o hábitat das populações indígenas. Apesar das dificuldades que acarreta, essa estratégia parece mais realista do que a multiplicação excessiva de reservas naturais. A agrossilvicultura, que aproveita de modo racional as espécies vegetais locais ( sobretudo o enorme potencial das árvores frutíferas ), a aquacultura, a agricultura e a horticultura de alto rendimento nas várzeas, a pecuária em pequena escala, todas essas técnicas são também promissoras. O conhecimento do meio adquirido ao longo dos séculos pelas populações autóctones constitui um ponto de partida interessante – donde a importância dos estudos etnoecológicos.

A experiência  técnica baseada ao mesmo tempo na sabedoria popular e nas contribuições da ciência moderna se adapta às necessidades da pequena propriedade rural familiar modernizada. Além disso, a utilização moderada das fontes locais de energia possibilitará o desenvolvimento gradual de pequenas indústrias de acondicionamento e transformação.

Uma rede eficaz de cooperativas de produção e comercialização propiciaria um contexto institucional adequado a essas estratégias de ecodesenvolvimento. A médio prazo, essas cooperativas poderiam oferecer condições de vida decentes a uma população muito mais numerosa, sem ferir as regras de prudência ecológica particularmente rigorosas nos ecossistemas vulneráveis da Amazônia. Além disso, deter-se-ia assim o êxodo para as favelas e a proliferação dos garimpos.

 

Novos paradigmas                      

          

O objetivo a ser alcançado é tornar a Amazônia habitável, descartando a visão colonialista de uma região produtora de recursos para o exterior. Restam alguns problemas, bem mais difíceis de resolver, como a redução dos custos sociais e ecológicos da exploração mineira e hidráulica, a melhoria das condições de vida nos centros urbanos e o controle das doenças tropicais, a começar pela malária.

Contrariamente a um preconceito muito difundido, os conhecimentos acerca da Amazônia já nos permitam avançar pelo caminho do ecodesenvolvimento, sem descurar o esforço de pesquisa, sempre necessário. Nos interstícios do modelo predatório encontram-se exemplos concretos de projetos bem-sucedidos e de iniciativas locais promissoras. Tais soluções, que por ora fogem ao paradigma mundial dominante, podem ser vistas como o prenúncio e um novo paradigma do desenvolvimento.   

                            

MEIO AMBIENTE- Ecologia

 

 

 O Meio Ambiente como Direito Constitucional  

 

A constituição de 1988 dedica um capítulo específico ao meio ambiente, aí consignado como um conjunto de direitos, prerrogativas e obrigações, que será exercido na medida da participação dos cidadãos organizados, que poderão torná-lo vivo, ampliá-lo e dar-lhe eficácia.         

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia

 

As agressões à água

 

A água, elemento essencial para a vida, é poluída por vários agentes. Pode ser considerada: natural ou bruta, quando não recebe qualquer tratamento; potável, quando pode ser consumida; ou industrial, quando só pode ser utilizada nesse processamento. Recebe, também, a denominação de água doce quando sua salinidade é igual ou inferior a 0,5%, ou salgada (salina) quando sua salinidade é igual ou superior a 30%. Encontramos, ainda, a chamada água salobra cuja salinidade está entre 0,5% e 30%. Denomina-se água poluída aquela que é degradada por substâncias químicas e detritos orgânicos, sendo imprópria para o consumo. A água também pode ser considerada para consumo ou para insumo, isto é, quando serve para uso industrial, para mover hidrelétricas, por exemplo.

As cidades sempre foram criadas em locais onde a água doce é, no mínimo, suficiente. Somente 0,7% do total da água existente no planeta, é doce, isto é, com baixa salinidade e disponível nos rios, lagos e lençóis freáticos; 2,25% das águas doces estão nas calotas polares e o resto é água oceânica salgada. Logo a água é um recurso desigualmente distribuído e pouco abundante, podendo ser comprometida por resíduos químicos, esgotos, rejeitos de garimpagem, detritos industriais e material orgânico putrefato.

As águas de rios, lagos e marinhas podem ser degradadas por afluentes, que são águas poluídas descarregadas por cidades ou indústrias. Podem também receber a carga poluente de emissários utilizados principalmente nas cidades litorâneas, que é um sistema tubular que lança os detritos urbanos no mar não somente poluindo a água, mas também dizimando a fauna e a flora marinhas.

A atividade agrícola, quando utiliza agrotóxicos, biocidas em geral, possibilita que esses elementos atinjam os lençóis freáticos, comprometendo as águas mais profundas.

A quebra do ecossistema hídrico ou o não tratamento da água facilita a disseminação de doenças como o cólera, a malária, o dengue e a febre amarela, atacando a saúde das populações que consomem essa água.

A erosão, oriunda do trato inadequado da terra, leva os detritos e agrotóxicos para os cursos d’água, envenenando os animais e desequilibrando o ecossistema.

A garimpagem ou mineração do ouro, quando usam o mercúrio para separá-lo, lançam esse metal pesado nas águas, que se transforma em metil - mercúrio orgânico, onde é absorvido por algas e peixes e pelo homem que está no final da cadeia alimentar, gerando efeitos brutais como lesões no sistema nervoso, cegueira e deformação dos membros, quando não leva a morte. O uso do mercúrio é controlado pelo Decreto no 97.634/89.

Nas regiões portuárias, os terminais petrolíferos apresentam o fenômeno da maré negra que nada mais é que o derramamento do petróleo no mar ocasionando a morte da fauna ictiológica, das aves e mamíferos da região, além da poluição da água, por via de uma capa de óleo que se deposita na superfície da água.

O chorume, resíduo líquido do lixo urbano, penetra no solo poluindo este e as águas que vierem a ter contato com ele. Aparece significativamente nos grandes aterros sanitários e é formado por água de chuva e detritos orgânicos decompostos. O chorume é carregado pelo processo de lixiviação que nada mais é que o arrastamento vertical de partículas pela infiltração da água para as partes mais profundas do solo.

A água, deste modo, é suja, envenenada, degradada e reduzida pela mentalidade de produção predatória da sociedade contemporânea, ligada à pobreza, à desigualdade social, à falta de condições mínimas de higiene e saúde das populações dos países periféricos. O binômio produção-pobreza é o grande degradador do meio ambiente, em especial a água, elemento que condiciona a produção e a vida.

Para o enfrentamento das agressões às águas, as comunidades, dentre outras normas, podem se valer do Decreto n° 24.643, de10 de julho de 1934, o código de águas; do Decreto n° 79.367, de 9 de março de 1977, que estabelece normas de potabilidade da água; da Resolução CONAMA n° 20, de 18 de julho de 1986, que classifica as águas em doces, salobras e salinas; da Portaria SEMA n° 03, de 11 de abril de 1975, que dispõe sobre a concentração de mercúrio por litro de água; da Portaria GM 013, de 15 de janeiro de 1976, que classifica as águas interiores do Território Nacional; da Portaria SEMA 157, de 26 de outubro de 1982, que estabelece normas para o lançamento de efluentes líquidos tóxicos decorrentes de atividades industriais; da Portaria n° 36, do Ministério da Saúde, de 19 de janeiro de 1990, que estabelece normas e padrão de potabilidade de água destinada ao consumo humano.

 

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia          

 

As agressões à Vegetação e ao Solo

 

O Brasil enlaça a visão predatória da natureza com o uso de técnicas primitivas de extração das matérias-primas do solo e da vegetação. Essa equação só pode resultar num poder destrutivo devastador. É o caso da Amazônia que vem sendo desfigurada pelo desmatamento irracional, pela invasão de práticas agrícolas e pecuárias inadequadas e pelo uso alucinado de queimadas incontroláveis, o que resulta em dissolução do ecossistema e aparecimento de grandes extensões desertificadas.

Calcula-se que hoje, no Brasil, desaparecem cerca de cem espécies vegetais e animais, por dia, em virtude dessas práticas devastadoras.

Os ecossistemas são desequilibrados pela erosão advinda do desnudamento da terra; pelo uso de agrotóxicos , fungicidas, herbicidas e inseticidas; pelo cansaço do solo oriundo de métodos de fertilização impróprios e pela quebra das cadeias alimentares.

Enquanto o extrativismo não for racionalizado de modo a possibilitar a renovação dos recursos, a recuperação dos ciclos da vida e a irrigação não for feita de forma a respeitar a topografia e o equilíbrio do ambiente, o destino dos ecossistemas será seu desaparecimento, como já aconteceu em outros continentes.

Alia-se a isso a miserabilidade  das populações rurais no Brasil, que não têm acesso a uma vida digna e nem aos mínimos recursos educacionais e de saúde que possibilitem torná-las agentes de defesa do ambiente. O Relatório do Brasil para a Conferência das Nações Unidas do Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) intitulado O Desafio do Desenvolvimento Sustentável diagnostica:

“É relevante assinalar que, em situações de extrema pobreza, o indivíduo marginalizado da sociedade e da economia nacional não tem nenhum compromisso para evitar  a degradação ambiental, uma vez que a sociedade não impede sua própria degradação como pessoa”.

Esse texto traz uma importante contribuição para reafirmar a concepção sobre a necessária indissolubilidade entre os problemas ambientais e os humanos. Não se resgata um ambiente sem resgatar o ser humano que nele vive. A luta pela promoção de um meio ambiente harmônico passa pela luta que promova a dignidade das pessoas. A luta ambiental não pode cair no perigo da coisificação do homem e da humanização da natureza, fenômeno já denunciado por Marx na Introdução de O Capital.

Logo, a luta pela preservação e uso racional do meio ambiente depende também do estabelecimento de novas relações entre os seres humanos. As questões do meio ambiente lançam as reflexões e ações sobre a dignidade, as contradições, as opressões e as desigualdades num novo patamar mais amplo e abrangente que impõe a revisão dos paradigmas do conhecimento e das práticas de relações entre os seres humanos.

A vegetação sofre com a guerra e com a paz. Na guerra, como no coso do Vietnã, são usados elementos químicos como a dioxina ( agente laranja), com efeitos brutais sobre o meio ambiente, já que é um desfolheante que tem a finalidade de tornar o inimigo mais visível nos locais de cobertura vegetal mais densa, facilitando assim, as operações de extermínio de vidas humanas. Na paz, substâncias como essa são usadas para facilitar o desmatamento e a busca de madeiras úteis, causando efeitos deletérios no meio ambiente e nas pessoas que têm contato com esses tóxicos, mesmo com a concentração de dioxina reduzida de30% para 0,5%. 

