SIVAM

 

O espião da Floresta

 

O governo melhora o discurso, mas só tem o Sivam como ação efetiva na Amazônia

 

É praticamente nulo o esforço do governo federal para evitar o desmatamento da Amazônia na escala em que ele se vem produzindo. Não há fiscais suficientes para área tão vasta. Os investimentos públicos na preservação são pífios e a legislação de combate aos crimes ecológicos está recheada de brechas. Além dessas dificuldades, constata- se, no próprio governo, a falta do mesmo empenho e energia que despende em outros assuntos. O Conselho Nacional da Amazônia, presidido por Fernando Henrique Cardoso e composto por quase todos os ministérios, apenas se reuniu duas vezes em dois anos, ainda assim sem tomar nenhuma decisão relevante. Em agosto, o Senado patrocinou em Manaus um seminário sobre a Amazônia e nenhum dos quatro ministros convidados apareceu. "Não conheço nenhum projeto do Executivo para a região", diz o senador Nabor Júnior (PMDB-AC), presidente da comissão da Amazônia no Senado. No que se refere à Amazônia, a impressão que fica é de que em Brasília sobra discurso e falta ação. Por mais contraditório que isso pareça, já é um avanço. No passado, a Amazônia foi prejudicada pelo oposto: planos mirabolantes baseados em concepções equivocadas que acabaram em desastre. No governo atual, pelo menos o discurso é correto. A nova palavra de ordem oficial é o desenvolvimento sustentado: gerar riquezas sem destruir o meio ambiente. Em síntese, o governo federal quer substituir grandes empreendimentos falidos, como Jari, Fordlândia, exportação de madeira, garimpo e pecuária extensiva, por biotecnologia e ecoturismo. Até 2013 estarão extintos todos os incentivos fiscais para empresários que se instalem na região. "Não há mais espaço para implantação de grandes projetos salvadores para a Amazônia", diz o ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause. A exceção desse cenário de boa teoria mas pouca prática é o Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam. Iniciando no governo de Fernando Collor, o Sivam é uma sofisticada rede de radares, satélites e sensores que irá concentrar milhares de informações sobre a região. É um projeto caro. Seu custo, de 1,4 bilhão de dólares, supera o faturamento anual de grandes empresas como a Parmalat ou a Philip Morris no Brasil. Quando entrar em funcionamento, dentro de cinco anos, o sistema de vinte radares interligados será capaz de formar um banco de dados único sobre a Amazônia. Em tempo real, o governo e instituições autorizadas terão acesso a informações sobre desmatamento e queimadas na floresta, tráfego aéreo, novas fronteiras agropecuárias, formação de nuvens, acidentes geográficos e até localização de tribos indígenas que ainda não contatadas. Mais de 1600 instituições já se inscrevam para receber informação do novo sistema. O Sivam pode resolver um dos problemas crônicos em relação à Amazônia, que é saber o que ocorre por lá. Hoje o nível de conhecimento sobre a região é ginasial diante de sua grandiosidade. A Polícia Federal, por exemplo, tem informações seguras sobre esconderijos de traficantes colombianos em alguns ponto da selva brasileira, mas não consegue rastreá- los. Os cinco radares que operam hoje na Amazônia- instalados nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Manaus, Boa Vista e Belém- nem de longe conseguem o que um radar a ser instalado num dos aviões de rastreamento do Sivam é capaz. Os sensores atuais não detectam aviões que voem a altitudes muito baixas. Isso permite que traficantes e garimpeiros ilegais burlem a vigilância da polícia. Com os novos radares, voar ou navegar nos rios em ser detectado é praticamente impossível. Um desses radares tem potência para registrar imagens através da copa das árvores e penetrar sua visão até 2 metros abaixo da superfície do solo e 50 metros na água. Com esse equipamento será possível identificar minério ou locais adequados a tipos específicos de agricultura. Hoje, essas informações via satélite são limitados pelo excesso de nuvens e pela floresta densa. Apesar de sua importância,  o Sivam está atrasado dois anos. A empresa escolhida para fazer o primeiro pré-projeto, a Engenharia de Sistema e Controle e Automação, Essa, faliu. A substituta, a americana Raythe, acabou envolvida em suspeitas de favorecimento que levaram um ministro a pedir demissão e resultaram ainda no afastamento de dois assessores do governo. O Palácio do Planalto teve de se esforçar para derrotar a oposição no Congresso e manter o projeto. Vencidas as suspeitas e resistências, o projeto anda. "Quando o sistema estiver instalado, a Amazônia será mais bem vigiada que o resto do Brasil", garante o coronel Antônio Faria, Chefe da comissão criada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos para instalar o Sivam.     

