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Mãe
das águas
Das
deidades femininas aquáticas, a mais conhecida e temida é a Yara ou
Uiara. Bela mulher, fascina e acaba por matar e/ou enlouquecer os homens
que lhe caem sob o poder. Senhora das águas dos igarapés e dos rios,
arrebata o espírito dos homens e o seu encanto é fatal. Diverge da
sereia dos mitos europeus e senhora dos oceanos porque é mulher por
inteiro, não possuindo a metade do corpo em forma de rabo de peixe, como
aquela.
Essa deidade, entretanto, sofre uma forte influência européia. Em
nenhuma lenda indígena do século XVI ou XVII ela aparece, como
atualmente. Ao invés, a "mãe-da-água" era, por assim dizer,
um homem. Um homem-peixe que infundia terror por que de horrenda aparência,
habitante do fundo das águas, inimigo mortal dos pescadores, mariscadores
e, também, das lavadeiras: o Igupiara ou Ipupiara. Embora perseguisse as
pessoas e as matasse interessavam-lhe, apenas, os olhos e os narizes de
suas vítimas.
Esse epíteto, ao que se sabe, foi dado ao monstro pelos portugueses, pois
o índio jamais o teve como "a mãe das águas". Ipupiara
significa tão somente "o que habita no fundo das águas". Os
lusos é que acabaram por confundi-lo com os monstros de suas próprias
lendas, que também dominavam as águas e, embora tratando-se de um ser
masculino, pelo fato de que na teogonia ameríndia a "mãe"
bastar, o Ipupiara foi por eles batizado assim, por analogia e dentro do
aspecto da Mãe Terrível, isto é, a que mata, a que devora e engole.
Mas, há outras mães nas nossas águas. Assim, aqueles insetos vorazes
conhecidos como "Baratas d'água" são as mães das forças
corrompidas das águas estagnadas e, particularmente, os caranguejos
(relacionados com as potências lunares), a bem dizer, a fêmea, chamada
"Condessa" é a mãe da força sombria da potestade das águas:
o mangue. A "Condessa" merece respeito dos mariscadores e se é
apanhada por um deles, é devolvida à lama do mangue. Utiliza-se esse
crustáceo apenas em trabalhos de magia chamada negra e quem dela precisar
para esses fins, só a consegue sob encomenda e pagando bom preço. A
"Condessa" é um dos tabus do manguezal.
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