A destruição ambiental no Brasil é assustadora, conforme o mesmo documento citado: em 1940, o Estado do Paraná, em sua região norte era coberto em 90% pôr matas nativas, restando hoje tão somente 2% dessa cobertura; os cerrados ocupam 1.700.000 quilômetros quadrados, isto é, 20% do território nacional, sendo 46% aptos para a produção agrícola, 34% para a exploração limitada com base em pecuária extensiva e 20% devem ser preservados.

A destruição ambiental no Brasil é assustadora, conforme o mesmo documento citado: em 1940, o Estado do Paraná, em sua região norte era coberto em 90% por matas nativas, restando hoje tão somente 2% dessa cobertura; os cerrados ocupam 1.700.000 quilômetros quadrados, isto é, 20% do território nacional, sendo 46% aptos para a produção agrícola, 34% para a exploração limitada com base em pecuária extensiva e 20% devem ser preservados. O Pantanal Mato-Grossense, tão desfigurado, representa, com seus 170.000 quilômetros quadrados, 2% do território nacional.

Os garimpos são outros agressores do meio ambiente, constituindo-se também num problema social, econômico e também antropológico. O garimpo é uma atividade precária e móvel, que se desloca na medida em que os veios minerais se esgotam ou se tornam pouco lucrativos ou inviáveis para as técnicas atrasadas que são utilizadas. O garimpo apresenta grave problema social por envolver em sua operação direta (fora os exploradores da mão-de-obra) cerca de 300.000 pessoas, em 1.854 locais de extração de ouro, pedras preciosas e outros minérios. Constituem um problema econômico por se configurarem como locais de economia própria, onde os preços são sobre valorizados, onde o meio de transporte mais comum é o pequeno avião, onde a mão-de-obra é explorada com desigualdade e violência; e, onde se instala um mercado paralelo de minerais, à margem de qualquer controle, o que significa evasão de divisas. É um problema antropológico por ser uma atividade que não respeita as reservas indígenas, sendo veículo facilitador do genocídio e etnocídio.

Ao lado desses problemas, o garimpo, em termos de meio ambiente, polui os rios com mercúrio, promove a erosão de grandes regiões e desequilibra os ecossistemas. Mas, é preciso lembrar que não somente o garimpo pode causar esses danos ao meio ambiente, também as grandes mineradoras e processadoras de minérios, quando usam, por exemplo, a madeira como combustível (carvão vegetal) potenciam essa destruição, que é promovida a varejo pelos garimpos. O mesmo deve ser dito das empresas que lançam suas águas industriais servidas e seus rejeitos nos rios e lagos ocasionando graves lesões ao meio ambiente.

A vegetação, o solo, o subsolo, água e a fauna são depredados pelo ser humano, que se torna vítima de seus próprios procedimentos. As práticas que têm por base o entendimento segundo o qual a natureza é inesgotável, o ser humano é um mero instrumento (um objeto), o lucro imediato é o objetivo da produção e a preservação dos ecossistemas um assunto de minorias situa o ser humano em uma posição paradoxal: ele é, ao mesmo tempo, autor e vítima, sendo assassino potencial de sua própria espécie. A superação desse entendimento deve ser implantada em níveis teórico e prático, a fim de que não aconteça, pela primeira vez na história biológica do planeta, o suicídio de um grupo zoológico.

A vegetação é protegida pela lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, que institui o Código Florestal; o Decreto n° 58.054, de 23 de março de 1966, promulgou a Convenção sobre Flora, Fauna e Belezas Cênicas dos Países da América; o Decreto 76.623, de 17 de novembro de 1975, promulgou a convenção de comércio de fauna e flora selvagens em perigo de extinção; o Decreto n° 318, de 31 de outubro de 1991, promulgou o nosso texto da Convenção Internacional para a proteção dos vegetais.

Também são importantes na defesa da vegetação a Lei n° 6.902, de 27 de abril de 1981, que dispõe sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental (APA’S); o Decreto n° 99.274, de 6 de junho de 1990, que regulamenta a citada lei; o Decreto 99.355, de 27 de junho de 1990, que dá nova redação ao Decreto acima. O CONAMA, por sua Resolução n° 10, de 14 de dezembro de 1988, estabeleceu os objetivos e competência das APA’S.

As Áreas de Relevante Interesse Ecológico (ARIEs), de alta importância para a preservação ambiental, foram regulamentadas pelo Decreto n° 89.336, de 31 de janeiro de 1984, e o CONAMA, por sua Resolução n° 2, de 13 de junho de1988, limitou as atividades que podem ser exercidas nas ARIE’S.

Na intersecção entre a produção e a preservação aparecem as Reservas Extrativistas definidas pelo Decreto n° 98.897, de 30 de janeiro de 1990, documento legal que deve ser estudado e acionado pelos ambientalistas, já que sua significação invade os campos econômico, social e cultural.

Por último, quanto a esse tema, é preciso ressaltar que as Unidades de Conservação, ainda que criadas por decreto, só poderão ser alteradas ou suprimidas por lei, conforme comando do art. 225, 1°, III da Constituição Federal.

O solo e o subsolo agredidos recebem, também proteção legal. Os agentes que agridem o solo, como já lembramos, atingem as águas, dizima a fauna e flora e atingem o ser humano. Os agrotóxicos são um exemplo. A Lei n° 7.802, de 11 de julho de 1989, dispôs sobre a pesquisa, experimentação, produção, embalagem e rotulagem, transporte, armazenamento, comercialização e propaganda comercial de agrotóxicos. Essa lei foi regulamentada pelos Decretos n°s 98.062, de 17 de agosto de1989;  98.816, de 11 de janeiro de 1990 e 99.657, de 16 de outubro de 1990. A Portaria n° 349, de14 de março de1990, estabeleceu os procedimentos de registro, renovação e uso de agrotóxicos. A Portaria n° 329, de 2 de setembro de 1985, fixou proibições com relação aos organoclorados.

O mercúrio, que atinge as águas, assim como o cianeto, muito usados na garimpagem do ouro, foram tratados pelas normas vigentes: a Portaria SEMA, n° 3, de 11 de abril de 1975, dispôs sobre a concentração de mercúrio por litro de água e o Decreto n° 97.507, de13 de fevereiro de1989, que dispôs sobre o licenciamento de atividade mineral, e o uso do mercúrio metálico e do cianeto em áreas de extração de ouro.

A Lei n° 6.225, de 14 de julho de 1975, dispôs da discriminação de regiões pelo Ministério da Agricultura, onde são obrigatórias a execução de planos de proteção ao solo e combate à erosão e a Lei n° 6.662, de 25 de junho de1979, institui o Plano Nacional de Irrigação.

O subsolo e suas riquezas minerais são formados pelo Código de Mineração; pelo Decreto-Lei n° 227, de 28 de fevereiro de 1967; pela Lei n° 7.808, de 18 de julho de1989, regulamentada pelo Decreto n° 98.812, de 9 de janeiro de 1990, que estabelece o regime de permissão de lavra garimpeira.

O solo pode ser degradado pelo parcelamento e pôr distribuição injusta, por isso relembramos o Estatuto da Terra já citado, os dispositivos constitucionais relativos à Reforma Agrária, a competência dos municípios nesse campo e aditamos a isso a Lei n° 4.7778, de 22 de setembro de 1965, que obrigou a consulta às autoridades florestais na aprovação de plantas e planos de loteamento, e a Lei n° 6.766, de 19 de dezembro de 1979, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano.

Além do Código Florestal (Lei n° 4.771/64, já citada), dada a significação desse ecossistema para o Brasil e as agressões que sofre diuturnamente, existem uma grande quantidade de normas esparsas sobre o tema. Destacamos algumas: Decreto n° 97.635, de 10 de abril de 1989, que regula o artigo 27 do Código Florestal e dispõe sobre a prevenção e combate a incêndio florestal; Decreto n° 99.547, de 25 de setembro de 1990, que dispõe sobre a vedação do corte e exploração e comercialização de produtos e subprodutos florestais; Decreto n° 96.944, de 12 de outubro de 1988, que cria o programa de Defesa do Complexo de Ecossistemas da Amazônia; Lei n° 7.754, de 14 de abril de 1989, que prevê medidas para a proteção das florestas existentes nas nascentes 

MEIO AMBIENTE - Ecologia                   

 

As agressões à atmosfera

 

A atmosfera é formada pelos gases que envolvem a terra. Ela tem uma função essencial de dar condições à vida, ao mesmo tempo em que exerce sua função climática, propiciando uma temperatura favorável à vida, filtrando os raios solares.

Esse envoltório gasoso é formado por 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 0,03% de gás carbônico e outros gases em mínima quantidade.

A atmosfera vem sido agredida pelo sensível aumento de gás carbônico (CO), oriundo da queima de combustíveis fósseis e de madeiras pelas queimadas. O gás carbônico, também denominado dióxido de carbono, não pode ser confundido com o monóxido de carbono, que é um outro gás asfixiante e mortal, produzido quando se queima algum combustível que tenha carbono. Na cidade de São Paulo há uma liberação diária de 1.000 toneladas de gás carbônicos e as queimadas de 1988 na Amazônia liberaram um volume de gás equivalente a dezenas de anos de sua liberação na capital de São Paulo.

A própria atmosfera vem sendo destruída pela emissão de clorofluorcarbono que devasta o ozônio da estratosfera causando o buraco na camada desse gás. Essa falha encontrada na Antártida, em 1989, tem o efeito de não mais filtrar os raios ultravioletas do sol, gerando conseqüências mortíferas às células, estendendo-se tão região lesada já para o sul da América do Sul. O clorofluorcarbono (CFC), também denominado freon, é um gás volátil também usado em aerossóis, circuitos de refrigeração em aparelhos de ar condicionado, geladeiras e em embalagens de ovos e sanduíches. A liberação do freon, se não for devidamente controlada, pode resultar no extermínio crescente da vida no planeta.

A atmosfera também é poluída por gases como o aldeído que é tóxico e irritante, resultado principalmente da queima do álcool nos veículos automotores e do uso maciço do tabaco.

O amianto, também liberado pelos automóveis e utilizado na vedação térmica de construções, é um irritante pulmonar e cancerígeno que polui a atmosfera, além de gerar problemas no aparelho digestivo, quando alguém bebe água depositada em caixas d’água feitas desse material.

A fuligem das indústrias, dos automóveis, além das toxinas que a compõe, obscurecem, refletem ou refratam a luz, propiciando modificações do ambiente como um todo.