 

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O Projeto Sivam a região em três grandes áreas de vigilância

 

 

Os contratos do projeto foram alvo de denúncias e investigações

 

Agosto de 1993: O Conselho de Defesa aprova o sistema. Em dezembro, a empresa brasileira Esca é escolhida, sem licitação, para gerenciar a compra de equipamentos

Maio de 1994: A alemã Dasa e a brasileira Unysis são desclassificadas na seleção da empresa fornecedora. No mês seguinte, o governo anuncia a Raytheon

Fevereiro de 1995: O jornal The New York Times fala de propinas pagas pelo consórcio Thomson-Alcatel a autoridades brasileiras

Abril de 1995: o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT) denuncia fraudes da Esca com a Previdência. O governo afasta a empresa, que vai à falência, e fica com a Raytheon

Novembro de 1995: Escuta telefônica flagra conversa do então chefe do crimonial do Planalto, Júlio César Gomes dos Santos, com representantes da Raytheon no Brasil, José Afonso Assunção, dono da Líder Táxi Aéreo. Na conversa, Santos recomenda um pagamento ao senador Gilberto Miranda (ex- PMDB, hoje no PFL), da Comissão de Assuntos Econômicos

Dezembro de 1996: Tribunal de contas da União diz que contrato com a Raytheon é legal

Julho de 1997: O contrato entra em vigor

 

Concebido para ser uma rede de controle sobre todo o espaço da Amazônia Legal, o Sivam pode definir-se como um  sistema de sistemas em que o elemento básico é a informação. O contrato entre o governo brasileiro e a empresa americana Raytheon - ganhadora da concorrência para fornecer os equipamentos, cuja lisura foi questionada pela derrotada francesa Thomson - entrou em vigor em 25 de julho do ano passado, mas só agora o sistema começa a mostrar a cara. Os primeiros softwares já estão saindo de uma unidade da Raytheon em Dallas, Texas (EUA), sob a supervisão do Ministério da Aeronáutica. Aeronaves e equipamentos de tele - comunicação chegam dos Estados Unidos e da Suécia. Enfim, o E.T. ensaia seus primeiros passos e, quando estiver funcionando a pleno vapor, em 2002, levantará desde informações sobre o subsolo da Amazônia até o tráfego aéreo da Amazônia até o tráfego aéreo da região, passando por levantamento de plantas medicinais e controle de doenças. É difícil explicar a pessoas como dona Íris de que forma tudo isso acontece a partir de um aparato tecnológico de última geração, constituído de radares fixos e móveis, sensores térmicos, estações meteorológicas, satélites e outros tantos equipamentos, colocados no mercado comercial com o fim da Guerra Fria. Alguns deles, como o sensor infra vermelho, só apareceram em cena na Guerra do Golfo, em 1991. Por enquanto, o sinal mais claro da presença do Sivam em São Gabriel é o radar de controle de tráfego aéreo, que rivaliza em, altura com a torre da igreja. Com 4,85 toneladas, ele gira 24 horas por dia e passa as informações para um centro em Manaus. O tenente da Aeronáutica Marcelo Martins Soares, um carioca de Bangu de 34 anos, já ficou conhecendo na cidade como "o tenente do radar". Ele reconhece que o Sivam ainda é um corpo estranho na vida de São Gabriel, mas acha que o início das obras civis, marcado para o segundo semestre deste ano, vai introduzir de vez o projeto no cotidiano da cidade. "Espero que passem a me chamar de tenente do Sivam", brinca. Nos 5,2 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia, começam a aparecer as primeiras representações físicas do sistema: em São Gabriel, há o radar, uma vila residencial da Aeronáutica e obras de construção de uma hidrelétrica. Mais ao Sul, em Tabatinga, vêem-se outro radar e obras de nova vila residencial da Aeronáutica. Em Roraima, também desponta na paisagem mais um radar além de um esquadrão de aviões baseado em Boa Vista. Chegando a Manaus, outro radar. Para atenuar o impacto de uma estranha (e crescente) parafernália, a Comissão para a Coordenação do Projeto Sivam, a CCSivam, começou a distribuir em escolas públicas de 26 cidades da Amazônia 115 toneladas de material didático em que a grande estrela é o personagem Sivamzinho, um menino índio interessado nos problemas amazônicos.