Os óxidos de nitrogênio “produzidos por motores de combustão interna, aviões, fornos, mineradoras, uso excessivo de fertilizantes, incêndios de bosques e instalações industriais formam o smog das grandes cidades e podem ocasionar infecções respiratórias, entre elas a bronquite dos recém-nascidos”.

Logo, pelos exemplos trazidos percebe-se que a forma escolhida pelo ser humano de se apropriar do mundo encerra uma relação de dominação com relação à natureza, não mais atendendo suas necessidades, mas criando necessidades no interior de um mundo falsamente autônomo, com uma lógica própria que, a cada momento, mais se distancia da totalidade que o sustenta e dá condições para que ele exista enquanto espécie. No lugar de potenciar as práticas de pertinência, o ser humano se encasula numa pseudo-independência do meio ambiente que o circunda, cortando as raízes que dão sua própria razão de ser.

É na atmosfera que se dão outros fenômenos não mais oriundos diretamente de sua poluição, mas que atingem aspectos climáticos do planeta. Os mais conhecidos são os chamados efeito estufa e efeito ilha de calor. O dióxido de carbono (CO) e outros gases agem como se fossem uma parede de vidro de uma estufa, permitindo que o calor solar penetre em dado ecossistema , mas impedindo sua dissipação. Assim, funciona como se fosse um automóvel ao sol, ou uma estufa aprisionando calor. Isso pode gerar crescente aumento da temperatura planetária, podendo promover o degelo parcial das calotas polares com a conseqüente elevação dos níveis das marés, levando a inundações litorâneas. O efeito ilha de calor também é artificialmente provocado em áreas urbanas, modificando as condições meteorológicas em seus aspectos térmicos, de umidade, nebulosidade, pluviosidade e velocidade dos ventos, diferenciando umas áreas das da vizinhança.

Às vezes, fenômenos naturais, que acontecem em regiões industrializadas, geram problemas ambientais graves, como no caso da inversão térmica. Nas épocas mais frias do ano, pode acontecer uma inversão na circulação do ar quente. Nessas épocas, pode acontecer do solo estar muito frio, tornando as camadas inferiores de ar mais frias que as superiores, não havendo a circulação do ar entre as camadas baixas e altas. Isso gera a retenção de poluentes que ficam concentrados na camada inferior, causando expressivos danos para os seres vivos.

A guerra e a fabricação de armas atingem a atmosfera e todos os seres vivos quando a radioatividade é levada pelo ar para regiões distantes do impacto da bomba ou do acidente nuclear ocorrido. Os gases de combate têm no ar o veículo de dispersão de seus efeitos destrutivos, asfixiando, como o cloro e o fosgênio; causando lesões na pele, nos olhos e nas vias respiratórias, como o gás mostarda, e paralisando, como o ácido cianídrico.

Há fenômenos que são compostos em sua origem, como a chuva ácida que envolve a atmosfera e a água. Essa chuva constitui-se de precipitação de água, em estado sólido, líquido ou sob forma de vapor, poluída por gases liberados pela queima de carvão e derivados de petróleo. Tais chuvas, que se tornam cada vez mais freqüentes no Brasil, poluem as águas, penetram nos ecossistemas e destroem a vida aquática.

Sobre essas agressões, cabe citar a Resolução CONAMA n° 3, de 28 de junho de 1990, que estabelece padrões de qualidades do ar, concentrações de poluentes atmosféricos que, ultrapassados, afetam a saúde; a Portaria Normativa do IBAMA n° 348, de 14 de março de 1990, que fixa novos padrões de qualidade do ar e concentração de poluentes atmosféricos visando a saúde e o bem-estar da população, da flora e da fauna. A Portaria n° 534, do IBAMA, de 19 de setembro de 1988, proibiu a fabricação de propelentes à base de CFC. A Resolução CONAMA n° 5, de 5 de junho de1989, instituiu o Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar.

A Resolução n° 7 do CONAMA, de 16 de setembro de 1987, normatiza a comercialização e o uso de produtos que contenham amianto/asbestos. Podem ser encontradas referências ao ar na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente e na Resolução n° 18, de 6 de maio de1986, que institui o Programa de Controle da Poluição do Ar por veículos automotores-PROCONVE.                             

MEIO AMBIENTE – Ecologia   

 

Brasil aceitou projetos associados no PPG-7

 

O argumento para recusá-los, a partir de 95, era de que cairia o ingresso de novos investimentos

 

Os países membros do G-7, grupo que reúne as sete nações mais ricas do mundo, dobraram a resistência do governo brasileiro e conseguiram aprovar em 30 de outubro de 1997, no último dia da reunião anual do programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), a inclusão de projetos bilaterais associados como parte do programa. O Brasil chegou a aprovar a inclusão de cinco projetos associados no PPG-7, entre 1992 e 1995, mas passou a recusar novos projetos desde então por entender que eles fugiam ao desenho original do programa.

A recusa sistemática dos projetos bilaterais associados vinha sendo motivo de insatisfação e conflitos diplomáticos entre os países que financiam o PPG-7 e o Brasil. O G-7 sempre discordou do entendimento do governo brasileiro de que apenas financiamentos estrangeiros destinados diretamente aos projetos ambientais definidos pelo PPG-7 deveriam ser considerados como contribuições ao programa. Na avaliação do G-7, quaisquer tipos de investimentos voltados para a preservação das florestas brasileiras e para melhorar a qualidade de vida das populações nativas deveriam ser considerados como parte do programa, ainda que na categoria de associados.

A resistência do governo brasileiro, entretanto, vinha sendo baseada numa razão específica. Segundo o secretário da Amazônia Legal do Ministério do Meio Ambiente (MMA), José Seixas Lourenço, o governo brasileiro sempre foi “cauteloso” nessa discussão porque, desde 1992, os países doadores do PPG-7 apresentaram pilhas de projetos ambientais já em andamento no Brasil, alegando que eles já significaram uma valiosa contribuição financeira para o programa. “A intenção do programa sempre foi de atrair novos investimentos e, se passássemos a aceitar todos os tipos de projetos, o programa se esvaziaria”, observou.

Um outro motivo para o obstáculo brasileiro na aceitação de projetos bilaterais associados ao PPG-7 era o fato de que o Brasil nunca havia definido critérios sobre o real significado do termo “projetos associados” dentro do programa. O termo sempre mereceu interpretações conflitantes do G-7 e do Brasil. A reunião do PPG-7 em Manaus finalmente pôs um fim no conflito depois que o governo brasileiro aceitou ceder às pressões do G-7 e, por outro lado, os países financiadores aceitaram a condição de o Brasil ter direito a dar um parecer sobre cada projeto associado apresentado e também ter a palavra final se o projeto se enquadra ou não como parte do PPG-7.

A estimativa do Ministério do Meio Ambiente é de que cerca de quarenta projetos associados, particularmente originários dos Estados Unidos, França, Japão e Alemanha, já estão na lista para serem apresentados oficialmente ao governo brasileiro. Um deles é o projeto Lage-Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazonia (LBA), que prevê o compromisso da U.S. National Aeronautics and Space Administration (Nasa) de investir US$ 25 milhões nos próximos cinco anos para pesquisas na área de ecologia, química atmosférica e hidrologia.

Os critérios para aceitação d projetos associados pelo governo brasileiro vão ser testados a partir de agora e avaliados na próxima reunião do PPG-7, marcada para junho de 1998, na França. As critérios, que pela primeira vez serão colocados em prática, foram mais amplamente discutidos na reunião anual do PPG-7 em 1999, no Brasil, quando será feito o balanço das mudanças acertadas no encontro de Manaus. Na próxima reunião, o G-7 também vai avaliar de forma mais detalhada os resultados dos projetos que estão sendo desenvolvidos para, então, definir a segunda etapa do programa que deve ser iniciada no ano 2000.

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia 

 

Canadá abandonou programa do G-7

 

Com orçamento reduzido, país desistiu de proteger florestas brasileiras  

 

O governo brasileiro admitiu ontem que um dos membros do G-7, grupo dos países mais ricos do mundo, desistisse do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7). O Canadá, que não enviou representantes à reunião atual do PPG-7, em Manaus, comunicou ao Banco Mundial, a  que não tem a intenção de doar recursos adicionais ao programa pelo menos a curto e médio prazos.

De acordo com o diretor do PPG-7 no Bird, Robert Schneider, o governo canadense agradeceu mas declinou do convite de enviar representantes ao

Brasil para a reunião do programa. Schneider disse que a justificativa apresentada foi a de que o Canadá experimenta um momento de dificuldade orçamentária e não considerava “justo” participar do encontro quando sua contribuição como doador financeiro do programa não é significativa.

Na avaliação do Banco Mundial e do governo brasileiro, porém, a saída do Canadá não trará maiores conseqüências políticas ou financeiras para o programa. “O Canadá sai, mas em compensação a Holanda e o Japão vão passar a investir mais. Além disso, a Espanha enviou representantes a essa reunião e já nos comunicou do seu interesse em entrar no PPG-7”, disse o secretário da Amazônia Legal do Ministério do Meio Ambiente, José Seixas Lourenço. O diretor Gobind Nankani, do Bird, recomendou que a posição do Canadá seja respeitada e que não seja esquecida a “significativa contribuição canadense na área ambiental”, no passado, inclusive financiando todo o inventário ambiental do Acre.

A expansão da participação da Holanda no PPG-7 é apenas verbal, até agora. O país já liberou US$ 3,2 milhões, através do Rain Forest Trust Fund, do Banco Mundial, para o programa e anunciou ontem a disposição de novos investimentos – mas não anunciou valores. A delegação japonesa também não adiantou valores, mas anunciou que o Japão está especialmente interessado em financiar a preparação dos projetos apresentados ao Bird. Essa é uma área de interesse do PPG-7, uma vez que, em média, três em cada dez projetos são recusados pelo Bird em função do excesso de erros no design dos objetivos, metodologias e aplicação dos recursos.

O Banco Mundial recebe anualmente cerca de US$3 milhões destinados à preparação de projetos gerais a serem submetidos ao próprio banco. O financiamento do Japão, portanto, é visto com bons olhos pelo Bird, uma vez que pela primeira vez um país passa a contribuir com o PPG-7 especificamente numa área considerada problemática do programa. A elaboração de um projeto do PPG-7,segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente, chega a custar 5% do valor total do projeto – em torno de US$ 2 mil a US$ 5 mil.

Num momento em que o PPG-7 discute o seu futuro, o Bird aproveitou a reunião anual para anunciar o seu projeto de descentralização iniciado, efetivamente, em setembro de 1997. A descentralização em andamento veio como resultado de uma “client survey” que apontou a necessidade do Bird quebrar burocracias e se modernizar.

Em respostas às críticas quanto à “lentidão e insatisfatória qualidade técnica” do Bird, disse Koch-Weser, o banco decidiu se reestruturar baseado no conceito “client first” (os clientes em primeiro lugar). Como parte das mudanças, o banco criou dois novos tipos de empréstimos, o empréstimo adaptado (Adaptable Lending) e o empréstimo para aprendizagem e inovação (Learning and Innovations Loans). O Adaptable Lending” é um programa que vai financiar projetos experimentais em que o banco aceita os riscos sem saber se o projeto vai efetivamente vingar. Já o “Learning and Innovations Loans”” vai financiar projetos a longo prazo de até US$ 5 milhões.

Pela primeira vez na história de financiamento do Bird a projetos ambientais, a instituição criou uma linha de crédito específica para o setor privado interessado em investir em meio ambiente. De acordo com Maritta Koch-Weser, os empresários interessados em investir em qualquer país do mundo na área ambiental podem agora negociar diretamente com o Banco Mundial e não mais necessariamente através dos seus governos. O Bird está especialmente interessado no empresariado que quer investir nos setores energético, hidráulico, e de desenvolvimento urbano.  

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia           

 

 As agressões à Fauna

 

Os animais vivem graças a uma cadeia alimentar que se constitui na “transferência da energia alimentar que existe no ambiente natural, numa seqüência na qual alguns organismos consomem e outros são consumidos”. O equilíbrio da vida depende de um relacionamento equilibrado entre as comunidades. Sua quebra pode gerar efeitos incontroláveis, como pragas, por exemplo, no caso de pássaros, que se alimentam de insetos, serem exterminados pela caça ou por agrotóxicos.

A antropia gera essa quebra, não somente diminuindo a freqüência de certos animais em determinada região, como também contribuindo para a extinção de espécies. Hoje, o Brasil sofre o problema de ter várias espécies em fase de extinção.

Para aviventar nossa memória, citemos alguns nomes populares de animais de nossa fauna que estão em via de desaparecer: o guariba da Região Norte e Nordeste; o macaco-aranha da Região Norte; o monocarvueiro da Região Sudeste; o uacari do Amazonas; o sagui do Pará; o macaco-prego-de-peito-amarelo da Bahia, o cuxiú do Pará; o barrigudo da Região Norte e Centro-Oeste; o mico-leão-preto de São Paulo; o mico-de-cheiro do Amazonas; o cachorro-do-mato-de-orlha-curta da Bacia Amazônica; o lobo-guará das Regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste e parte da caatinga do Nordeste; o gato-palheiro do Mato-Grosso; o gato-do=mato da Região Sul; a onça-parda ou sussuarana de todo o território do Brasil; a jaguatirica de todo o território do Brasil; a doninha-amazônica da Bacia Amazônica; o gato-do-mato de todo o território do Brasil; a onça pintada de todo o território do Brasil; o tamanduá-bandeira de todo o território do Brasil; o tatu-bola da caatinga nordestina; o peixe-boi da Bacia Amazônica; a baleia-branca do litoral do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul; o rato-do-mato do Rio Grande do Sul; o cervo-do-pantanal do Centro-Oeste e Sul do Brasil; o veado-campeiro de todo o território do Brasil; a codorna-mineira de Minas Gerais a São Paulo e Mato Grosso; o macuco de Pernambuco ao Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, o gavião-real da Região Amazônica, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, e Rio Grande do Sul; o mutum-cavalo de Alagoas; a jacutinga da Bahia ao Rio Grande do Sul; a rolinha-do-planalto de Mato Grosso, Goiás e São Paulo; o papagaio-de-cara-roxa de São Paulo e Paraná; o papagaio-de-peito-roxo da Bahia ao Rio Grande do Sul; a arara-azul-grande do Maranhão, Pará, Amapá, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Tocantins; a arara-azul-de-lear da Bahia; o pichochó do Espírito Santo, Rio de Janeiro, e de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul; a tartaruga-verde de todo o litoral brasileiro; a tartaruga-de-pente de todo o litoral brasileiro, o jacaré-de-papo-amarelo das Bacias dos rios Francisco, Doce, Paraíba, no Baixo Paraná e, ainda, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, para citar alguns.

Deliberadamente citamos todos esses animais  apenas para mostrar quão grande é a devastação em nossa fauna, já que os citados são apenas uma pequena amostra, pois várias espécies nem foram tocadas por esta lista.

A caça, o manejo inadequado dos ecossistemas, o comércio de couro, peles e dos próprios animais, como os pássaros e peixes que são vendidos no exterior, ao lado dos envenenamentos químicos, contribuem para o desenvolvimento diário das espécies, às vezes nem conhecidas pelos seres humanos.

As biotas são destruídas, não permitindo a sobrevivência dos seres vivos que lá habitam em estreita dependência recíproca, e os nichos ecológicos são desfeitos.

O urbano invade o rural, trazendo práticas que, se de um lado, podem ser fatores de aumento de produção e até mesmo de uso racional da terra, de outro, introduzem práticas agressivas de apropriação e comércio, que atingem, em cheio, a fauna.

Chega a ser descabido dizermos que devemos encarar e tratar os animais como nossos companheiros de jornada, como nossos fraternos amigos que habitam a mesma morada cósmica. Se dissermos isso, logo haverá alguém nos acusando de que nos tornamos místicos. O problema é de outra ordem: temos de admitir que vivemos numa comunidade de seres vivos, que exercem os mais variados papéis no sentido de manter a natureza, estrutura e equilíbrio desse todo dinâmico e instável que chamamos biosfera. Ninguém é desprezível. Todos tem função nessa teia interdependente. É o óbvio observável. A erradicação de uma espécie significa a supressão de um conjunto de funções, a retirada de um protagonista de uma cena cósmica, o avanço das forças da morte sobre as da vida.

Além dos documentos legais, protetores da fauna, já citados no texto sobre a flora, podemos, ainda, destacar como significativos a Lei n° 5.197, de 3 de janeiro de 1967, que estabeleceu as normas básicas para a proteção da fauna, a portaria do IBAMA n° 2.114, de 24 de outubro de 1990, que determinou o proibição do comércio de animais silvestres; a Portaria n° 79-P, de 3 de março de 1975, do IBDF, que estabeleceu as normas para a caça amadorística; a Lei n° 5.197, de 3 de janeiro de 1967, que dispôs sobre a proteção à fauna; a Portaria n° 1.522, de 19 de dezembro de 1989, que publicou a lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçada de extinção; a Lei n° 7.679, de 22 de novembro de 1988, que tratou da proibição da pesca em período de reprodução.

 

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia

 

Ciência,Ecologia e Turismo

 

Esses três ingredientes juntos formam o centro de pesquisas Canguçu, que faz parte do projeto Seqüestro de Carbono, desenvolvido na Ilha do Bananal. E plena floresta amazônica, cerrado e pantanal; o centro, tipicamente construído em madeira, conta com modernas instalações projetadas pelo arquiteto Luís Hidelbrado Ferreira Paz. São quatro suítes, laboratórios, restaurante, cozinha, área de serviços e observação. O centro Canguçu (nome de uma onça da região) pode receber até 12 pessoas e dispõe de equipamentos de informática (inclusive internet), telefonia rural e outros materiais necessários à compilação de dados pesquisados. O projeto Seqüestro de Carbono é o primeiro resultados na América Latina (existem mais dois no Brasil), e deverá atrair pesquisadores de vários países, em função de estar localizado numa região que abriga três ecossistemas: floresta amazônica, cerrado e pantanal. Para os leigos no assunto vale explicar que seqüestro de carbono é um termo designado para o trabalho de contenção do acúmulo de Co2 (gás carbônico) na atmosfera e a conseqüente redução dos efeitos climáticos. O projeto se fundamenta em preservação e conservação ambiental. Ocorre que a grande quantidade de Co2 liberada na atmosfera funciona como uma grande cortina sobre, a Terra, bloqueando a saída da radiação quente para o espaço, isto provoca o efeito estufa. Estudos mostram que existem duas formas de reduzir a ação dos gases emitidos e a preservação das plantas que absorvem o gás carbônico durante a fotossíntese. É exatamente esse o propósito do projeto: promover a captura (o seqüestro) do gás carbônico, através do meio ambiente. Outra grande preocupação do projeto é reter desmatamentos e queimadas em áreas florestais. O seqüestro de carbono da  região da Ilha do Bananal é desenvolvimento pela Ecológia Planejamento e Desenvolvimento Ambiental, com financiamento da AES Barry, uma empresa de energia elétrica do País de Gales, na Grã-Bretanha. O projeto visa a conservação de 200 mil hectares de florestas na regiào, através de manejo, educação junto ã população local e pesquisa na região. "Nos do Tocantins temos a peculiaridade de transformar sonho em realidade", disse o diretor-executivo da Ecológia, Divaldo Rezende, ao inaugurar, dia 6 de agosto, o centro de pesquisas, às margens do rio Javaés, no município de Pium. A emoção do ambientalista, atuante no Estado desde o início da década de 90, foi compartilhada pelo governador Siqueira Campos, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho e muitas e outras autoridades locais, naiconais e internacionais ao evento.

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia

 

Agricultura, segurança alimentar e biodiversidade

 

Em 1990, a fome e a subnutrição atingiam a dois terços da população brasileira, resultado direto da política agrícola implementada nas duas últimas décadas e do sistema de distribuição de renda. A inserção da agricultura brasileira no sistema produtivo mundial, a partir de 1960, sinalizou o rumo da modernização, que se caracterizou pela implantação de monoculturas como o café, soja, laranja, trigo e cana-de-açúcar, através de dois fatores combinados: a intensificação do uso de máquinas e insumos modernos e o aprofundamento das relações sociais capitalistas de produção. Esses fatores induziram o aumento da concentração fundiária e a uma forte migração rural-urbana, elevando substancialmente a demanda de alimentos no mercado interno.

A par do aumento dos índices de fome e desnutrição, a modernização da agricultura brasileira provoca mudanças aceleradas, que desestabilizam o meio ambiente. A erosão constitui um exemplo do processo de deterioração, perda da fertilidade e degradação de grande pane dos solos.