O novo herói dos livros didáticos, além de constituir um inusitado lance de marketing, reflete a preocupação do governo brasileiro com a assimilação regional do projeto. Sivamzinho será uma espécie de abre- alas de uma ofensiva social em torno do sistema como um todo Benefícios são prometidos - e esperados . A hidrelétrica do Igarapé Muiá, já em construção em São Gabriel da Cachoeira, deverá produzir energia suficiente para abastecer a cidade a partir do ano 2000. Atualmente, o município tem apenas uma geradora termelétrica e é comum o racionamento: em alguns dias da semana , a energia é fornecida durante 3 horas e cortada outras 3, uma rotina que impede a instalação de indústria e irrita a população, cansada de ver suas geladeiras e seus televisores queimados. A CCSivam acertou também com a Secretaria de Planejamento um projeto de saneamento básico de todas as cidades que vão receber instalações do sistema. Mas é no Rio de Janeiro, a 3.500 quilômetros de São Gabriel, na luxuosa sede Rayteon company, que está guardando o maior segredo do projeto: os programas de computador a ser usados na vigilância amazônica. Com exclusividade, Época mostra uma simulação a partir desses softwares feita para localizar um garimpo ilegal. Essa e outras simulações estão sendo testadas no Rio de Janeiro pelo engenheiro Carlos Gonzaga, diretor técnico do projeto , com base em fotos da Amazônia feitas pelo satélite Landsat 5. É coisa de cinema. A partir da localização de uma pista suspeita de pouso o sistema será capaz de indicar os pontos mais prováveis de funcionamento do garimpo em apenas 3 minutos. De posse dessas indicações, a Polícia Federal então poderá acionar o esquema de estouro do garimpo. De nada  adianta, porém, tanta tecnologia se a PF não tiver uma estrutura de ação rápida na Amazônia. Ao que parece, o governo federal já andou pensando nisso e pretende reestruturar alguns de seus órgãos. "Fizeram um projeto de reaparelhamento da PF, criança softwares próprios para suas atividades", garante o major- brigadeiro- do- ar Marcos Antonio de Oliveira, presidente da CCSivam. Segundo Oliveira, a Fundai também encomendou estudos à comissão.

As Simulações de hoje serão para valer no ano 200. Os programas do sistema deverão animar verdadeiros "filmes de ação", controlados pelos centros regionais - sediados em Manaus, Porto velho e Belém - e no Centro de Coordenação Geral (CCG), em Brasília, o coração do sistema. A platéia dessas sessões será formada exclusivamente por técnicos brasileiros contratados pela CCSivam e por representantes de ministérios e autarquias reunidos no sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Exemplo: no CCG, o Ministério da Saúde terá uma sala com terminais que selecionarão informações sobre controle de doenças ou localização de plantas medicinais na Amazônia. Já a Funai receberá dados sobre invasões de áreas indígenas demarcadas. A captação de informações está baseada em uma complexa teia eletrônica. É como um polvo com milhares de tentáculos. Os centros recebem dados de satélites como o Landsat - que, em sua trajetória, passa pelo mesmo ponto a cada 16 dias -, satélites meteorológicos ativos 24 horas por dia e de equipamentos fixos ou transportáveis por aviões. O sensor infravermelho é uma das grandes novidades. Usado também pela Nasa para mapear a superfície de Vênus, ele  é capaz de "ver" o solo mesmo quando há nuvens espessas em seu caminho. Os técnicos calculam que o sensor poderá mapear todo o solo amazônico em apenas três meses. A Polícia Federal também espera boas-novas desse equipamento. Com ele, tentará desbaratar quadrilhas de traficantes que, no momento, atuam em regiões de fronteira com a Colômbia e a Bolívia. Hoje, essas quadrilhas estão com dificuldades de importar o éter brasileiro para refinar cocaína. Partiram para uma solução ousada: trazer a pasta de coca para o Brasil e secá-la no meio da floresta com a ajuda de poderosas lâmpadas. A prática tem-se alastrado. "O sensor vai detectar qualquer aumento artificial de temperatura em áreas de fronteira e passar as informações para a PF. É ir lá e checar. Ou os suspeitos estarão fazendo churrasco no meio da selva ou estarão secando pasta de coca, o que é mais provável", explica Gonzaga.