O processo de institucionalização da agricultura, subsidiada pelo Estado, provocou o aumento exponencial da pauperização da população e a dilapidação de parte substancial dos recursos naturais. Reverter este quadro significa mudar as prioridades da política agrícola, implementam um novo modelo, que contemple a melhor distribuição da população rural no território, que priorize a produção de alimentos, o manejo adequado dos solos, a alocação correta de recursos hídricos e que pressuponha o uso de tecnologias adequadas para cada região.

Visando a segurança alimentar, é necessário a ampliação da base genética contida nas plantas que são utilizadas tradicionalmente na alimentação. É de fundamental importância para o país buscar alternativas, através da pesquisa agrícola desenvolvida em sistemas de conservação in situ e ex situ, baseados em bancos de germoplasma, jardins botânicos e reservas genéticas.

 

Oportunidades de desenvolvimento a partir da biodiversidade

 

O objetivo da conservação de recursos genéticos e da preservação da biodiversidade é o de concentrar-se nas espécies que tenham impacto na modernização de setores estratégicos, como a saúde humana e animal, a agricultura e o meio ambiente, e o de assegurar que esse material genético, assim como as informações sobre ele, estejam disponíveis tanto para as gerações presentes como futuras.

A internacionalização da legislação sobre propriedade industrial aplicada aos produtos biológicos, conforme proposta por alguns países desenvolvidos, permitirá a apropriação legalizada daqueles recursos pelos países mais avançados, que possuem uma vantagem indiscutível em relação aos países em desenvolvimento, no que se refere às técnicas de utilização de recursos genéticos.

Sabe-se hoje que o verdadeiro controle sobre os recursos genéticos está no acesso à informação do material genético e na possibilidade de seu uso, através do domínio das técnicas de manipulação. Portanto, qualquer lei sobre propriedade intelectual aplicada a essa área tenderá a beneficiar aqueles países onde as técnicas de utilização de recursos genéticos estão mais avançadas.

As discussões internacionais da matéria interessam de modo particular ao Brasil, em virtude de sua excepcional diversidade biológica. O conhecimento da biodiversidade, tinto em nível científico como popular, é parte do patrimônio científico e cultural de cada nação. O uso desse conhecimento deve ser devidamente regulamentado e controlado pelo país que o possui.

 

Instrumentos para o desenvolvimento sustentável

 

Na construção de um novo estilo de desenvolvimento assume papel central a estratégia de formação de recursos humanos, da qual resulte a universalização do acesso à educação básica e à conscientização da população com respeito aos problemas ambientais.

A prioridade de qualquer política pública na área social deverá estar voltada para a formação de recursos humanos. Por outro lado, é necessário ampliar e intensificar a formação de educadores e profissionais dos mais diversos ramos da ciência.

Para enfrentar os desafios do desenvolvimento sustentável, baseado no novo paradigma de organização e administração dos processos de trabalho na indústria, agricultura, mineração e serviços, deve ser enfatizada ainda a participação dos produtores em decisões que afetem seus destinos e na descentralização sistemática do aparelho decisório.

As políticas específicas devem variar em função das peculiaridades regionais e da promoção prioritária de atividades geradoras de empregos, capazes de assimilar e incorporar tecnologias que maximizem o aproveitamento de recursos energéticos locais e desenvolvam novos produtos orientados para os mercados interno e externo. Tendo em vista as escalas da maioria das explorações agropecuárias e extrativistas, tecnologias tradicionais sujeitas a melhorias incrementais podem ser eficientes e mais facilmente acessíveis aos pequenos agricultores, sem causar rupturas na configuração sociocultural e ecológica.

O esforço de formação interna e o intercâmbio com pesquisadores do exterior, seguidos de sua fixação em instituições brasileiras de ensino e pesquisa, permitiram a geração de uma competência científica emergente às questões ambientais. Todavia, os cursos de formação, reciclagem ou pós-graduação, dirigidos para a problemática ambiental, reproduziram a tendência de uma forte orientação setorial, em contraposição à abordagem transetorial e transdisciplinar que a natureza dessa questão requer.

Além da necessidade de preparar docentes e pesquisadores para as instituições de ensino superior, formados e treinados dentro de uma visão integrada da problemática ambiental, existe uma imensa demanda insatisfeita por treinamentos intensivos em gerenciamento de recursos e impactos ambientais, nas empresas privadas e nas instituições públicas.

A implementação das estratégias de desenvolvimento sustentável necessita, além dos instrumentos adequados, de uma base organizacional compatível com novos modelos de gestão.

A crise do Estado introduziu um novo componente nas políticas públicas, que é a baixa capacidade de poupança do setor público, fazendo do setor privado o agente mais capitalizado. Portanto, a discussão sobre divisão de competências deve agora incluir as relações entre ambos, e não apenas entre diferentes níveis do setor público.

Colocar em prática uma nova gestão ambiental é, em grande parte, responsabilidade do Estado. Identificar qual a gestão ambiental desejável requer que se leve em conta que o Estado deve repartir responsabilidades com o setor privado, organizações não-governamentais e com a sociedade em geral, em decorrência não apenas da crise financeira em que se encontra, mas também da democratização do país. A nova gestão deverá ser descentralizada, com maior eqüidade na distribuição dos custos. Deve também ter visão abrangente de modo a considerar, de maneira indissolúvel, a questão ambiental e a questão do desenvolvimento econômico e social.

A Constituição contém princípios descentralizadores em vários aspectos, inclusive na política ambiental, e promove uma reforma tributaria que confere 63 % da arrecadação geral do país aos estados e municípios.

As questões relativas ao meio ambiente encontram-se no centro de toda a temática descrita, à medida que o texto constitucional lhe dá tratamento complexo, descentralizando algumas atribuições e mantendo centralizadas outras. De qualquer forma, a Constituição representa um enorme avanço na institucionalização dos assuntos relativos ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável, conferindo ao governo e à  sociedade as bases necessárias para a definição de um novo estilo de desenvolvimento.

A implementação desse novo estilo, por sua vez, impõe à economia brasileira recuperar sua capacidade de poupança. Para tanto, seriam necessários a superação da crise fiscal e o equacionamento do

impasse atual, em que o superávit do balanço de pagamento é drenado pelas obrigações de reembolso da dívida externa e seus serviços.

A Tabela V.2 apresenta os principais indicadores relacionados com o endividamento externo do país, especialmente no tocante ao seu impacto cambial e sobre o grau de abertura da economia, afetado pela contenção das importações e pela deterioração dos termos do intercâmbio.

São ainda notórios o seu impacto fiscal e as limitações para o ajuste patrimonial. O alongamento do perfil da dívida apenas reduz a freqüência das renegociações, pois os encargos se eternizam, convertendo a banca internacional em rentistas sem fisco instalados na economia do país.

Como fontes intern de recursos financeiros para os órgãos integrantes do SISNAMA, além das orçamentarias, destacam-se as penalidades pecuniáias por eles impostas. Entretanto, a inviabilidade de expandir a atuação desses órgãos, a demora nas providências judiciais e o baixo valor destas penalidades têm limitado esses recursos.

Para ampliar essas receitas seria importante a utilização de mecanismos de mercado, tais como taxas e tarifas que incorporem nos custos privados os custos de preservação ambiental por meio de mecanismos que possam assumir a forma do princípio poluidor-pagador. Independentemente do potencial de receita desses mecanismos de mercado, toma-se fundamental o aporte de recursos externos.

A conversão da dívida externa para aplicação em projetos de meio ambiente e, mais amplamente, em projetos de desenvolvimento sustentável constitui uma alternativa importante para a obtenção de recursos, tanto para entidades governamentais como para não-governamentais.

Os empréstimos bilaterais e de agências multilaterais de crédito continuarão a ser essenciais para implementação de projetos ambientais, como também de projetos de desenvolvimento. Entretanto, o que se afigura válido, stlictosensu, para determinados projetos ou setores, só tende a perder sentido numa abordagem de conjunto: se o nível de endividamento tem de ser contido, não há dinheiro novo (Tabela V. 3), os dólares financiados refluem para o serviço da dívida e os projetos “financiados'' de fato se realizam em cruzeiros, com poupança interna.

Evidentemente, como a preservação do meio ambiente é investimento cujo retomo é de difícil quantificação, e muitas vezes envolve responsabilidades globais, os recursos externos utilizados em projetos para tal fim não deveriam ser regidos pelas condições de mercado.

Privilegiam-se as doações ou os empréstimos altamente concessionais, especialmente para projetos de amplitude regional.

Algumas das alternativas existem, como financiamentos exclusivos para a área ambiental, além do Fundo Global de Meio Ambiente - GEF, para apoiar projetos relacionados a alterações climáticas, degradação das águas internacionais, perda da biodiversidade e destruição da camada de ozônio.

  

 

MEIO AMBIENTE – Ecologia

 

A duração do lixo no mar

 

Papel toalha: duas a quatro semanas

Filtro de cigarro ("bituca") : 14 meses

Caixa de papelão: dois meses

Luvas de algodão: cinco meses

Porta- latinhas foto- degradável: seis meses

Jornal: seis meses

Fralda descartável biodegradável; um ano

Pedaço de madeira pintada: 13 anos

Lata e copo plástico: 50 anos Bóia de isopor:80 anos

Lata de alumínio:200 anos

Porta- latinha de plástico:400 anos

Garrafa plástica (PET): 450 anos

Fralda descartável comum: 450 anos

Linha de nylon: 650 anos

Vidro: tempo indeterminado

Lixo radioativo: 250 mil anos ou mais.


MEIO AMBIENTE - Ecologia

 

Greenpeace torna-se acionista da Shell

 

Amsterdã – Deixando de lado as conhecidas balsas de borracha, os trajes de mergulho e as algemas, os ativistas do Greenpeace brandiram ontem, em Amsterdã, a nova arma com que pretendem dobrar uma das maiores companhias petrolíferas do mundo: o mercado de capitais. O grupo ambientalistas anunciou ter comprado 250 mil euros (US$ 241,55 mil) em ações do Royal Dutch/ Shell Group. A operação tem por objetivo pressionar o conglomerado de origem anglo-holandesa a construir uma imensa fábrica para a produção de painéis solares.

 

A guerrilha na área de investimentos é um marco na atividade dos ecologistas. Praticamente da noite para o dia, os antes radicais esquerdistas transformaram-se em dedicados e interessados participantes do mercado de capitais.

 “Estamos tentando jogar o jogo deles”, disse o porta- voz do Greenpeace, Sander van Egmond. “Os acionistas são os donos da empresa. Essa é uma forma bastante direta de exercer influência sobre os executivos”, completa.

 

Com o investimento nos papéis, o Greenpeace preencheu os requisitos exigidos pela bolsa de valores de Amsterdã para comunicar suas propostas aos outros acionistas – cujos nomes só são conhecidos pela própria bolsa. O poder que lhe foi conferido pela posse das 4.400 ações será usado no trabalho de convencimento de outros sócios minoritários, da necessidade de obrigar a Shell a construir uma fábrica com capacidade de produção de 5 milhões de painéis solares.

 

A Shell marcou assembléia geral de acionistas para o dia 9 de maio. Para persuadir os proprietários das 2,14 bilhões de ações da companhia negociadas na bolsa de Amsterdã o Greenpeace também conta com a ajuda da consultoria KPMG.

 

Em um estudo, os consultores calculam que a Shelll poderá conseguir um retorno de 15% sobre investimentos em energia solar. Van Egmond afirma que a entidade tem “uma tese bastante defensável”.

 

Na Shell, o porta-voz Henk Bunder disse que a companhia estava “muito satisfeita” com o investimento do Greenpeace e dará as boas vindas aos ativistas que participarem de suas assembléias de acionistas. O executivo afirmou, também que a Shell considera a produção de energia solar como um negócio e que vê “possibilidade de crescimento”. Ele ressaltou, no entanto, que “consideramos que a iniciativa deve ser implantada aos poucos, pois é necessário que haja mercado para o produto”.

 

De acordo com Sander Van Egmond, o investimento foi financiado por um “mix” de alternativas. Isto significa, segundo ele, que “não teremos nem lucro nem prejuízo”.

 

A aquisição das ações da Shell não foi uma tática inovadora apenas para o Greenpeace. Também pode afetar as fórmulas tradicionais observadas no mercado de capitais. Até agora, os investidores têm se preocupado basicamente com o retorno dos investimentos. Daqui para frente, poderão olhar também para a responsabilidade social das companhias abertas.

 

Em uma outra iniciativa semelhante, o Greenpeace anunciou que trabalha, também, com um grupo de proprietários de mais de 150 mil ações da British Petroleum-Amoco. Neste caso, a proposta dos ecologistas é fazer oposição ao projeto de construção do oleoduto Northstar, em assembléia geral marcada para o dia 13 de abril.

 

Mas, foi contra a Shell que o Greenpeace conseguiu um de seus maiores feitos. Em 1995, os ativistas invadiram uma plataforma submarina desativada, no Mar do Norte, a Brent Spar, e recusaram-se a sair até que a empresa abandonasse seus planos de afundar a estrutura. Hoje, o Greenpeace tem enfrentado seus próprios problemas, pois seus protestos extravagantes perderam o fascínio. A grande queda no número de filiados e de doações, desde a década de 80, obrigou a entidade a fazer profundos cortes de orçamento e de equipe.

 

 

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia          

 

Origem da água

 

A explicação científica para a delicada combinação de fatores que resultaram no milagre da vida

 

Durante os primeiros milhões de anos do Universo, imensas nuvens de hidrogênio dispersas pelo cosmos se adensaram até atingir concentrações de várias centenas de milhares de partículas por centímetro cúbico. Sua temperatura ultrapassava centena de milhares de graus. Eventualmente acendiam fornalhas celestes. Eram as primeiras estrelas. Só existiam no cosmos os dois elementos mais simples: hidrogênio e hélio. Todos os outros, como ferro, ouro, urânio e oxigênio, cuja combinação com o hidrogênio iria formar a água, foram fabricados no interior das estrelas.

Mais tarde, condições muito especiais facilitaram a união do hidrogênio ao oxigênio, na proporção de dois átomos de hidrogênio para um de oxigênio. As primeiras nuvens de água permaneceram na forma de vapor nas regiões periféricas das estrelas. E a água expandiu-se, depois, para todos os lugares. Com o nascimento dos planetas o vapor d’água ficou aprisionado nas entranhas desses novos corpos celestes. No sistema solar, somente um planeta - a Terra - parece ter reunido fatores (tamanho, força gravitacional e distância do Sol) em condições ideais para que a água pudesse se apresentar naturalmente em seus três estados (líquido, gasoso e sólido), tornando possível a vida no planeta.

 

 

Água: O combustível da vida

 

Substância primordial do Universo e fonte da vida, a água compõe 70% do planeta e, curiosamente, o mesmo percentual do corpo humano. A quase totalidade das águas que cobrem a Terra é a mesma desde a sua origem. A mesma em que os dinossauros se banhavam e bebiam, há bilhões de anos. Desde então, essas águas circulam, mudando de estado físico e de lugar, num ciclo que não se interrompe e no qual elas estão sempre se renovando e, por isso mesmo, mantendo generosamente, apesar do desperdício, da poluição e da contaminação promovidos pelo homem, a vida do planeta e dos seres que o habitam.

 

A água no corpo humano

 

A vida, que teve início no oceano, jamais se afastou da água. Ela é o alimento mineral mais precioso para os seres vivos, um componente fisiologicamente indispensável à vida. Quase 95% do feto humano é feito de água. No organismo adulto, devido ao desenvolvimento do esqueleto, formado em grande parte por matéria seca, essa porcentagem se reduz, embora continue sendo elevada: nunca inferior a 65%. Se não contivesse água, o corpo de um ser humano adulto não teria mais do que 60 centímetros de altura e pesaria aproximadamente 45 quilos. Mas existir vida nessas condições seria completamente impossível.

A água no corpo humano - assim como em outros animais e vegetais - não desempenha somente um papel estrutural, como componente obrigatório das células. Ela é o veículo que transporta substâncias dentro e para fora do organismo. Atravessa facilmente as membranas de todas as células e regula a temperatura corporal através da transpiração ou passando ao estado gasoso. Com a perda de um litro d’água, o organismo começa a sentir sede. A partir de dois litros, surgem algumas complicações - a fadiga é uma delas. Quando um ser humano perde cinco ou seis litros de água, passa a correr sério risco de vida. O homem consegue ficar a té 28 dias sem alimento, mas apenas três sem água.

Na criança, pode haver mais água. No velho, menos. É a falta de água que enruga a pele. Qualquer perda tem de ser reposta e o organismo sinaliza através da sede. Em condições normais, o homem perde aproximadamente 2,5 litros de água por dia - 0,4 litro quando expira; 1,2 litros ao urinar; 0,6 litro com a transpiração; e 0,1 a 0,3 ao evacuar. Diariamente, ele necessita de quase três litros d’água, quantidade que pode ser reposta através da ingestão direta (1,5 litro), dos alimentos (1,0 litro), e com a queima de açucares no organismo (0,35 litro).

 

Escassez que preocupa

 

Desperdício de água doce encarece e ameaça o abastecimento

 

A Terra tem aproximadamente 1,4 trilhão de quilômetros cúbicos de água. Pode parcer muito, mas não é. Desse volume, a maior parte está nos oceanos. Do total de água doce, só 1,5% está em rios, lagos e cursos d’água. A quase totalidade (97%) está em reservatórios subterrâneos que podem chegar a 800 metros de profundidade.

O uso irracional da água transforma o abastecimento - tanto residencial como industrial - em um dos grandes problemas mundiais. A explosão urbana desordenada dos anos 80 transferiu para metrópoles emergentes em todo o mundo, como São Paulo, Cidade do México e Beijing, uma preocupação típica de países do Oriente Médio e da Ásia: a iminência da escassez de água em condições de uso.

Nos últimos 50 anos, o consumo de água no mundo mais que triplicou. Nesse período, a Terra ganhou cinco bilhões de habitantes. O gasto per capita também cresceu. Hoje, as pessoas consomem em média 800 metros cúbicos de água por ano, 50% a mais do que 45 anos atrás. Estudiosos acreditam que nos próximos anos a água poderá ser alvo de disputas financeiras e o estopim de guerras, assim como ocorreu com o petróleo nos anos 70. Em alguns países, o custo da água já supera o do petróleo.

Mesmo num país de natureza pródiga como o Brasil, que detém 14% das águas doces do mundo, esse líquido que vale ouro pode se tornar mais caro e escasso. Só em Brasília, a oferta de água diminui um terço desde a sua fundação. Estima-se que, em todo o País, o desperdício alcance 40% do total consumido. Cada gota de água desperdiçada significa dinheiro jogado fora e mau uso das escassas fontes de água doce, tornando cada vez mais difícil e caro abastecer a população com água potável.

 

Gotas de curiosidade

 

O consumo total de água em uma cidade de grande porte, se dividido pelo número de habitantes, é estimado em 500 litros diários.

Uma pessoa gasta, em média, de 75 a 200 litros de água por dia em ingestão, cuidados pessoais, limpeza, preparo de alimentos.

A lavagem de carro com mangueira de jardim pode consumir até 600 litros de água.

Para produzir um litro de cerveja são necessários 30 litros de água, e para produzir uma tonelada de milho exige 1,6 milhão de litros de água.

Do total de recursos hídricos disponíveis no mundo, 69% destinam-se ao uso agrícola, 23% vão para as indústrias e 8% para o consumo doméstico.

Uma refinaria gasta, em média, de meio a um metro cúbico de água para processar um metro cúbico de petróleo.  

 

Água doente, vida em perigo

 

A água que chega pela torneira percorre um longo caminho: depois de ser captada em um manancial, é transportada por tubulações até uma estação de tratamento, e daí até um reservatório, de onde é distribuída. Geralmente, as águas que abastecem as cidades são captadas nos rios, mas em certas regiões brasileiras, como no Nordeste, a água subterrânea - retirada de fraturas e falhas de rochas - tem sido muitas vezes a única fonte de abastecimento.

Toda água depois de utilizada fica suja. Ela passa a trasnportar restos de alimentos, urina, fezes, resíduos e substâncias químicas. A água utilizada se transformou em água servida, ou esgoto, composto por 99,9% de água e 0,1% de sólidos dissolvidos em suspensão. É preciso coletá-lo e tratá-lo. O tratamento retira dele detritos, substâncias químicas e microorganismos, deixando as águas tão limpas quanto possível, antes de despejá-las nos rios e mares. As águas completam naturalmente o processo, graças à sua capacidade de autodepuração.