Todas as informações serão geocodificadas, cruzando-se um sem-número de coordenadas, desde a data em que foram recolhidas até números referentes a longitude e latitude. São tantos dados que o próprio sistema terá de ser expandido. "Já estamos redimensionando o número de equipamentos. As 200 plataformas de coleta de dados serão insuficientes em pouco tempo. Teremos, em um futuro próximo, 8 mil delas espalhadas pela Amazônia", calcula. Essas plataformas podem operar em lugares isolados da floresta sem nenhuma ajuda humana: funcionam a partir de postes munidos de sensores menores, abastecidos por energia solara e com estações de transmissão de dados por satélite. Entretanto, tecnologia tão precisa não é - e não será - suficiente para rastear as muitas atividades ilícitas da Amazônia, visíveis a olho nu. Em Tabatinga, a 20 metros do posto policial localizado na fronteira do Brasil com a cidade de Letícia, na Colômbia, vende-se gasolina contrabandeada do país vizinho. Na fronteira com a Guiana, prospera o contrabando de cigarros americanos e alho chinês. Disputadíssimos no Brasil, eles chegam nos pequenos barcos que cruzam o Rio Tacutu. Quanto às drogas, estas têm território livre por lá. Mas gente como dona Íris espera algo além do Sivam. "Progresso, não dá mais para agüentar tanto atraso", diz. Mirando o radar da varanda de sua casa, ela não imagina o rosto desse progresso. Sonha com a alergia trazida pelo velho vapor que navegava no Rio Negro em sua infância. O barco tinha dois andares e na hora do jantar, o pessoal da primeira classe se misturava ao da Segunda. Quem viu garante: não há sensor no mundo que consiga captar aquela mesma euforia.

 

Esta é a simulação de uma operação de controle do Sivam, desenvolvida pela Raytheon, com base em fotos do satélite Landsat. Testes desses tipo começam a ser efeitos nos escritórios da empresa americana, no Rio de Janeiro

 

1 Na tela do computador, uma mensagem informa sobre uma pista de pouso suspeita em Guajará - Mirim (RO)

2 Detalhada a imagem mostra latitude, longitude , altitude e inclinação da pista, com 1500 metros de extensão

3 Na tela, o mapa cruza outras informações: cartas de navegação aérea, imagens de radar e dados do IBGE

4 O operador reduz a busca e descarta a área azul: já sabe que o garimpo não está próximo da pista de pouso

5 Coleta dados ambientais e checa a água dos rios: manchas de óleo podem ser sinais do garimpo

6 Aos dados, somam-se informações sobre rotas aéreas, catalogadas como suspeitas pelo sivam

7 O cerco ao garimpo se fecha: o mapa mostra todos os dados, como prisões anteriores de garimpeiros

8 Em vermelho, o ponto provável do garimpo. O alvo laranja é o segundo suspeito. Duração da busca: 3 minutos

 

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Intercâmbio de conhecimentos na Amazônia

 

A Comissão para Coordenação do Sistema de Vigilância da Amazônia do Ministério da Aeronáutica (CCSIVAM) e a Petrobras assinaram, em julho, um acordo de cooperação tecnológica para ampliar os conhecimentos sobre a região amazônica. O documento foi assinado pelo presidente da Petrobras, Philippe Reichstul, e o brigadeiro-do-ar José Orlando Bellon.

O acordo prevê a obtenção de dados científicos, pesquisas sobre a Amazônia e aplicação de tecnologias de sensoriamento remoto com radar, produzidas no Cenpes para essa região. Haverá intercâmbio de informações ambientais e desenvolvimento do banco de dados regional, além do treinamento e formação de técnicos nas áreas de sensoriamento remoto e geoprocessamento.

A cooperação vai auxiliar a implantação do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), também para troca de informações. Com larga experiência em estudos na região, o Cenpes irá fornecer apoio técnico ao projeto.

       

 

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Projeto SIVAM sai do papel – O Governo está empenhado no Projeto porque pouco se sabe sobre a Amazônia Brasileira e não há nenhum controle efetivo sobre as ações criminosas na região

 

Para ser mais eficiente o Sivam dividiu a Amazônia em três áreas prioritárias perfeitamente definidas

 

Com dois anos de atraso, o governo brasileiro sente-se com a chave na ignição para ativar o estratégico Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), que formará uma intrincada rede de coleta e processamento de informações sobre a região. Trata-se de um projeto no valor de US$ 1,395 bilhão, destinado a colocar mais de 5 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Legal. (61% do território brasileiro) sob o alcance dos radares. Os militares costumam comparar a Amazônia a um quarto escuro, com gente dentro, mas que não se vê quem está nele. Atualmente, vários órgãos governamentais atuam na região de forma individualizada, realizando por vezes o mesmo tipo de tarefa, sem compartilhar o conhecimento obtido e sem otimizar o uso do dinheiro dos cofres públicos. Resultado: pouco se sabe sobre a vasta região e não há um efetivo controle sobre as ações criminosas.

Nesse contexto, o Sivam foi criado para estabelecer nova ordem na região. O governo considera o projeto uma poderosa rede de coleta e processamento de informações. Ele vai levantar as informações obtidas por cada órgão governamental que trabalha na Amazônia, tratar e integrar essas informações numa grande base de dados e todos os órgãos vão compartilhar esse conhecimento.

A esperança é que assim sejam eliminadas a duplicação de esforços que existe hoje, adequando-os à utilização dos meios e recursos disponíveis para a realização das tarefas, respeitando a competência institucional de cada organização envolvida.

O Sivam terá uma infra-estrutura comum e integrada de meios técnicos destinados à aquisição e tratamento de dados e para a visualização e difusão de imagens e informações. Os meios abrangem o sensoriamento remoto, a monitoração ambiental e meteorológica, a exploração de comunicações, a vigilância por radares, recursos computacionais e meios de telecomunicações.

As aplicações desses meios técnicos e a associação dos dados obtidos, a partir dos diversos sensores, proporcionarão o fornecimento das informações temáticas particulares às necessidades operacionais de cada usuário.

O sistema dividiu a Amazônia em três áreas sem fronteiras perfeitamente definidas: Manaus, Belém e Porto Velho. Vai criar os Centros Regionais de Vigilância da Amazônia (CRV) nestas três capitais. Esses CRVs terão o seu trabalho coordenado pelo Centro de Coordenação Geral (CCG), em Brasília.

O Sivam contará com um CGC (Brasília), três CRVs (Manaus, Porto Velho e Belém) e diversos órgãos remotos e sensores espalhados por toda a Região Amazônica, os quais terão os seus dados agrupados nos CRVs.

O sistema é composto de uma rede primária de informações, que ligará os CRVs com o CGC, uma rede secundária, que são estações que usarão radares (unidades maiores que possuem satélites, sistema de telecomunicações, radar meteorológico etc) e a rede terciária, que são as estações menores, em áreas remotas, para atendimento dos postos avançados do Ibama, Funai, Pelotão de Fronteira do Exército, Polícia Federal etc.

 

Mesmo estando em áreas remotas o interessado pode acessar o banco de dados através da rede terciária

 

Quem estive em áreas remotas poderá se ligar à rede terciária e, por intermédio da secundária, entrar na rede primária e ter acesso a todas as informações que necessitar. Quando o Sivam estiver pronto, o usuário que estiver em Palmeira do Javari conseguirá, por exemplo, trocar informações com estiver em Cucuí.

 

Interligados

No CCG estarão centralizadas e disponíveis as informações obtidas a partir dos dados tratados pelo Sivam e dos recursos dos órgãos participantes do sistema na região. O conjunto desses dados e informações permitirá ao CGC disponibilizar aos órgãos competentes o conhecimento para permitir ao CGC disponibilizar aos órgãos competentes o conhecimento para permitir tanto a elaboração do planejamento de ações estratégicas como as de caráter emergencial, bem como os programas para a Amazônia.

Os CRVs, localizados em Belém, Manaus e Porto Velho, estarão interligados entre si e ao CGC, funcional e operacionalmente. Os CRVs estarão voltados à concentração, tratamento e difusão de dados e informações na sua área de abrangência, proporcionando o conhecimento necessário para atuação dos participantes do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), possibilitando, ao mesmo tempo, uma melhoria na capacidade de comunicação.

O CRV vai dispor de recursos de telecomunicações, de tratamento e visualização de dados, de sensoriamento remoto por satélite, vigilância por radar, informações gerais, para a atuação coordenada dos órgãos participantes do SIPAM. Os órgãos remotos, como parte integrante do Sistema, serão os responsáveis pela coleta e envio de informações ao CRV correspondente, e prestarão apoio às ações locais, através dos meios técnicos de telecomunicações que serão implantados. Eles estarão ligados aos CRVs por intermédio do Serviço Nacional de Telecomunicações (SNT), ou ainda, via satélite, através de estações implantadas pelo Sivam, podendo propiciar facilidades de uso compartilhado dos meios de telecomunicações às comunidades locais.

Na década de 80, a Amazônia era considerada o pulmão do mundo. Os brasileiros, um bando de incendiários que estavam acabando com o oxigênio do planeta. Os outros países, de olho em nossas riquezas, se diziam preocupados com a saúde da Terra e queriam dar palpite em tudo que acontecia na Amazônia.

Naquela época, existiam na região rotas de tráfico de drogas, ocupação desordenada, invasão de áreas indígenas, contrabando, ações predatórias – principalmente de madeireiras e garimpos ilegais – e a ocorrência de uma série de outros crimes.

Na verdade, com as dificuldades de comunicação e controle da região, ficava difícil para o governo brasileiro saber a real situação da Amazônia. Ao longo dos anos, a situação só piorou. Em 1990, no entanto, foi plantada a semente de esperança para a região através do projeto Sivam.

 

A existência de recursos financeiros é a garantia de que a implantação do Sivam sairá mesmo do papel

 

O governo tem assegurado que o Sivam nunca será incluído no rol das obras inacabadas. A existência de recursos financeiros que garantem a implantação de todo o sistema é a principal característica de sua estrutura de financiamento.

Dessa forma, fica afastada a possibilidade de que o projeto seja interrompido durante a sua fase de execução por falta de recursos. O custo de implantação do Sivam é de US$ 1,395 bilhão. Desse total, US$ 1,285 bilhão destinado a equipamentos e serviços e US$ 110 milhões destinados a obras civis.

O valor está sendo integralmente financiado por meio de cinco contratos firmados pela República Federativa do Brasil. De acordo com as características desse tipo de financiamento, o país que importa os equipamentos paga 15% do seu valor à vista e o país que exporta os bens financia 85% do seu valor.

No caso do Sivam, o governo obteve o financiamento, também da parcela de 15%, que normalmente teria que pagar à vista. Dessa forma, o Projeto iniciou-se sem que o governo tivesse que desembolsar qualquer centavo. Participam do processo de financiamento o Banco do Brasil/Eximbank (US$ 1,022,800,000), Raytheon Credit Facility Company (US$ 239,200,000), Sivam Vendor’s Trust (US$ 48,000,000) e Sek/Ekn (US$ 85,000,000).

O sistema estará totalmente implantado em cinco anos a contar de 28 de julho de 1997. Até o fim de 1998, foram concluídos os projetos de edificações, levantamento de campo e o início do desenvolvimento do software que integrará todo o sistema. Até o final de 1999, o Brasil receberá equipamentos importados (radares, sensores, aparelhos de telecomunicações e aeronaves) e os levará para a região amazônica. Nos três anos seguintes, os equipamentos serão instalados e integrados. No ano 2001, entra em ação o primeiro avião-radar EMB-145AS do Sivam. O presidente FHC, que conheceu os protótipos do avião-radar e do Super Tucano ALX, na Base Aérea de Brasília, deve assinar decreto regulamentando a lei, aprovada no ano passado, que prevê a derrubada de aeronaves hostis que cruzem o espaço aéreo brasileiro. Ele apenas está estudando uma forma de não ferir acordos internacionais assumidos anteriormente. Segundo fontes militares, será possível derrubar aviões antes mesmo da regulamentação. Eles comparam a derrubada de um avião à iniciativa de um policial que atira em um bandido. A Aeronáutica já encomendou cinco aviões modelo EMB-145AS, que têm radar pra vigilância e controle de fronteiras, busca e salvamento, gerenciamento de espaço aéreo e inteligência de comunicações. O governo espera adquirir mais três aviões de sensoriamento remoto. A Aeronáutica já encomendou cinco aviões modelo EMB-145AS, que têm radar para vigilância e controle de fronteiras, busca e salvamento, gerenciamento de espaço aéreo e inteligência de comunicações. O governo espera adquirir mais três aviões de sensoriamento remoto. A Aeronáutica também encomendou à Embraer cem aviões de ataque Super Tucano ALX, que derrubam aviões hostis detectados pelos aviões-radares. O responsável pelo Sivam, brigadeiro-do-ar José Orlando Bellon, acredita que os traficantes de drogas e os contrabandistas de armas escolherão outras rotas, fora do território nacional, assim que os aviões-radares e os aviões de ataque entrarem em ação.

De acordo como o cronograma, no ano 2001 está previsto o término do desenvolvimento do software do Sivam, bem como o término das instalações das áreas de Manaus e Brasília e o início das instalações em Porto Velho e Belém. No ano seguinte, com o término das instalações em Porto Velho e Belém e o recebimento em campo dos últimos equipamentos, será feita a integração das áreas Manaus, Brasília, Porto Velho e Belém.

O Sivam estará totalmente implantado até 2002 e o governo terá o controle total sobre a região.

 

 

 

Projeto Sivam também terá ações voltadas para o social

Até julho de 2002, a Raytheon Brasil Sistemas de Integração Ltda., subsidiária brasileira da Raytheon Company, terá entregado ao governo brasileiro todos os equipamentos de engenharia e de construção para o início do funcionamento do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). 

São 14 radares de rota para controle de tráfego aéreo, seis radares transportáveis de longo alcance, cinco radares de vigilância, dez radares e 297 sensores meteorológicos, cinco receptores de imagens de satélite, três aeronaves de sensoriamento remoto, 940 terminais terrestres de satélites, 336 rádios em VHF que irão equipar 32 estações integradas de comunicação terra/ar, 21 centros principais de comutação de telecomunicações, 940 terminais de usuários para acesso a dados, três centros regionais co-localizados de controle de rotação aérea e três centros regionais de vigilância, entre outros.

Esses equipamentos, da mais alta tecnologia, servirão para, entre outras finalidades, monitoramento ambiental, obtenção de informações de controle de tráfego aéreo e rastreamento de alvos cooperativos e não-cooperativos para coleta de dados ambientais e para apoio de aterrissagens seguras. 

Para isso, o investimento realizado somente pela Raytheon é de US$ 1,4 bilhão. Foi o que informou ontem o presidente da empresa, Gregory David Vuksich, em audiência com o presidente em exercício da Assembléia Legislativa, deputado Cipriano Sabino (PPB), que colocou a Casa “à disposição, para colaborar no que for necessário com o projeto”.

Gregory Vuksich está há um ano e meio no Brasil - ele reside atualmente no Rio de Janeiro -, e esteve em Belém pela primeira vez, para explicar às autoridades locais (Estado e prefeitura) as providências da Raytheon - líder em tecnologia mundial -, para a implementação do projeto Sivam. Hoje, Vuksich estará em Macapá (AP). O empresário falou dos custos e do cronograma de trabalho.

Tanto ao presidente em exercíco da AL quanto a jornalistas, o presidente da Raytheon fez questão de ressaltar que o objetivo do Sivam não é apenas o de combater o narcotráfico na Amazônia, o que é de amplo interesse dos Estados Unidos, como vem sendo destacado pela Imprensa. O combate ao narcotráfico é importante, enfatizou Vuksich, mas a contribuição do projeto à região será “ilimitada”.

Como exemplos, o empresário citou que o projeto vai identificar localidades de focos de doenças, fornecer dados para planejamento urbano das cidades e mapeamento da região e para a proteção de reservas indígenas, rastrear pistas clandestinas para pouso de aeronaves e irá contribuir ainda para o gerencimento de rios e de portos.

“Infelizmente, a Imprensa não fala muito sobre outras coisas, das outras maneiras que o projeto pode ajudar, com outros benefícios para a região”, disse o presidente da Raytheon, com quem concordou Cipriano Sabino. “É fundamental o combate às drogas, mas existem outras funções do Sivam, que terá uma atuação muito importante em relação à agricultura, à navegação, ao meio ambiente”, reforçou o deputado.

Gregory Vuksich informou que o projeto, inclusive, já vem investindo na educação básica da Amazônia. São US$ 4 milhões que já começaram a ser repassados aos Estados e aos municípios. Em Belém, por exemplo, o dinheiro vem sendo empregado em escolas da área do Tucunduba, em capacitação de professores leigos e oferta de cursos profissionalizantes.

 

 

 

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