No Brasil, somente 10% do esgoto recebem tratamento adequado. O restante é despejado diretamente no solo, em cursos d’água ou valas que correm a céu aberto. Do total de domicílios urbanos, mais da metade (51,8%) não tem esgoto e outros 23,8% não dispõem de água encanada. Os 36 milhões de brasileiros que não recebem água em casa se abastecem em poços, rios ou outros mananciais próximos, cujas águas podem estar contaminadas ou poluídas. Os números desse triste desempenho se revelam no estado de saúde da população: 30% das mortes de crianças brasileiras com menos de um ano são causadas por falta de saneamento básico. Outro dado surpreendente é o percentual de internações no mundo vinculado à qualidade da água: 65% do total. Prova que esse alimento mineral precioso para os seres vivos é mesmo o combustível da vida.

 

 

 

MEIO AMBIENTE – Ecologia      

 

Queimar a Amazônia significa destruir uma riqueza natural de grande valia para o futuro do Brasil e do mundo.

 

A Floresta Amazônica, ou hiléia, com seus 5.000.000 km2 e 20 milhões de habitantes, estende-se por nove países, cobrindo mais da metade da superfície do Brasil (uma área sete vezes maior que a França). O clima é quente e úmido, com a temperatura média anual ficando em torno de 26ºC, enquanto as precipitações geralmente ultrapassam a 2.000 mm/ano. Ventos oriundos do Leste, trazem consigo aproximadamente 50% do vapor d’ água que dá origem ás chuvas torrenciais comuns na região.

Nas águas claras, pretas ou brancas, dos rios que drenam a Bacia Amazônica, correm 1/5 de toda a água doce do Planeta. O maior de seus rios, o Amazonas, para onde converge toda a água circulante na Bacia, despeja no oceano um volume de aproximadamente 175 milhões de litros de água por segundo, volume superior a qualquer outro rio existente.

Num hectare de Floresta Amazônica – este gigante laboratório da natureza-, ou seja, pedaço de terra do tamanho de uma quadra urbana, são encontradas de 100 a 300 diferentes espécies de árvores, número superior ao total de espécies de árvores, número superior ao total de espécies de toda a floresta temperada da França, estimada em cerca de 50 espécies. A riqueza da fauna ictiológica não é menor. Enquanto em todo o Hemisfério Norte existem pouco mais de 600 espécies de peixes de água doce e estuarinas, nos rios amazônicos vivem aproximadamente 1.700 espécies de peixes, das quais só o Rio Negro abriga mais de 700 dessas espécies. No entanto, cumpre ressaltar que os números acerca da biodiversidade da Floresta Amazônica estão longe de ser conclusivos. Tomando como exemplo os peixes de água doce, estima-se que poderá levar até um século para que se chegue a coletar e descrever de 80 a 90% do total de espécies existentes na região.

A velocidade da destruição dos recursos naturais em todo o mundo é espantosa. Milhares de espécies de plantas desaparecem a cada ano, em conseqüência da devastação das florestas tropicais que, uma vez extintas, nunca mais voltarão a existir.

Até 1990, a Floresta Amazônica brasileira já havia sofrido um desmatamento de 41,5 milhões de hectares, ao todo, uma área do tamanho da Suécia. Ao se manter as atuais taxas de desmatamento registradas na região, a Amazônia corre sério risco de desaparecer num futuro próximo, o que resultará na extinção de um número incontável de espécies animais e vegetais, muitas das quais ainda virtualmente desconhecidas do homem.

A destruição não é de agora, quando se houve falar muito da floresta. A lenta e silenciosa agonia da Floresta Amazônica começou há muito tempo, desde que os europeus ocuparam a América. Agora, trata-se de se encontrar novos caminhos de desenvolvimento que garantam a preservação da floresta, antes que seja tarde demais.

No entanto, a salvação da Amazônia não depende apenas dos brasileiros, mas também do mundo desenvolvido. Os países ricos consomem 25 vezes mais recursos naturais, por habitante, que os países pobres. Se os países pobres não tiveram acesso a esses recursos e se esses recursos não forem melhor distribuídos, a conservação da Floresta Amazônica estará ameaçada.

 

Preservar a Amazônia significa, então:

1-     mudar nossa maneira de progredir, destruindo menos os recursos naturais;

2-     distribuir melhor os frutos do progresso entre países ricos e pobres.

 

A maior riqueza da Floresta Amazônica é a biodiversidade, ou seja, a quantidade e variedade de plantas e animais que nela vivem. Cada planta ou animal é um tesouro, mas essa riqueza, que parece um vasto tapete verde, está assentada em terras muito pobres. A floresta vive dela mesma, isto é, das folhas que caem e das árvores que morrem. Se as árvores forem derrubadas, a Amazônia poderá sofrer um severo processo de desertificação, com perdas irreparáveis de biodiversidade. Certamente é possível explorar os recursos da Amazônia, mas primeiro é preciso conhece-los.

A destruição do maior patrimônio natural da humanidade chama a atenção de todos porque está demonstrando que alguma coisa está errada na maneira como progredimos. Não tem sentido essa maneira de progredir, que pode eliminar também quem seria o maior interessado no progresso – o próprio homem.

 


MEIO AMBIENTE – Ecologia              

 

A Amazônia muda de lógica

 

O Reconhecimento do enorme valor da biodiversidade está permitindo ao Brasil reorientar o desenvolvimento na Amazônia, até agora realizado através de atividades depredadoras de seus recursos naturais.

O Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para Uso Sustentado da Biodiversidade (PROBEM), definido em 1997, procura converter a Amazônia em fonte de produtos de alto valor agregado e de conhecimentos científicos avançados, principalmente pela biotecnologia. Essa atividade, uma vocação tardiamente reconhecida, tem interesse em conservar a riqueza natural, tal como o turismo ecológico. Dessa forma, muda a lógica da expansão econômica em vigor, baseada na extração de madeira e minérios, pecuária e monocultura, todos devastadores de florestas.

Além disso, os indígenas e outros tradicionais habitantes locais serão beneficiados, por que verão remuneradas suas contribuições à geração de novos produtos, como os conhecimentos que têm sobre propriedades medicinais, alimentares, cosméticas e aromáticas de vegetais ou animais da região. Os moradores da floresta têm esse patrimônio, que representa “ um grande caminho já percorrido” para a pesquisa e que “todos os pesquisadores nacionais ou estrangeiros procuram”, disse Mary Allegretti, secretaria de Coordenação da Amazônia no Ministério do Meio Ambiente. O PROBEM obteve, na semana passada, um mecanismo financeiro para sua execução prática, um fundo para financiar projetos de biotecnologia e pagar os direitos à população.

O mecanismo teve por base o Fundo Permanente do Alasca, criado pelos Estados Unidos em 1977, com recursos do petróleo para gestão ambiental e para pagar indenizações e dividendos aos esquimós. Foi uma experiência de sucesso, que acumulou US$ 27 bilhões até 1998. Qualquer empresa ou instituição que pretenda desenvolver produtos a partir de substâncias originárias da Amazônia terá de associar-se à Bioamazônia, organização mista criada pelo governo com a comunidade científica e representantes da sociedade para executar o PROBEM.

A Bioamazônia apóia-se em um instrumento técnico-científico e outro financeiro. O primeiro é o Centro de Biotecnologia da Amazônia, um complexo de 26 laboratórios e serviços, em Manaus, que estabeleceu vínculos com uma rede de universidades e institutos independentes do país, que já realizam trabalhos incluídos no programa. O instrumento financeiro é o Fundo Permanente para a Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia (FPBA), para cuja criação a Bioamazônia recorreu a uma instituição financeira que mantém fundos dedicados a investimentos em meio ambiente, especialmente em biodiversidade.

A meta é captar, em dois anos, cerca de US$ 150 milhões em investimentos privados, enquanto o governo prevê contribuir com US$ 48 milhões até 2003 para o PROBEM. As empresas interessadas em material biológico e dados obtidos pela Bioamazônia pagarão uma tarifa para se incorporarem ao fundo. Como na exploração do petróleo, nessa atividade se impõe o custo da concessão de uma área e, depois, dos resultados obtidos com o produto, acrescentou.

Entretanto, o PROBEM enfrenta uma dificuldade legal. Ainda depende da aprovação de uma legislação que regulamenta o acesso aos recursos genéticos brasileiros. Diante desse vazio legal, vigora a Convenção Mundial sobre Diversidade Biológica, que submete o acesso á autorização do Estado nacional. Sem isso, a retirada de qualquer material genético por estrangeiros é ilegal, esclareceu o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Fazem falta regras para empresas seriamente interessadas em desenvolver produtos biotecnológicos possam fazer a prospecção biológica, afirmou Allegretti.

Os negócios nessa área são quase bilionários. Somente os medicamentos representaram US$ 300 bilhões em 1998 e cerca de 40% deles com origem em fontes naturais, segundo a Bioamazônia. A isso somam-se perfumes, cosméticos alimentos e insumos industriais. O Brasil tem a maior biodiversidade do mundo. Apenas na Amazônia concentram-se de 10 a 15 milhões dos 30 milhões de insetos do mundo e 22% de todas espécies vegetais. “Uma riqueza extraordinária”. É preciso converter isso em realidade econômica, de forma sustentável, em negócios harmônicos com a conservação da diversidade biológica, reconhecem as autoridades ambientais. A “lógica econômica” impede que tenha êxito uma política limitada à repressão das atividades prejudiciais ao meio ambiente, afirmou Allegretti.

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia           

 

Problema do "pulmão do mundo"

 

Em 1976, dois cientistas norte-americanos, Robert Goodland e Howard Irwin publicaram um livro (A Selva Amazônica: do Inferno Verde ao Deserto Vermelho), em que alertavam para o perigo da destruição da selva amazônica : "O ideal seria que a floresta amazônica pudesse ser preservada intacta até que as pesquisas revelassem a melhor maneira de explorá-la produtivamente por tempo indeterminado". Para muitos ecologistas a manutenção da floresta amazônica é um problema mundial. Segundo esses especialistas, a Amazônia detém 1/5 das reservas mundiais de água doce e é coberta por uma floresta tropical responsável pela renovação de 50% do oxigênio da Terra. Outros cientistas, no entanto, discordam desse enfoque, afirmando que o oxigênio produzido pela floresta é consumido por ela própria. De qualquer maneira, a comunidade científica mundial vê com muita preocupação o desmatamento que a floresta vem sofrendo.  A vista inglesa The Ecolgist, por exemplo, afirma que a Amazônia está perdendo "uma área equivalente à do Uruguai, todos os anos". Assim, em 1900, a floresta cobria uma superfície de 35 milhões de km². Em 1980, esse número caiu para 2,7 milhões de km². Ou seja, em oitenta anos a floresta perdeu 24% de sua mata. Os cientistas alertam, ainda, para o fato de grandes florestas podem se transformar em áridos desertos, e citam o exemplo do Saara, uma floresta que, sob a ação erosiva da própria natureza, se transformou no maior deserto do mundo (8 600 000 km²). Em 1980, mais de 400 000 pessoas dedicavam-se  à coleta de madeira na região Norte, abrindo grandes clareiras na floresta. A ação das águas (chuvas e rios) passa então a "lavar" a superfície do solo, descobrindo imensos bancos de areia em lugares antes ocupados por florestas. Muitas espécies vegetais (principalmente madeiras) praticamente têm seus dias contados devido ao corte indiscriminado. E muitos animais já se encontram em processo de extinção, devido à caça. É o caso da capivara, do jacaré, da ariranha, da onça, do veado, da lontra, da arara e do peixe-boi. Mas outros problemas afligem a Amazônia: doença como diarréia, verminose e lepra matam e inutilizam milhares de pessoas todos os anos. Os índios também estão desaparecendo. No século XVII, seu número chegava a várias centenas de milhares; não passavam de 90 000. Isso  acontece centenas porque os brancos os perseguem para tomar-lhe as terras ou os fazem abandonar sues antigos costumes, transformando-os em "mendigos à beira das estradas". Em muitas regiões, no entanto, o grande problema são os conflitos pela posse da terra, entre fazendeiros e pequenos agricultores. Desde que a transamazônica foi aberta, os posseiros chegam aos milhares e vão ocupando a terra que encontram vazia. Acontece que geralmente aparecem fazendeiros alegando serem os donos das terras. Quase sempre esses conflitos são resolvidos a bala, ocasionando mortes de ambos os lados. Para o desenvolvimento industrial no entanto, o problema maior da região é a falta de energia elétrica (fornecida principalmente por termelétricas, que consomem madeira). Esse problema começa a ser resolvido com a construção da Usina de Tucuruí (no Pará), que produzirá 8 milhões de kw e cujo reservatório terá 2500 km de perímetro, quase dezesseis vezes o tamanho da baía de Guanabara.

MEIO AMBIENTE – Ecologia

 

A década do Meio Ambiente

 

Por Algore – Vice presidente dos EUA

 

Devemos conseguir que os próximos dez anos sejam a Década do Meio Ambiente, tanto no Estados Unidos quanto no resto do mundo.

Temos apenas uma Terra e se não a mantivermos saudável e segura, qualquer outro presente que deixarmos para nossos filhos não terá sentido.

Podemos e devemos fazer retroceder a maré de poluição e do aquecimento global. Está cada vez mais claro que a poluição coloca em perigo não apenas nossa qualidade de vida, mas também o próprio tecido da vida em nosso planeta. Ainda existem poderosos apologistas da poluição, que insistem sempre com o argumento de que ela é o preço inevitável que devemos pagar por nossa prosperidade. Isso é falso e, pior ainda, um convite a que se continue com políticas de irresponsabilidade ambiental e com desculpas.

Se fizermos os investimentos corretos, se fizermos as escolhas responsáveis, não teremos de optar entre a economia e o meio ambiente. O Meio Ambiente nos Estados Unidos hoje está mais limpo do que estava há uma geração. Ao mesmo tempo, entramos no mais longo período de crescimento econômico de toda nossa história.

Passaram-se sete anos desde que, pela primeira vez, nos reunimos com os principais fabricantes de veículos para criar uma Associação para uma Nova Geração de Veículos.

Nossa meta era a de trabalhar com os melhores fabricantes para obter veículos três mais eficientes do que os que tínhamos na época, sem sacrificar nem o rendimento, nem a segurança, nem o custo. Podemos agora olhar à frente, para uma data dentro de três ou quatro anos, quando serão produzidos em massa automóveis com muito mais eficiência quanto ao emprego de combustível. Também podemos olhar para o dia em que as famílias poderão comprar carros com uma singular nova tecnologia. Seus motores utilizarão água e aumentarão em 4.000% a eficiência em relação ao consumo de combustível.

Esta nova associação persegue uma estratégia contra a poluição que deve passar pela nossa economia, e a de todo o mundo, nos próximos anos. Uma estratégia que vê as pessoas como aliadas, não adversárias, quando se deve enfrentar os desafios ambientais. Um enfoque que desenvolve nossa responsabilidade para com os demais, para com o ar, a água e a terra que temos em comum, através das fronteiras e das gerações. Na Década do Meio Ambiente, devemos formar associações com toda indústria que queira produzir caminhões mais eficientes quanto ao consumo de combustível, embora os críticos digam que isso nunca poderá ser feito.

Temos de fazer com o livre mercado seja um amigo do meio ambiente, não seu inimigo, e investir mais na conservação dos recursos naturais, na energia renovável e nas tecnologias de rápido crescimento que combatem a poluição. Necessitamos fazer com que sejam cumpridas normas rigorosas, realistas e factíveis para reduzir o smog e a fumaça negra, bem como estender o direito a saber o que acontece em toda área onde a poluição de qualquer tipo ameace a saúde pública. Temos de proteger nossas florestas, nossos rios e nossas terras públicas.

Devemos enfrentar os persistentes desafios que se apresentam em matéria ambiental. Devemos continuar com a proibição dos produtos químicos que corroem nossa camada de ozônio e nos expõem aos perigosos e cancerígenos raios ultravioletas. Se enfrentarmos decididamente este desafio, temos a possibilidade de fechar por completo o buraco na camada de ozônio existente sobre a Antártida dentro das próximas duas gerações.

É preciso darmos passos decisivos – não apenas nos Estados Unidos, mas em todos os países – contra o aquecimento global. Embora ainda não exista um consenso neste assunto, creio que Washington tem de ratificar o Protocolo de Kyoto, o que nos comprometeria a realizar significativas reduções nas emissões de gases causadores do efeito estufa. Temos de assegurar que todas as nações desenvolvidas e em desenvolvimento se comprometam a cumprir com a parte que lhes toca. Podemos combater o aquecimento global de um modo que contemple a criação de postos de trabalho, ao fomentar a existência de um mercado global para as novas tecnologias no setor energético, que, se espera, possa alcançar os US$ 10 bilhões nas próximas duas décadas.

Estes desafios não são fáceis. E, para mim, nunca existiram sem controvérsias. Há mais de uma década, quando me propus a escrever um livro sobre a ecologia (Eearth in the Balance), percebi que era politicamente tolo manifestar de forma tão clara um compromisso com a proteção ambiental, posto por escrito em forma aberta e sem restrições. Mas para mim, o compromisso com o Meio Ambiente sempre foi além do político, é uma profunda obrigação moral.

É necessário que façamos o correto para nosso meio ambiente, porque este compreende tudo o que tem a ver com nossas vidas, desde a simples segurança de que a água que bebemos seja potável até mais sinistra e ameaçadora redução das camadas de gelo nos extremos da Terra. A Terra está por um fio. Podemos e devemos salva-la, e isso representa uma grande responsabilidade para nossa geração. Devemos nos colocar já a executar e concluir esta urgente tarefa.

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia

 

Mudança climática ameaça habitat

 

O aquecimento global está produzindo uma nova geração de refugiados. Assim como os migrantes que todo ano abandonam seus países, eles também estão atrás de melhores condições de vida. Só que os retirantes em questão não são pessoas -e sim ecossistemas inteiros. E eles podem se extinguir antes de conseguir asilo.

Um relatório divulgado ontem pela organização não-governamental WWF (Fundo Mundial para a Natureza, em inglês) mostra que até 35,7% dos habitats do planeta podem sumir em um século devido ao aumento da temperatura terrestre.

A principal conclusão do relatório (disponível no site www.panda.org/resources/publications/climate/speedkills/) é que o aquecimento global está forçando os biomas (grandes comunidades de espécies) a migrar à procura de melhores condições ambientais.

Só que o ritmo desse aquecimento excede a capacidade dos biomas de migrar à procura de melhores condições ambientais. Resultado: as árvores e os habitats que elas abrigam desaparecem.

A situação mais grave é a das florestas do hemisfério Norte, mais sujeitas à variação súbita de temperatura. Estima-se que regiões como o Canadá, a Rússia e a Escandinávia tenham perdas de habitat superiores a 40%.

"Isso não é uma previsão: é apenas um cenário possível", adverte o zoólogo Adam Markham, da ONG Clean Air-Cool Planet (EUA), co-autor do estudo.

Para realizar suas projeções, ele e o ecólogo Jay Malcolm, da Universidade de Toronto (Canadá), levaram em conta a previsão das Nações Unidas de que a concentração de CO2 na atmosfera irá dobrar em 2100 em relação ao início do século 20.

Se isso acontecer, os biomas terão de migrar a velocidades de até 10 quilômetros por ano, algo difícil de imaginar para uma floresta.

A maior taxa de deslocamento -1 quilômetro por ano- foi registrada durante o final da última era glacial, há cerca de 10 mil anos.

 

Jogo de cintura

Para o ecólogo José Maria Cardoso da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco, o ponto fraco do relatório é usar apenas o clima como fator que provoca migração. "Nem sempre o clima é a única variável. O solo, por exemplo, também pode influenciar a movimentação do bioma."

É possível também que os ecossistemas simplesmente se adaptem à nova realidade climática.

Um exemplo desse jogo de cintura foi descrito hoje na "Nature" por um grupo de cientistas norte-americanos. Eles descobriram que a tundra, a vegetação rala do Ártico, conseguiu superar os efeitos do aquecimento global.

Nos anos 80, medições mostraram que o aumento da temperatura no Ártico estava provocando um aumento na decomposição da matéria orgânica, fazendo a tundra emitir uma quantidade de gás carbônico maior do que a sequestrada, acabando com o equilíbrio.

O novo estudo mostrou, no entanto, que a decomposição pode ter aumentado o grau de mineralização do nitrogênio no solo. E isso provocou o crescimento das plantas, que voltaram a absorver CO2 do ar. Ao menos uma vez, a natureza deu a volta por cima.

 

MEIO AMBIENTE - Ecologia

Lenda Indígena

"Um dia a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos guerreiros do arco-íris."
Segundo o Greenpeace, essa é uma profecia feita há mais de 200 anos por uma índia.

 

Você sabia?

A  CITIES, Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas, é um tratado assinado por 152 países, na ONU, e tem a finalidade de fiscalizar o comércio de mais de 30.000 espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção.